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 MÚSICA

 
A obviedade inicial do –  
acorde perfeito
- Dó-mi-sol / ré-fá-lá. como abertura de uma página (gaveta) de tamanho peso e (ir) responsabilidade,  já denota com certa ironia o intuito de patentear uma postura amadorística. Mas apaixonada e possivelmene apaixonante, onde todas as colocações, sacadas, teorias e atrevimentos ( estes, eu mesmo não acho!), talvez devam ser levados mais à conta de abordagens poéticas, mas com respeito ao meu confiável musicologismo.

 

IP-MUSIC. >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> V. também M in  “WRITE”

 

- acorde perfeito - Dó-mi-sol / ré-fá-lá.

 

@ - AFINAÇÃO / DESAFINAÇÃO:

1 - “Mas, Marcelo, preciso ir ao ponto principal, que é o seu enorme talento para o canto, a afinação sem qualquer raspa de romanticismo (Nélson Gonçalves, que desafinava no timbre!, sic mesmo!), dentro daquela simplicidade “country” mesclada com a plangência do Bob Dylan, muito ajudada pela natureza do cancioneiro irlandês, que não tem nada, nada, nada a ver com aquela grandiloqüência que tanto encantava o Joyce, a vida toda babado pelos dós de peito do Mc Cormack, cantor lírico, como você sabe, mas extremamente contido nas tremulares extensões de sua voz.

                        Incrível como Joyce e João Cabral eram cegos para música!...

2- Naná Caymi:         - V.  "Resposta ao tempo" ?, !! ( desafina no tom, na tonalidade, faz     transposição antes do final do compasso (barra) ): isto é difícil, não é a comum desafinação, de ignaro, na altura, i.e., na nota. É algo tão difícil quanto aquela periódica desafinação no timbre, não evitada por Nélson Gonçalves, confira VHS 53 do meu acervo: uma latitude de timbre na mesma "altura", i.e., mesma nota!... Pode? Uma vez quis mostrar isto ao Zé Miguel Wisnik, não tive oportunidade.

  

- “Desafinação”:       Nélson Gonçalves: “Como continua desafinando ( !?!?!? “x” ), apesar da belíssima personavoz. Não desafina no tom*, isto é, na tonalidade, mas parece que há uma latitude de timbre na mesma altura ( a nota; cai da altura ). Pode? Fiquei de mostrar, a vida toda, para o Zé Miguel Wisnik “ (abril de 1989).

 

                                   (*) Paulo Ramos Machado, aqui em casa, em 04-4-03, sugeriu-me, para maior propriedade da expressão, ...”não desafina na freqüência, dentro da sua tonalidade” [ etc. etc. ]

                                     

@ - Andrade, Mario de  - Missão Mario de Andrade, 6 CDs e um livrinho. (Ouvir, para anotar na gav. Mús. do Site, verbete “plágio”, a fx. 13 do CD 6: já lá, no folclore, o “Se você jurar”, de Ismael Silva...

 

- árabe – melodia / ritmo : demonstração, ao assistir o Canal TVA árabe ART – Arab Radio & Television, da minha teoria incipientemente desenvolvida no intróito do poema “Cantox de Tumênios e a Poesia Dodecafônica”, da déc. de 50: O 5/4 jequibalesco/tchaikovskyano de sua sexta sinfonia=a escala oriental. O desautoritarismo da (des)armonia: até no auditório, vibrátil, com meneios de cabeça, fumando-se à vontade. Mostrar isso e a fita ao Willy e ao Flo. Sente-se o sistema modal = liberdade total no auditório, fumando!... Veja que o ritmo não balança o corpo, mas é freneticamente interno: a melodia está no movimento da cabeça. Cf. 7h20ss. da fita 1382. Combine com os títulos dor jornais árabes que aparecem a partir de 7h28 da mesma fita. Na Fita n. 1383, a escrita, magnífica, avulta e prepara a frase ( conceito? Dedução?) : O viver jovem ´ vive lá sem morte ` ” ( ó o som! [ estava lá, por mim: “para o Phila...RRISO! ] [ Hoje, 02-8-2002: TTRISTE ]

            - Pedir ao Artur que faça DVD da peça de música árabe com a cantora e duas orquestras e especular sobre aquelas batidas de continuidade onde há tonalidade respeitada, “QUE O OCIDENTAL ENTENDE...”, para que a voz, após a encenação rítmica, entre outra vez numa espécie de atonal. É a fita 1528. JUNTAR COM A OBSERVAÇÃO SOBRE A FITA N. 1383.:  - árabe – melodia / ritmo : demonstração, ao assistir o Canal TVA árabe ART – Arab Radio & Television, da minha teoria incipientemente desenvolvida no intróito do poema “Cantox de Tumênios e a Poesia Dodecafônica”, da déc. de 50: O 5/4 jequibalesco/tchaikovskyano de sua sexta sinfonia=a escala oriental. O desautoritarismo da (des)armonia: até no auditório, vibrátil, com meneios de cabeça, fumando-se à vontade. Mostrar isso e a fita ao Willy e ao Flo. Sente-se o sistema modal = liberdade total no auditório, fumando!... Veja que o ritmo não balança o corpo, mas é freneticamente interno: a melodia está no movimento da cabeça. Cf. 7h20ss. da fita 1382. Combine com os títulos dor jornais árabes que aparecem a partir de 7h28 da mesma fita. Na Fita n. 1383, a escrita, magnífica, avulta e prepara a frase ( conceito? Dedução?) : O viver jovem ´ vive lá sem morte ` ” ( ó o som! [ estava lá, por mim: “para o Phila...RRISO! ] [ Hoje, 02-8-2002: TTRISTE ] [ Agora, hoje é 02-03-06). Hoje, 10-3-06, ARTUR ENTREGOU-ME DOIS DVDs, INTITULADOS “MELODIAS ÁRABES, 1” e MELODIAS ÁRABES, 2”, COM A SEGUINTE CONTRACAPA (MEU TEXTO):

 

            Alguns elementos da música árabe, captados do Canal ART (TVA), como subsídio à tese do poeta Florivaldo Menezes de que a Melodia nasce do Ritmo. Já foi desenvolvida incipientemente em 1953 /4, como “bula” ao seu poema “Cantox de Tumênios e a Poesia Dodecafônica”. Associa-se, de certa forma, à filosofia de hiatos do ritmo, algo parecido com o 5 / 4 jequibalesco / tchaikovskiano da 6a. sinfonia, um sistema modal adaptado às escalas do orientalismo árabe, onde os intervalos não estão nas alturas, mas nas cesuras (um dodecafonismo transposto para lá e para o popular).

            O poeta chama o fenômeno de desautoritarismo da (des)armonia, que se reflete até no auditório, vibrátil, com meneios de cabeças, fumando-se à vontade. O ritmo não balança o corpo, mas é freneticamente interno: a melodia está no movimento da cabeça. O contrário do autoritarismo do genial filósofo-tecladista Glenn Gould, ao impor todas as anti-regras do barroco... v. em seu  Bach e em sua abordagem dos românticos, onde se presume um hiato, um vácuo... não de progresso, mas de inexistência ontológica da Música, da História da Música.

            A  peça de música árabe com a cantora e duas orquestras (por que não só uma?! A oitava de Mahler tem mil elementos num só retábulo) parece que especula sobre aquelas batidas de continuidade da percussão, nas mudanças de frases, onde há tonalidade respeitada, “QUE O OCIDENTAL ENTENDE...”, para que a voz, após a encenação rítmica, entre outra vez numa espécie de atonal. No apogeu da encenação modal, a escrita, magnífica, avulta e prepara a frase ( conceito? dedução?) : “O viver jovem ´ vive lá sem morte ` ”.

             ( Porisso seu corpo pode ser explodido simplesmente, maneiramente?...)

         [ @   ] 

 

@ - JOHN ADAMS

 

John Adams, “Chamber Symphony”, com Ensemble Intercontemporaine, DVD. Começa minimalista, mas se dissolve num polimicrotonalismo até uma transfiguração /  desfiguração de simples “ostinato”, que não é mais minimalismo e, sim, recurso do próprio “ostinato”.

O 2º Mov. reveste-se de uma audiência dodecafônica (no sentido de auditório, de ouvido, ouvido humano mesmo). Uma melodia de timbres bem distribuida acentua um  virtuosismo de instrumentos... não é virtuosismo instrumental, note-se! O tecido melódico se expande para se afunilar na “regência”( visível, lógico, no DVD!!!)... e um ar de Charles Ives autodidata se instala.

3º Mov. (0h74´ do DVD) retorna a um caráter de dança, para conseguir “visualizar” o minimalismo. Esse movimento, curto, explode numa beleza sonora que não vi em seus outros companheiros de Escola, y compris o de maior nomeada, Philip Glass. Pergunto: o regente seria aquele  Jonathan Nott ( sic? ) que veio ao Cultura Artística naquela noite / temporada com Pierre  Boulez,  em que, no camarim, na hora dos cumprimentos ( com o Flo, seu ex-aluno e  amigo condescendido ), mostrei a Boulez meu exemplar do “Conversations de Pierre Boulez sur la Direction d´orchestre avec Jean Vermeil” ? ( A edição, uma luxuosa Calmann Levy, tem Boulez em fotogramas de tamanho natural nas duas bordas de cada página, possibilitando, com o polegar, aqueles cineminhas com livro desfolhando-se. Nada se perde dos movimentos da regência do grande criador francês. Naquela noite de 22-10-96, mostrando-lhe o exemplar,   colocou seu autógrafo, dizendo-me que ele mesmo não tinha essa edição. Só não a deixei com ele devido ao egoismo de colecionador. Pior: do possuidor de coisas...

 

 - Arranjadores brasileiros:              Gnatalli, Radamés.

Guerra-Peixe.

Panicalli, Lyrio.

Peracchi, Leo.

Pixinguinha.

 

 

- Arranjadores   "congêneres"  (naquele meu sentido):

                                                           Paul Mauriat

                                                           Burt Bacharach

                                                           Ray Conniff.

 

- Arranjadores USA (Pop): e grandes virtuoses:

 

                                                           André Kostelanetz

Ray Conniff

                                                           Burt Bacharach

                                                           Paul Mauriat

                                                           Frank Purcell

                                                           Mantovani

                                                           Liberace (V. Videoteca, doc. c/ ele).

                                                           Carmen Cavallaro. (*)

                                                           Percy Faiths

                                                           Ray Anthony

                                                           Georges Melachrino.

Xavier Cugat

 

                                                                              (*) Sobre o piano de Gil Carli: Seu piano é técnico, mas falta-lhe aquela alegria peidorreira de perfumes de Cavallaro.

 

 

- Bach:          LD “ DiscBach “        Fuga x Inversão x Retrógrado

 

- Banda Obscena:            Eu, filha e neta (veja: uma brincadeira de três gerações!) recordando uma bandinha que possibilitava uma polifonia de 6 ou 7 vozes cruzando versos sacanas, obscenos mesmo, mas todos convergentes para a solução de um problema trivial do caipirismo pátrio. As vozes, encorpadas por um coral pesado, dariam um resultado muito engraçado e seguramente artístico...Esta minha arquivada de muitos anos recentemente foi ressuscitada do folclore caseiro por muitas incursões de agrupamentos de variadas camadas sociais do país, veja o You Tube...

 

 

@ - Barenboim, Daniel :

Como a Humanidade é burra, quando se assenta no estado laico da arte! Ou se reúne em praça pública! Ou se espreme dentro de um carro...

            E como continua simpático, tolerante, um bom técnico, vá lá, nosso amigo Daniel Baremboin.

            E como a Música se esbarateia de verde-e-amarelo, quando quer fazer, no gênero, a fusion art ! Denomino melhor: a crossover...

 

@ - Azulões/ Elementos agregados: Lula, Villa-Lobos e Caetano Veloso.:

 (Os cantos fortes, límpidos e consoantes dos azulões, e propagando nos ecos várias aluzões, que antigas algumas são...) Fui passarinheiro, na rua Canário, década de 60, e meu azulão era mais valoroso que o próprio avinhado ( !!!) e mesmo que ao corrupião ( também chamado concris nos altos brasis ( = Com Cristo) e mais ainda Sufrê ( sofrer?) ..., que cantava naturalmente  o Hino Nacional ( suas cordas vocais são anatomicamente dispostas de molde a , ao exemplo do  órgão..., coincidindo direitinho o Hino Nacional !, primeira parte; pois a repetição, é logico, saem nas mesmas alturas ( o ré-mi-fá-sol-si-mi-ré-la etc, etc, ) .Então, então, a sequência tem de ser ensinada pelo dono do pássaro, assobiando ao lado dele; o corrupião , depois de uns três anos  ( se não morrer antes, pois dorme num caniço de cimento, acolchoado, o daqueles de água & esgoto e é muito afeito a infecções aeróbicas...), aprende a segunda estrofe musical. Mas quando dá certo, é perfeito. Geralmente, o dono morre antes. Para não ver nenhuma das duas hipótes, vendi o meu prum libanês milionário carioca, que passava pela rua, num bruta dum mercedes, e ouviu o belíssimo canto... do azulão, o corrupião já se tinha ido. Me enchi de 30.000,00 cruzeiros, que bom, dinheiro aclara e refresca melhor que Colgate).

As alusões de cima, de você, me invocaram Geraldo Vandré, quando você reforma “Povo bom não tem memória; sabe mais quem tem poder, quem pode faz a história, não deixa ninguém mais fazer.”

Um pequeno envoy ( na “trad. rara” ):

- Há elementos, como numa química, que você só pode isolar quando em contato  com determinados outros. Tenho tirado dos frascos o burro e o gênio para perferir infusão. Lula, burro-gênio, e Villa Lobos , gênio-burro: Natura non facit saltus, e, a posteriori ( sentido exato, não esse que vulgarmente anda por aí, como coisa que acontece depois...), isolei do almofariz e pilão outro, um terceiro elemento, resultando: burro gênio burro: Caetano Veloso, com auxílio dos elementos, em grau e escala de sanidades, encaixa-se e ferve na reação química do autismo e da megalomania, características preponderantes no burro gênio burro.  [ Caetano é autista e megalomaníaco, com o dom de hipnotizar e até bestificar intelectuais, mas só os arautos do mito que se criou de que é burro quem não o entender, badalar, e até avassalar, sempre sob um maleducado  embora cortez sorriso alvar. Ele sempre agrediu nesse sentido, talvez para disfarçar (c/ aquele  sorriso no semblante) , o sentimento de que não sabe ao certo das certezas das coisas, e para que seus súditos não percebam que “O REI ESTÁ NU” . Mas quase sempre só faz coisas lindas, exóticas.

 

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" (...) e os árabes se desenvolveram mesmo ( e a imensidão das “Mil noites e Uma noite” ) nos imensos desertos, puramente, Quixadá...    

            Quanto a Barenboim, continuo achando-o um musicista genial, um musicólogo apuradíssimo, muito inteligente, mas... um (mau?)  pianista. Cate um mero André  Watts (digo mero porque quase ninguém sabe quem é esse genial artista do teclado, como noutro contexto, noutro repertório, o são um Cecyl Taylor, um Brubeck, um Oscar Peterson (lembra-se, Quixadá, dele naquela noite em que arriscamos um inglesinho ralado (de minha parte), na Saraiva do Morumbi Shopping? ) cate, repito, um André Watts e veja onde pode parar o Barenboim...

            E nem se diga Glenn Gould, covardia!

            O Barenboim tem é um faro excepcional, visão epistemológica tanto para Wagner como para Schubert, Beethoven,  como para as coisas mais transcendentes da Música Absoluta: como o recente DVD dele tocando o “Winterreise” para apoio do barítono T. Quastthoff. Filmado no palco.

            (Tenho tb. em DVD o “Winterreise” teatralizado  e filmado, cenarizado, com todas aquelas micro-óperas, que são os lieder do ciclo de Schubert, sendo desenroladas na sua frente, ficcionalmente.) Vale. Simplesmente vale. Tem de ser mesmo no piano & canto.

            Agrego: Barenboim dá uma de gênio ao comentar o estilo, a conduta visual, enfim, a attitud (sentido do inglês) do imortal Furtwaengler naquele LD “The Art of Conductor”, que agora já tenho em DVD também." (DE UMA CARTA A ADOLFO QUIXADÁ NETTO, cf. Site www.asdfg-menezes.org  , gaveta Música.)

            Ou quando se despe, no bom sentido, de qualquer autocrítica numa obra-prima como TANGO AMONG FRIENDS, o garotão família, nostálgico, com saudades da mamadeira ( e v. que o leite argentino é maravilhoso). Glorioso empreendimento.

            E acabou de gravar ao vivo, em Berlim, a integral das sonatas de Beethoven, n´algumas genialmente. Ora, não sei mais o que pensar.

 

 

- Beethoven:           Na revista “ESCRITA’, n. 15, 1976, há um voto meu no Primeiro Concurso Escrita de Literatura – Poesia, na comissão julgadora, constituida por mim, Florivaldo Menezes, Affonso Romano de Sant´Anna, Mário Chamie, Wladyr Nader e F. Fujyama. Vencedor: MARCOS DE CARVALHO, Rio, RJ, sob pseudônimo de Arthr Nonato. Em determinada passagem, escrevi:

                                   “(...) Até agora – quando entrego o meu voto – não sei se Matá [ pseudônimo de Marcos Tavares, João Pessoa, Paraíba, segundo/terceiro lugar, mas para mim o vencedor]  é homem ou mulher, o que não importa para a Poesia, mas que poderá valer um dia para o estudo orgânico das categorias estilísticas; uma nova definição de gêneros; uma repensada sobre os anseios de verso absolutamente dramático, como queria Eliot, etc. etc. Ou para se voltar a pensar no fenômeno Beethoven e na influência da Ética para a determinação de uma nova Estética, no universo estritamente lingüístico. Sei lá, mas, naquele ponto, de nada servem os exemplos de transmutações recíprocas ocorridas no gênero mimético por excelência que é o romance (George Elliot, Katherine Mansfield, Virginia Wool e Proust etc), onde mais importam, classicamente, as personagens do que a carga lírica da estrutura narrativa, carga essa que, ao encarnar naquelas, desfigura a autoria para não degenerar o gênero. Em poesia – ainda classicamente – o chauvinismo sexual é ainda medievo-contemporâneo: Baudelaire é homem, Emily Brontë é mulher, Catulo é homem, Hilda Hilst é mulher, Mallarmé é um senhor (assim como Rimbaud é um menino), Safo é mulher, Augusto dos Anjos é homem, Gabriela Mistral é mulher, e assim por diante.”

                                    Agora no mês de novembro de 2003, na TVA, canal fechado da TV, houve um ensaio muito progressivo, digamos assim, sobre Beethoven e em  determinada hora deparamos com:

                                   “ Beethoven mudou a forma de tocar o piano em Viena, que era suave. Ele queria pianos mais fortes, maiores, sabemos que quebrou cordas e destruiu martelos. Também escreveu música que implicara que o registro do piano fosse muito pequeno; ia até a última nota e sabe que a música irá para cima; mas não pode. [ FLO PRECISA ME DESTRINCHAR ESTES DOIS PONTOS]  Isso é coisa que Mozart inusitadamente fazia [ = quer dizer, algo que Mozart fazia apenas ocasionalmente, de vez em quando ] A diferença com Beethoven é a seriedade emocional. A pessoa sente que sua música é profundamente moral, e não se questiona o ressentimento. Beethoven causava no público, sobretudo no começo, principalmente pela forma em que  [ com que?] fazia com que o público se concentrasse no trabalho da peça. Ele pegava [ melhorar o verbo ] um motivo e a gente devia perceber como esse motivo aparecia de distintas maneiras ao longo do trabalho [ da peça ] . As pessoas não gostavam de ser pressionadas a ouvir música com tanta atenção. [ ISTO É IMPORTANTE ] Em várias ocasiões Beethoven se revelou [ deve ser: se rebelou ] quando o público tratou sua música como simples música de fundo [ DIRIA EU HOJE= COMO SIMPLES “MUSIQUE D´AMEUBLEMENT”, OU “MUSAK” NOS E.U.A. ].

                        Daqui para a frente, o documentário desenvolve outras ocorrências, começando por exemplificar na Sonata Patética o primeiro sinal de música altamente revolucionária ( no sentido formal, claro ).

                        Achei que essa é uma confirmação daquele meu aparente chute de 1976, quando falei em Beethoven e na Ética como elaboração de um sistema estético, no universo estritamene lingüístico...

                                                           

- Beethoven:           Cultura FM em 25-9-2006, John Neschling desenvolve interessante tese do DNA da Música (... não sei se de toda a...) que é a célula melódica “tá-tá-tá”, da Quinta de Beethoven ( deu a entender que é a mais complexa, problemática (perfeita nesse sentido), das sinfonias de Beethoven, toda ela desenvolvida em intervalos de terças... NÃO É UMA HIPÉRBOLE ISTO?!?! PODE SER POSSÍVEL ( musicalmente ) ( V. COM O FLO)

 

 [“BEETHOVEN / TARZÔ / PROJETO] Pedir ao Flo que faça um CDzinho, no Estúdio (poucos segundos de duração), fundindo (entremeando)  o grito do Tarzã com os quatro acordes iniciais da Quinta Sinfonia de Beethoven.

 Eu gostaria de estar presente. O fraseado deve ser tocado em seguinda, sem emendas, as duas fontes alternadas. [ Localizar um “gráfico representando a variação de frequência do grito explicando  que a “marca” de Tarzã  ‘consiste em cinco fases distintas: uma nota sustentada, seguida por uma ululação, seguida por outra nota sustentada numa freqüência mais alta, seguida por ululação, seguida por uma nota sustentada na freqüência inicial’.

‘A partir dessa imagem é impossível reconhecer se o fenômeno sonoro descrito é uma voz humana ou outra coisa. Por exemplo, o som de violinos, de sinos ou dos latidos de um cão”.

[ NOTA QUE NÃO DEVE ( OU DEVE?) SEGUIR NO TEXTO: Isso feito, o “Paulão da PUC” ” (PAULO ROBERTO DE SOUZA PEREIRA DOS SANTOS) minutará e formatará ao administrador do Site, para encaixe no devido lugar. Nos moldes do que foi feito com o poema “ O Dó-MI-Sol não dorme só”, no qual FLO meu abriu uma grande porta ao sugerir a separação das duas frases melódicas por intervalos nas oitavas distantes.] [Localize nessa gaveta o videozinho em que Pavarotti executa minha concepção ]

[ NOTA PARA MIM MESMO ] :Pesquise tb. ns papeletas com elásticos, aquele meu esboço de plano do programa, convidado pela Marta Fonterrada, onde eu exploraria, como arquétipo musical, referido grito.

 

 - Berberian, Cathy :          http://www.ac-rouen.fr/colleges/braque-rouen/cours/musique/stripsody/01-tarzan.html

http://www.ac-rouen.fr/colleges/braque-rouen/cours/musique/stripsody/01-tarzan.html

 

0lga Regina, tradutora:   “O título da obra não dá pra traduzir, pois a palavra STRIPSODY é formada de Strip + sody, e em português não há uma palavra única para STRIP, que aqui se refere às histórias em quadrinho.”

 

( Flo para mim em 13-4-06: no título Stripsody há referência tanto à striptease (é assim que se escreve?)
quanto à rapsódia (rapsody), que se caracteriza por um conjunto bastante
eclético de idéias musicais “disparatas”.

 

 

- Bolerão típico - "Sabor a mi".

 

 

- Bossa Nova:        A grande aventura dos que não tinham voz, tipo Orlando Silva, Chico alves, Sílvio Caldas/linha Cauby , Gessé,         

 

 

- Boulez, Pierre       Contenção e despojamento.

 

 

- Cage,  John:           "Chance" e indeterminância  +  eletrônica e multimídia.

 

CD “Singing Through” (“Singing Through...(Cage) )”  Singing / truckage.(20-12-97.(!!!). V. o CD, exatamente sobre isso.         

 

 

- Canção, !!!, - "Sempre Ângela", c/ Ângela Maria , de Moraes Moreira e Paulo Leminski (!!), anotação de 19-3-1985.

 

 

 

- Cantoras                            - Constantina Araújo, soprano, BR.

                                               - BR tb, contralto SÍLVIA TESSOTO, !!!, ouvi in "A serra do rola-moça",!!,  de Camargo Guarinieri, Cultura FM, 21h45 de 18-11-98, c/ a Orquestra Sinfônica da USP, !, regência de Lutero Rodrigues, !!!

                                               - JENKINS, FLORENCE FOSTER,  aquela maluca milionária novaiorquina, cf. CD   "The Glory ( ???? ) of The Human Voice" ( Jenny Williams - Thomas Burns - "A Faust Travesty", RCA Gold Seal.     TENHO UMA CÓPIA PIRATA, APUD PAULO RAMOS MACHADO. (Nota bem posterior, fevereiro de 2001 há já bastante tempo tenho o original em CD importado)

-         Niña de los Peines, La; (Pastor Pavon,descoberta

de Lorca, celebrada por Casals, Segovia, Picasso (localize o LP antigo)).

 

                                               - Trinca congênere   Eileen  Farrell

                                                                                  Katleen Ferrier

                                                                                  Maureen Forrester

                                               - Vasselina Kassárova, mezzo-coloratura, cf. "L' italiana in Algiere/Rossini.

 

                                                                                                                                            

- Cantores clássicos          - Aureliano Pertile    V. no CD "Giuseppe Verdi - Árias de  "Un ballo in maschera", 1911/1943,  da Sonopress, Audio fidelity, Zona Franca de Manaus, no Musical Box, Flávio e Oscarzinho.

                                               - Luigi Infantini.

                                               - Francesco Tamagno (anterior a Caruso).

                                               - Lauri-Volpi, tenor: Voz: emissão tem permanente estática (30-01-2000). Talvez se desse bem em colaraturas, se encarnasse no maneirismo excessivo das últimas interpretações de Cecilia Bartolli.

 

 

- Cantores USA, apelo de massas:        Paul Anka

                                                                       Fred Jorge.

 

- Cantores U.S.A. de muito talento:        Vic Damone, !, que só não é "gênio" pelo mesmo fator de que Hummell teve um Beethoven ao lado...(No caso dele, o Sinatra).

                                                                       Andy Williams, !!, versátil, fac totum sonoro, chegou a dublar Laureen Bacall numa canção (!!!), com sua voz transformada numa grande cantora, cf.!; contracenou com o fantástico gênio da mímica abstrata ( não figurativa), que é Jerry Lewis.   

                                                                      

Lauper, Cindy.

 

 

- Cantores POP “boco-mocos”            Julio Iglesias

Manolo Otero

Sergio Endrigo.

 

- Carpeaux:             Hist. Da Mús./ dar uma repassada e anotar, à parte, minhas anotações.

 

 

- Chopin – biógrafo de : na opinião de Carpeaux (deve estar defasada, não obstante talvez exata...):            PRZYBYSZEWSKI, consulte sua Nova História da Música. ( Nota de 09-01-05: já consultei na Internet, o cara foi importantíssimo em sua terra natal, Polônia)

 

@ - Chopin / sobre a interpretação que o Walter del Picchia  dá à terceira sonata de Chopin. Veja no Anexo de seu e-mail de (v. OutLook): a íntegra da execução.

 

Eu, cabisbaixo e meditabundo, bem no teor desse chavão mesmo, caminhava no cair de tarde lá pelas Jacutingas de minha mulher.

Ia só.

Evitava um ou outro buraco da velha calçada,  que mais perigo oferecia por onde não era calçada: sabe-se , aquela terra misturada, evocação do prefeito da cidade, tudo que... derrepente! assim mesmo, derrrrepente, um som conhecido, muito bonito mas difícil de assoviar, uma cortezia o envolvendo, espécie de conservadorismo de abordagem ( quase um galanteio interiorano, mas macho decidido, ô Darcy, o politicamente correto...) , vinha crescendo um Chopin sem vulto, assim, mineiramente, como se alguém estivesse ensaiando, fui chegando e, entrando pela janela, onde o escuro está pra dentro mesmo,  parei no meio do salão.

O piano vibrava com o reverbério daquelas tábuas de pisar, largas, mal enceradas, nem se pensasse, ora, em reverberação mesma, Chopin rondava; a mim me soava a alguém ensaiando, de muito tino e prumo, a sonata que o solene Cortot tocava em sua casa, olhando embevecido sua filhinha brincado com a boneca. Não dava muita trela para a partitura, que seu olhar no entanto, dividido com a filha, iluminava, dispensando o abajur e o vira-página. Só o olhar de gozo, pespegando no resto pétreo de seu rosto.

Essa sonata era mesmo seu perde-pão, sempre foi, pauvre homme de neige d´antan...

Nada se obedecia ( ou, exagero!, quase nada) mas se estendia , abria-se um tapete para a alma...

Ou seriam os gordos dedos de Horowitz, não, não é possível que ele os solte em cima das teclas, vai misturar tudo, democracia descontrolada de cores do teclado, mas preta na branca? ...  não poderia dar certo, naquele concerto de Mozart com o Carlo Maria Giulinni, ele rindo (ria à-toa),  com a risada dos primeiros violinos, aflitos pela impossibilidade de um dedilhado naquela descontração risonha, infantil, de quem ganhava um presente. Ou nas estrepolias que desnorteou o, ali genial,  Zubin Meta, na façanha irresponsável do concerto n. 3 de Rachmaninoff!!

Mas era ele, sou eu! sou eu! mas não falo com empáfia, acho natural que assim seja, porque sou eu, Horowitz.

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Tudo isso ai em cima, tudo, era ensaio preparado, que coisa!

Daí vi que era você, Del Picchia, Walter del Picchia, soando a coisa não como coisa pronta, no molde, por exemplo,  dos Estudos op. 10 de Chopin com o imenso Pollini, nem com a própria sonata que você ensaiava naquele momento, oferecida pelo Lipatti!, tudo perfeito e medido, nos absolutos conformes, no entanto belos!;  não, era uma estranha, inspirada e... blasé ( que lindo que soa, Walter) abordagem muito amorosa da peça.

Você ganhou mais um fã dentro de mim.

Você me buliversou nos dois minutos e cinquênta e cinco segundos até os cinco minutos e cinquenta e cinco segundos.

Nos  sete minutos e trinta e três segundos, por aí, tudo por aí!, me estarreceu. O 2º movimento todo é muito peculiar a você, parece que o conheço bem.

E os 13 minutos 42 segundos até os 14 minutos e 26 segundos, !!!

Mais espanto pelos 25 minutos 19 segundos até os 46 segundos dessa minutagem, é !!!!!!!!!!!!!!!.

( somente acho que a partir dos 28 minutos, até o gran finale, grande mesmo, mesmo!, você precisaria desacentuar um pouco  o fraseado, tente desacentuar. Não é cagarregrice, creia. )

Admiro muito você, raro!

Abraço Menezes.

 

- Computador:        - Computador:Aquele LP que o Tangerina me passou para CD: a faixa do "sobe-e-desce/mas desce-e-sobe", com efeito ilusionista do Escher, aliás aludido no texto de contracapa : "Ilude a audição com os parâmetros de intensidade dos harmônicos individuais do expectro."( FLO p/ mim, há tempo...) [ PEDIR DETALHAMENTO E DEMONSTRAÇÃO DAQUELE ESQUEMA DE "PENTAGRAMA" QUE ELE DESENHOU PARA MIM, V.  PAPELETA A FICAR NO CD. (XEROX NO LP). ( Nota de 29-01-00: Num dos DVDs da série “Mutuals”, do Chaplin, há uma trilha, num dos curtas, com o mesmo “problema”.)

 

- Computador:     Aquele LP que o Tangerina me passou para CD: a faixa do "sobe-e-desce/mas desce-e-sobe", com efeito ilusionista do Escher, aliás aludido no texto de contracapa : "Ilude a audição com os parâmetros de intensidade dos harmônicos individuais do expectro."( FLO p/ mim, há tempo...) [ PEDIR DETALHAMENTO E DEMONSTRAÇÃO DAQUELE ESQUEMA DE "PENTAGRAMA" QUE ELE DESENHOU PARA MIM, V.  PAPELETA A FICAR NO CD. (XEROX NO LP)

 

 @ - CONTRATENORES.

 

Querida Neri: nossos primeiros contatos demonstraram que você é particularmente amante de contratenores (oriundi castrati) . Seu timbre deve fasciná-la, o que é perfeitamente justificável, pois é uma zona vocal entre o tenor e o contralto, macho e fêmea, casamento belíssimo ( sem trocadilho...), grave ( sem mais trocadilho, rsrsrs)  na sonoridade mescla, e não simultânea em duo!, dos cantantes.

    Nesse trecho de Zeffiretti innamorati, da ópera Rinaldo, passagem de Lascia Ch´ io Pianga, Radu Marian, com todo o respeito, me soa mais como uma voz transexual, emitida pela transexuada, faltando-lhe aquele tom metálico que denuncia um acrisolamento que ressalta mais o macho, que incorpora, aliás, o físico natural, cordas vocais e tudo, sendo, pois, a fonte.

    Não sei se me faço entender. 

    E para que eu mesmo mais me convencesse, fui ver outro número, a Ave Maria de Gounod / Bach, onde mais se acentua o soprano,  e, infelizmente, meio esganiçado, perdoe-me.

    Por enquanto, não vejo nele nem sombra de um Alfred Deller.

    Um beijão; e não me veja como um caga-regras, por favor!

 

- “Correspondências ” baudelaireanas:

 

                                   Webern / Braque

                                   Schoenberg / Picasso

                                   Berg / Gris

 

- “Crossover":        No crossover, Música erudita vira apelido de Música erubenedita. Para o povão, são uma festa essas investimentas nas indumentárias de classe.

                                Quiridinha, gostaria de conhecer essa moça. Ela gosta de uns traguinhos? Iria "tomar uma cervejiiinha na Taberrna da Glóóória?!", como disse Aracy sobre  Noel no LP "O SAMBA PEDE PASSAGEM"...

                                E vamos ver se ela sabe qual a diferença entre Música EruDita e Música EruBenedita (classificação do papi aqui) : a primeira é ela mesma, própria, a segunda é essa mesma que você está pensando, um crossover para consolar pobres ( pobres-diabos, ora, não sou elitista ), tipo Bandas Sinfônicas, que senzalamente tocam os geniais repertórios dos conjuntos à la Pixinguinha, "regionais Rago", agrupamentos e arranjos (estes sim!) para as coisas dos grandes gênios Noel, Lamartine, Ary, e muitos outros, mas com roupagem sofisticada e falsa, porisso chamaram a Dita pra lá...E a Dita já subverteu a Benedita, não é coisa de louco, de luta de classes?

 

- “Desafinação”:    Nélson Gonçalves: “Como continua desafinando ( !?!?!? “x” ), apesar da belíssima personavoz. Não desafina no tom*, isto é, na tonalidade, mas parece que há uma latitude de timbre na mesma altura ( a nota; cai da altura ). Pode? Mostrar isto ao Zé Miguel Wisnik “ (abril de 1989).

                                   (*) Paulo Ramos Machado, aqui em casa, em 04-4-03, sugeriu-me, para maior veracidade da expressão, ...”não desafina na freqüência, dentro da sua tonalidade” [ etc. etc.

                                   - Naná Caymi:- Onde "Resposta ao passado" ?, !! ( desafina no tom, na tonalidade, faz             transposição antes do final do compasso (barra) ): isto é difícil, não é a comum desafinação, de             ignaro, na altura, i.e., na nota. É algo tão difícil quanto aquela periódica desafinação no timbre,não evitada por Nélson Gonçalves, confira Fita 53: uma latitude de timbre na mesma "altura", i.e.,mesma nota!... Pode? Uma vez quis mostrar isto ao Zé Miguel Wisnik, não tive oportunidade.( 30-8-02).

                                   (Nota de 04-4-03): A observação do Paulo, supra, vale aqui tb.?

 

- “Dodecafônica”:    Flo, veja se, quando tiver um tempinho, me coloca em pratos limpos a seguinte sacada, de um músico acho que de seu convívio:

   " Tenho uma resposta a este dilema [ como superar os experimentos das vanguardas que já são passado ] sem necessariamente realizar um retorno à música clássico-romântica [ e que abre novas portas para a criação musical ].

Trata-se de uma reinvenção da harmonia que leva em conta a memória e a inteligibilidade da escuta. Há certas propriedades, antes não consideradas, às quais somos muito sensíveis. Especialmente a propriedade de, quando ouvimos certos acordes específicos, sermos capazes de entendermos estes acordes como unidades indivisíveis. Mas, quando paramos de tocá-los  e buscamos retê-los na memória, eles se fragmentam.  lsto é novo (...)"

 

 ************************************

 

             Se não for dificuldade laica de minha parte, [ ISTO ]está me parecendo com aquela minha proposta de poesia dodecafônica, de um poema meu de 1953, "CANTOX DE TUMENIUS E A POESIA DODECAFÔNICA" , engenhosa mas fantasiosa, interessante apenas e por aquela época como possibilidade teórica, uma esquemática falsidade na transposição dos gêneros (música >>>>>literatura),que eu havia pespegado do livro/plataforma do René Leibowitz sobre música dodecafônica. Aquilo tudo para desmilingüir a melodia, uma decupagem da sintaxe para, na cesura autoritária (diria arbitrária, ce(n)sura) dos versos, "confundir" o sentido, através de um espaçamento  desfigurativo, que era o dos intervalos das alturas ( no meu poema uma cesura desfigurativa que jogava pedaço da palavra para junção com outra. O meu ouvinte ficava atônito, escutando grego (sem trocadilho conceitual ! : há lá frases ilusoriamente gregas... sucumbàpausaondeofo(...) tovemparaplaníciedoarimanta), mas que era um didatismo do princípio de que uma nota só podia ser re-tocada (e, às, vezes retocada mesmo!) após o uso, nas frases musicais, das 12 alturas. Mas meu leitor, lendo e desprezando o som, pegava todo o sendido, a sintaxe se reaglutinava após o VERSO DE UMA SÍLABA    - VERSO DE DUAS SÍLABAS     - VERSO DE TRÊS SÍLABAS   [...] REDONDILHA MENOR (5) [...] -    REDONDILHA  MAIOR(7)  [...]-DECASSÍLABO- ENDECASSÍLABO - O DODECASSÍLABO  (o ALEXANDRINO) ...   ... (VOLTA PRA UM, DOIS ETC. ETC.).

            Gonçalves Dias já havia feito um longo poema com estrofes de todas as estruturas de sílabas, de monossilábico a um dodecassílabo, muito engenhoso, compatível com o tema, vou localizar. Mas não "desfigurava" o sentido imediato do entendimento.

            Voltando ao meu caso, havia um humor anarquista ( gozado, acho que não há uma linha ou desenho, ou figura, ou que quer que seja que eu tenha feito, que não tenha esse senso de humor cético, quase uma declaração de princípio de que Arte é uma brincadeira...MAS TALVEZ OS GRANDES ARTISTAS MESMO, UM BEETHOVEN, UM RAVEL, UM HITCHCOCK TERIAM CUSPIDO NESTA MINHA AFIRMATIVA... DE IMPOTÊNCIA, TALVEZ...

 

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Bem, mas o que mais me intriga é a sacada lá de cima, de um músico que, sem conhecer-lhe o mérito, pois não lhe conheço a obra, me leva a levar muito a sério sua desatinada, quase tresloucada (aqui entre nós, hein?) necessidade de sentir-se justificado na existência só se puder plantar ou fazer algo no terreno da Música. Ou algo de novo? Bem, Deus dá Vontade a todo ser humano, menos à tartaruga, que ainda tem de recolher a cabeça pra poder ver se sonha um pouco...

Beijos do Papi. (22-12-06)

 P.S.: E o Alban Berg com a ópera Lulu, que atribuiu a cada personagem, de acordo com o timbre, cada uma das séries da escala dodecafônica, apenas para uma convencionalização, mais ou menos similar ao meu falso “ Ó  meupo   vosemsé semsombrajá...” ? O QUE ME DIZ/...

 

 

(...) [ P.S.: vendo acima : "capazes de entendermos estes acordes como unidades indivisíveis. Mas, quando paramos de tocá-los  e buscamos retê-los na memória, eles se fragmentam"

Me parece um parentesco com a frase que o Menuhin pronunciou para o Glenn Gould, (confronte minha gaveta Glenn Gould, site www.asdfg-menezes.org   )  ,    um papo sobre música contemporânea e a a sintaxe de poemas ( Shakespeare) arrancados aleatoriamente de seu contexto... 

-         LD, qual?- Glenn Gould com Menuhin / Partita n. 1 de Bach. Tb. a obra de Webern (Schönberg?) que eles tocam juntos e comentam. Aquela assertiva de Menuhin sobre pegar frases avulsas ao acaso de Shakespeare e remontá-las: é um belo sem sentido, belíssimo sem sentido: isto talvez seja a música "contemporânea". Gleen Gould põe a mão no queixo e murmura "hum, hum!"  MOSTRAR AO FLO EM SEGUIDA, POIS ELE ME PERGUNTOU EM 16-8-03 SE EU CONHECIA.

 

- Dupla(s):    - Paul Anka & Fred Jorge.

 

- Dupla / mús. brasileira – Marcos Antonio Portugal & Domingos Caldas Barbosa.

 

- Elomar – o Piazolla da música de improvisação ( repente ) do Nordeste.

 

ERA ROBERTO:

ÉRAMOS CARLOS.

 

- Equivalências/ “CORRESPONDÊNCIAS” BAUDELAIREANAS:

 

                                   Webern/Braque

                                   Schoenberg/Picasso

                                   Berg/Gris.

 

- Festivais - (Anotação de 24-8-1985) : "Assisti à 2a. eliminatória do Festival dos Festivais, ao vivo, Porto Alegre, TV -5. Uma música fantástica...nem se classificou sequer por vaias às outras (ou por comparação) : de TOTONHO VILLEROY, "Do outro lado da rua"(!!). O autor, como flautista também, é fantástico."

 

                                  

- Flo:                               - Em outubro de 2002, madrugada de 15-10), Willy, em sua cozinha: " - Veja, Menezes: nas Valsas op. 23 - principalmente a n. 5, faixa 8 do CD 1 do álbum do Glenn Gould -  é uma valsa vienense onde

o Fausto -aparece [ aqui ele destacou bem, foneticamente ] no pratter!".

                                               - solfejar pelo telefone a música do "Cuelhinho... " (.../ Se eu fosse como tu/ Tirava a mão do bolso/ E punha a mão no ...cuelhinho / se eu fosse como tu/ [ e vai repetindo] demonstrando-se a semelhança de processo com aquele samba do Chico Buarque, "Pelas tabelas", onde há um "da capo" desprezando a última sílaba da escansão, remontando à primeira frase da estrofe anterior, como se fosse um cânone invertido -  pode-se dizer assim? Pra mim me lembra muito aquela música do Computador (v. Dbase, ZZZZ - C-) baseada num efeito Escher (pintor ilusionista da perspec-tiva) onde a "altura" ( sent. musical = nota ) sobe quando desce e vice-versa. Flo me disse, há um bom tempo: "O fenômeno Ilude a audição com os parâmetros de intensidade dos harmônicos individuais do expectro". Então, como, aliás, aludido na contracapa do LP, ( já transformado em CD), sobe-e-desce / mas desce-e-sobe, com o efeito ilusionista do Escher.

                                               - V. Rashomon:    - in 0h34´22´´ qual a música?

                                               - in 0h41´ mais um "bolero de ravel (sic)" (estilização; como se chama? ( v. tb.                                                 Roma de Fellini outro "bolero de ravel", cf. em Word - IP-Música, ou Word- IP-Avulso, ou em Write - M- Música, ou C- Cinema).

                                               - Como se chama aquele retorno ao início da frase, como se fora uma circu-

laridade sem emendas, v. aquele samba... ( "cânone"? E cânone em que sentido, Flo?)

                                               - Assistir com ele A Vida de Mahler, de Adrian Lyne.

                                               - Trazer, nalguma viagem: "The typewriter, the rifle and de Movie Camara" (Adam Simon).

- Funk:           - v. o excelente documentário que gravei da TVA - James Brown, !!! - Sly Stone - estudar aquela batida no primeiro tempo da frase - totalmente revolucionária - VER TRECHO DE MEU ENSAIO SOBRE GLENN GOULD, ONDE FALO SOBRE SONATINA FUNK ( PARTE PUBLICADA NA REVISTA  "ESCRITA").

 

[ Carta a Gabriella Pace]

Gabriella:

    1 - Como você diz que "aguarda notícias", lá vão algumas ( não se esqueça de que já lhe falei que tenho pavor de ser advertido das facilidades de papo que a Internet propicia).

    2-   Não quis me referir a analogias entre compositores, no sentido do famoso jargão "nada se cria, tudo se copia" ( Chacrinha e quejandos), que você cita, mas o de verdadeira pré-munição/premonição  de formas de um gênio para outro: quando você vier a minha casa, como você respondeu que terá o máximo prazer de [me dar o máximo prazer!] vir, vou mostrar-lhe (não me julgue arrogante, é pura paixão de raciocinar!) uns fenômenos de antecipação de formas, verdadeiros casos de "plágio em retrocesso" , LEMBRE-ME DISSO, DESSA EXPRESSÃO, POR FAVOR, LEMBRE-ME DISSO!

    3 - Para diferenciar, vou mostrar a você um disquinho de 7´´ de uma revista francesa, onde há um sem-vergonha mas exato "Ils ont tout coupié", de(monstrando) plágios de Beethoven, Mozart et al.

( o que te mencionei de Stravinsky e Mozart etc., cf. e-mail anterior, é o "stravinsky"  já concebido por Mozart!... O "berlioz" que te citei é a inaugural invenção do Puccini!!! - ( QUANDO VOCÊ ME CONHECER MELHOR, VAI VER QUE NÃO SOU LOUCO, ou, como diz meu, meu, meu,  Glenn Gould...  "JE NE SUIS PAS DE TOUT UN EXCENTRIQUE" ( título de um de seus livros editados postumamente, coisas de telefonemas gravados, papos rememorados etc...).

    4 - Fiquei muito feliz de saber pelo Flo que você fez um Mahler magnífico. E a Violeta Urmana, que te citei enquanto escrevia o e-mail, ouvindo o Mahler que "analisei", que você me disse que viu pessoalmente no Scalla!..., puxa, isto é um privilégio...

    5 - Quanto à quarta de Mahler ( você se diz vítima, vítima para mim maravilhosa, de quartas sinfonias ) , permita-me aduzir sobre a de Mahler:

    Nos começos da déc. 80, dei uma entrevista no jornal AMBIENTE, da Cetesb, onde aponto, entre as melhores músicas da Humanidade, justamente a 4a. sinfonia de Mahler.

    Não  me lembro se dei razões, nem qual a versão que indiquei.[ Hoje para mim só pode ser de Haitink, Bernstein ou Boulez ]  Mas comentei "em off" que é uma síntese da alma musical de Viena, que era o berço da modernidade, assim como a Alemanha  havia sido, imediatamente antes, o da contemporaneidade.

    Há, nessa sinfonia, vozes em seus ruídos, assim como ruídos (aí já no sentido de McLuhan) em suas vozes (humanas).

    E pra temperar tudo, aquele picadinho das frases tenebrosas, típicas do Autor.

    Não é, para mim, a mais bela (quinta), nem a mais profunda(nona), nem a mais transcendental (oitava), nem a mais matriz e inspiradora (segunda). MAS É SIMPLESMENTE... A QUARTA!!!, que tem a cara de Mahler, do casal Mahler, das infidelidades Mahler..., do perdão, da sublimação, enfim, me parece a mais pessoal.  E já abre o caminho para o mais maduro Richard Strauss, na corporificação das valsas da triste decadência, esta num sentido até nobre, histórico, político, como quis D´Annunzio.

    6 - Bem, Gabriella, não vamos exgotar nossas vidas num só átimo. Temos muito que conversar. Traga sua mãe e seu pai, chamarei o Flo para o encontro, vamos marcar: logo após seu Villa-Lobos na Osesp, que dia mesmo?

    Abraço ffff  do Menezes.

 

- Gilberto, João:      O modo João Gilberto, derivado de Mário Reis, foi uma imitação/adaptação que este último fizera, no início, do estilo do Sinhô cantando seu "Jura". Este estava doente, tuberculoso, sem ar, e cantava daquele jeito (depoimento de Silvio Caldas, cf. progr. Ensaio, da TV Cultura-SP, 1992). Jeito falado, disfarçando a dificuldade da emissão da voz com a desimpostação e falta de solenidade na tenorização costumeira da época (Chico Alves, Augusto Calheiros, João Petra de Barros, ?)

 

@ -  GOLDBERG / Variações -             Conheço as quatro versões das Variações Goldberg que meu santo de cabeceira Glenn Gould levou a cabo, inclusive aquela de juventude na União Soviética. ( Vou morrer chamando aqueles rincões de União Soviética, esse negócio de Nova Rússia com Transparência Englásnóstica (sic)  foi mais uma anemia daquele cidadão que tinha o mapinha dos EUA marcado na testa...coisa de "signalização" do demo! )

O Glenn Gould tinha uma pulsão mais acentuada, marcante, era canhoto ( veja a partitura, que propricia aos canhotos, ainda mais um super-gênio como aquele!).

- Preciso saber quem tocou, inacreditavelmente, aquelas variações com sentimento, integração, vibratos e dinâmica que nunca ouvi na vida ( variações do Mozart "Ah, vous dirai-je, Maman" !!!!!!!!!!!!!!!!!.)

- Nota posterior: foi no programa vespertino do maestro Júlio Medaglia, fins de setembro/começos de outubro de 2011.

 - Solicitado por email para dizer-me o nome do intérprete, o maestro não se manifestou.

@ - Instruções para Anotações:

 

          Junto, no  CDzinho que fiz e que tem  M-Maravilhas, e Mil maravilhas algo assim), anotar também Eduardo Araújo já mencionado nesta gaveta em seu inacreditável insight no “Ave Maria do Morro”. Aduzir no texto do e-mail, o fenomenal DVD dos Mutantes , formação com Fátima Guedes, turnê no Exterior em 2007 ( ou 2006).

          Alistar como excepcional tb. o DVD “Tudo está mudando”, exemplo de interpretação transmediúnica ( como carimbei em Glenn Gould))  de Zé Ramalho “baixando” Bob Dylan, dezembro de 2008, !!!

 

 

@  - Liszt / Estudos transcendentais, 7,8 e 9, "Riccordanza" , com George Bolet, !!! V., no LIvro ( gav. INTRODUÇÃO ) , quando falo em Nazaret, ao falar do Bandeira (Américo), intercalar o Liszt como a verdadeira essência dele, e não o decantado (genial) Chopin...

 

 @ - LÍVIO TRAGTENBERG     “Lívio Tragtenberg, importantíssimo criador da Música-Clown, improvisador coletivo.”   ( Aqueles soluços de compassos d`A Professorinha”, dos Músicos de Rua, me emocionaram maldosamente ( e só não foram cabeça vindo à tona num afogamento, devido à sua enorme beleza melódica;  e fui à cata de meu “ONDE ANDARÁ ?” em meu LP do Ataúlfo...

 

@ - MENEZES, FLO – “ATLAS FOLISIPELIS” - 1997, AO VIVO NO ITAU CULTURAL - VIDEOMAKER DO EVENTO, NA HORA : EU, FLORIVALDO MENEZES. INTERMIDIA COM URBIS, DA DUPLA KIKO GOIFMAN E JURANDIR MULLER,COM O DUO DIALOGOS. Ver com o Paulão, os prós e os contras de transpor o DVD (no todo ou em parte?) para o YOU TUBE, colocando um link onde essa matéria for encaixada.

 

 

 

@ - Pianistas fusion:    Carmen Cavallaro /Jacques Loussier.

  

@ - Pianista CECYL TAYLOR sons improvisados complexos, frequentemente envolvendo clusters e complexas polirritmias. Sua técnica ao piano já foi comparada à percussão, descrita como "uma bateria afinada em 88 tons" (referindo ao número de teclas do piano).[2]

 

@ - Piano, “ritmo cardíaco”: v. CD de Joel Honorato, pianista/ progr. Tinetti 09-4-09 / Ponteios de Adelaide Pereira da Silva; o 3° ou 4°, !!, um piano em ritmo realmente cardiáco !!!( v. livro Compositoras Brasileiras).

 

@ -  PREPROPAROXÍTONA /  Alvarenga e Ranchinho, "O drama de Angélica", vasada exclusivamente em proparoxítonas, nos moldes de uma famosa composição de Chico Buarque, bem posterior.

Precisa ser explorada essa ressonância fonética ligada a eventuais

ligações semânticas, associando o fenômeno com as pausas da fala (e do canto) que podem dar outro sentido, uma espécie de "trocadilho sonoro", embora todo trocadilho, ao ser lido, seja de certa forma sonoro...
Para que se deduza e elocubre, se se tiver tempo, em cima de  tais considerações, ouça a letra do "Coração Materno" , que exala a natureza árabe da lenda d´ "O CORAÇÃO MATERNO", que está no livro "Contos e Lendas Orientais", de Malba Tahan. V. tb . o livrinho na cx. "Caetano Veloso completo", faixa "Coração materno" ...:

." [...] mattar [sobrenome árabe] ou morrer!", i.e., "mátar ou morrer", que é como Caetano canta !!!).

Também as duas tônicas frásicas de início, no CD da Globo, que me foi ofertado por Paulo Fernando Araújo, “Som do Brasil caipira” : na música do Alvarenga Ranchinho ( cf. fx. 1, "O drama de Angélica", na interpretação do próprio autor ) de finais de frases só com proparoxítonas de rimas ricas -- bem antes da do Chico Buarque. Uma proparoxítona rica, pois só tem três sílabas e a tônica cai na segunda, mas que, devido à prosódia / fonética, é mesmo uma preproparoxítona ! : a palavra "perplexo" ...( = ...pléquisso ).

 

Na mesma linha: ouça a seguir "De quimeras mil / um castelo ergui", com a Nana Caymmi  na versão de "Fascinação".

 

- Haydn - Sonatas para piano 18 e 19 (!!!!), c/ John McCabe. (!!), em 23-4-98, programa do  Tinetti, Cult-FM.

 

- Instrumentos: - Ciência dos Instrumentos: Organologia. (ex.: havia um órgão   portativo, na Idade Média, usado pelas Igrejas nas procissões)

                                                             -Mais sobressalentes no disco (LP) boliviano de danzas                                                    zampoñas

                                                                       tarkas

                                                                       kenas

                                                                       sicus

                                                                       pinkillos

                                                                       matraca

                                                                       güirro

                                                                       caja

                                                                       huankara (bumbo)

 

- Instrumentos:                              Martenot

                                                           Teremin (Rita Lee usou. Quem mais? Quem inventou?)Ciência dos Instrumentos: Organologia. (ex.: havia um órgão portativo, na Idade Média, usado pelas Igrejas nas procissões)

                                                           ( russolophon - Fitinha Luigi Russollo ( Intonarumori>>>arco enarmônico >>> rumorarmônio).            

 

- Instrumentistas "clássicos":

 

                                              

                                               Clarinetistas            Jacques Brymer (1915).

                                                                                  Karl Leister (1937)

 

            Contrabaixo:          Bottezini.

Dittersdorf.

Kousseevitzky

 

Cravistas     Wanda Landowska.

                                                                       Rosalyn Tureck

                                                                       Gustav Leonhardt

                                                                       Ralf  (Ralph?)  Kirkpatrick

 

                                               Guitarrista bras. Romero Lubambo, CD. "Trio da Paz."

 

 

                                               Organistas   Ane-Maria Alain, Bach!

                                                                       Helmut Walscha

 

Pianistas:

 

 

 brasileiros :                muito bom: Maria Josefina Mignone.

                                  

                               Contemporâneo / improvisou muito bem no espetáculo de Poesia Sonora / Phila / Inst.Cultural Itaú (SET? OUT? 1997) : SÍLVIO FERRAZ.

 

                        codificadores (Modelos) de mudanças de linguagem:

                        Schnabel/Beethoven (Beethoven padrão / Pattern Beethoven).

                        Cortot/Chopin.

 

                        mediúnicos  /  etimologicamente

                        Rubinstein

                        Horowitz

                        Glenn Gould

                       

negros                                                                                                       

                        - (cf.: o negro, discípulo de Bernstein  : André Watts (!) )

                        Byron Janis (é mesmo negro? Cf.)

                                                                      

 

                        partiturais:

                        Solomon

                        Serkin (*)

                        Gieseking

                        Rosalyn Tureck (Bach)

Lipatti

                        Samson François

                        Adam Harasiewcz                                   

 

      (*) v. Fita 505, Rudolf Serkin, presumivelmente no fim da vida (TTRISTE). ) O grande Serkin- ainda luminoso e profundo na leitura da sonata ( n. 32, op. 111), mas sem a agilidade motora necessária para evitar os tropeços  nas escalas e a disparidade dos tempos proporcionais nos ccmpassos... Todavia é comovente – plangente mesmo – o “toque” paralelo de suas feições, entristecidas pela música, no 2º movimento! Ouça, veja e guarde como exemplo das terríveis armadilhas da idade...Logo a seguir, a juventude de Ivo Pogorelich, cuja técnica biológica pode dispensar – pode?...- a musicalidade ( que ele, não obstante, tem). Fita danada de pedagógica!... [ COMO, SOBRE TÊNIS, AQUELA DE UMA PARTIDA DE PETE SAMPAS vs. AQUELE NISEI NORTEAMERICANO QUE FOI GRANDE, PROCURE. NOTA, EM COLCHETES, DE 10-4-99. Aquilo s/ Serkin está anotado em 11-9-1993. NOTA DE 30-12-2000: O tal  “nisei”  é o Michael Chang, que é descendente de chineses.

 

- sucessora de Richter :  Lylia Zilberstein,.

 

“técnico”:

                        - Michael Tylson Thomas

 

                        - português, (!!!) ouvido em 1985 : Adriano Jordão

 

 

                        - brasileira, promessa  - em meu entender : a menina Pamela Carlson, 10 anos em 1996, tocou, na audição de 22/6/96, da Fundação Magda Tagliaferro (onde o MURILINHO, MEU NETO, executou de Leila Fletcher, as ns. 15-16-23),tocou, repito, uma sonatina de Beethoven magistralmente: dedilhado (!!!), dinâmica (!!!!), intensidade (!).

                        Um ano e pouco depois, quando, em 8-10-97, fui pagar, a pedido do Flo, a mensalidade do Murilinho, na Fundação Magda Tagiaferro, perguntei pra esposa do Ronaldo Bologna (grande regente e grande "pensador" musical) onde estava aquela menina, (Pamela) ,  ela me disse: - Olha, ela está entrando justo agora, para receber sua aula (vindo de S.José dos Campos, onde  reside)! Que incrível coincidência! Coisa estranhíssima, nunca mais voltei ao local, e naquele minuto, um ano e tanto depois, me defronto com o talento. Perguntei-lhe brincando se já tocava Scriabine. Ela, bem alta para a idade, respondeu-me sorrindo, aparelho de correção dentária enfeiando-lhe a boca, que ainda não...

 

 

 

                                               bandolinista, !!!!!, Hamilton Hollanda, “Odeon”, Nazareth, !!!!, na Cultura FM mês de outubro de 2004.

 

trompetista  ENRICO RAVA (!!!) , discípulo de Miles

Davis (28-5-85).

 

Sax:  

Charlie Parker - no alto.

                                               John Coltrane. Como criação: John Coltrane.

                                               Coleman Hawkins - no tenor.

                                               Ben Webster, não sei bem por quê chamado "O Clark Gable do sax tenor".Quando inspirado, era Ben Webster.

Lexter "President" Young.

 

trompista     Dennis Brain.           

 

 

                                   violinista f^  : Nadia Salerno-Sonnenberg; diz o lutier Kaouru que é ótima.

                                  

violonista     extraordinário:          Manuel (Manoel?)

Barrueco                                          

                                                           *****

 

- Marcha carnavalesca: talvez a mais bela, mais tristemente nostálgica: "Alá-lá-ô", de Haroldo Lobo e Nássara.

 

 

 

- Melodia : nasce do ritmo ( sempre? pesquisar! ) – V. Fitas 1381, 1382 e 1383, índice M- Melodia oriental – árabe – tb. índice A – árabe – demonstração, ao assistir o Canal TVA árabe ART – Arab Radio & Television, da minha teoria incipientemente desenvolvida no intróito do poema “Cantox de Tumênios e a Poesia Dodecafônica”, da déc. de 50: O 5/4 jequibalesco/tchaikovskyano de sua sexta sinfonia=a escala oriental. O desautoritarismo da (des)armonia: até no auditório, vibrátil, com meneios de cabeça, fumando-se à vontade. Mostrar isso e a fita ao Willy e ao Flo. Sente-se o sistema modal = liberdade total no auditório, fumando!... Veja que o ritmo não balança o corpo, mas é freneticamente interno: a melodia está no movimento da cabeça. Cf. 7h20ss. da fita 1382. Combine com os títulos dor jornais árabes que aparecem a partir de 7h28 da mesma fita. Na Fita n. 1383, a escrita, magnífica, avulta e prepara a frase ( conceito? Dedução?) : O viver jovem ´ vive lá sem morte ` ” ( ó o som! [ estava lá, por mim: “para o Phila...RRISO! ] [ Hoje, 02-8-2002: TTRISTE ]

 

 

 

- Montenegro, Oswaldo: !!! no espetáculo no Memorial da América Latina, transmitido ( retransmitido ? ) pela rádio Musical FM, 13h, 14-3-98, "Opção MPB Especial".

 

- Mosca, Paulinho = clone de Caetano. Mas um Caetano rejuvenecido nas cordas vocais, somente nelas. É muito bom o cara! (nota de 19-11-99). (NOTA DE 29-12-2004: Ontem vi um especial sobre ele na TVA, Film & Arts, 22h., estava gravando mas interrompi: achei o cara muito fraco, só domina muito o violão, a voz é descolorida, sem a menor nuance e suas composições não têm sequer uma melodia graciosa, mesmo naquela falaciosa atendência que Caetano tem de firular a emissão quando falta naturalmente a sequência das “alturas”. Enfim, é medíocre mesmo!!!

- MOZART – Sua Sinfonia “Júpiter”:   O ponto alto, naquelas alturas todas, e todas perenes, é o 4º movimento, o  caráter de fuga, aquele crescendo assustador, terrificante, do movimento, a beleza daquele ímpeto diabólico costurada no fugato que coroa, na sinfonia, o distante Bach... que não queria saber de futuro em progresso técnico nenhum, no dizer de Glenn Gould ; queria até brecar e fazer o Barroco pra trás!

– E o vezo abaixo, de uma diminuição para o modo menor na mesma sequência, compasso, compasso, compasso, etc :                                

-  MOZART. - Um idioleto apostólico / Mozart / Alguém já notou aquela espécie de degradação melódica, algo como uma escala descendente, um intervalo pedindo o outro, lógico... (vezo de Mozart em muitas obras, ouça a  sinf. “Júpiter” e alguns “lieder”) : o que é, técnicamente? – se é que é...? Progressão harmônica? ( mi / mi bemol.>>>- lá / lá bemol  , ré / ré bemol>>>sol / bemol.)

NA SINFONIA 41, JÚPITER, NAS BARRAS:  4. mov., 03´38´´ / 46´´, com pequenas variações dependendo  da interpretação, veja como essas quatro notas se parecem muito com o “Acorde Tristão em retrogrado.  (NOTA DE 09-6-07: veja o fenômeno, mais acentuado ainda, na ária “Non più tuto auscultai”, do “Idomeneo”, !!! ).

 

EM BRAHMS, REPAREI O FENÔMENO NO QUARTETO COM PIANO OP. 25, no movimento andante com moto, onde a progressão se sucede por quatro ou cinco vezes, separadas por ínfimos espaços : use a interpretação do Quarteto Amadeus com Emil Gilels ao piano, e na seqüência: 4´ 34´´ / 38´´

                        4´ 46´´ / 48´´

                        5´ 24´´ / 28´´

                        5´ 32´´ / 38´´

........................... ( v. papeleta dentro do CD. (nota de 29-10-08, 1h44.)


 

- MPB -                 Conjuntos de pagode:

                                   - Só pra contrariar.

                                   - Katinguelê.

                                   - Raça Negra.

                                   - Negritude Júnior. 

                                   - Grupo Molejo.


 

- MPB - Elis: V. “Madalena”/ Ivan Lins ( qual gravação? gravou várias vezes...)( minha tese da desafinação/pesquisa de modulação e dissonância... afora a descrita para o Zé Miguel Wisnik, numm poema postal que lhe mandei, sobre desafinação no timbre, caso do Nelson Gonçalves )

 

 

- MPB - Willy (Corrêa de Oliveira) – v. seu paideuma, ao qual ele chamou, em janeiro de 2002, de “Espelho”, cuja cópia me presenteou em CD : achei a faixa do Sílvio Caldas um sprachgesang cantado (sic!...)


- Música        - Flat ( bemol )    sharp ( sustenido )

                               - Dur (maior)        moll (menor)

 

- Alturas        sucessão das         cf. SOL   SI  DÓ SUSTENIDO

  

- Música                    Conferir :

 

                                   Florent Schimitt.       no Claude Samuel

                                                                                  no Garzanti

                                   Nicolai Metner          no Claude Samuel

                                                                                  no Garzanti

                                   ( Ref. Metner, v. conc. p/ piano em dó menor, c/ Iara Bernette).

 

- Música                    Mozart           V.  M  MOZART.

                                                                                  

 

- Aquela espécie de degradação melódica, algo como uma escala descendente, um intervalo pedindo o outro, lógico... (vezo de Mozart em muitas obras, ouça a Júpiter e alguns “ l i eder”) : o que é, técnicamente – se é que é...? Progressão harmônica? ( mi / ré sust.>>>>>>>>      - lá / lá sust.

                                                        - ré / ré sust. >>>>>>>>  – sol / sol sust.) NA SINFONIA 41, JÚPITER, NA BARRA: ? – 4. mov., 03´38´´ / 46´´. COM ESSAS QUATRO NOTAS SE DPARECE MUITO COM O “ACORDE TRISTÃO” EM  RETRÓGRADO. (NOTA DE 09-6-07: veja o fenômeno, mais acentuado, na ária “Non più tuto auscultai”, do “Idomeneo”, !!! )

                                  

- Música para fundo de conversa:

                                               The maiden's prayer

                                               The romantic music of...(Jackie Gleason)

                                               Body and soul "Pair words

                                               The best pf Caiola (CD 5041 - Autor)

                                               A fitinha do Carmen Cavallaro/Alaôr.

 

- Música POP  - Cindy Lauper.

 

                                   - Onde Totonho Villeroy (Festivais) ? v. supra, Festivais.

 

                                   - “Sempre Ângela”, c/ Ângela Maria , de Moraes Moreira e Paulo Leminski (!!), anotação de 19-3-1985.

 

Música POP brasileira Quixadá, pena que a voz, inócua, sem cor, da Clara Nunes (Deus a tenha!...)desvie a natural atenção que seria dada à execução do Sivuca..., que você me mandou, mas tudo bem.   

    Se você pegar um DVD que se vende em bancas sobre o último show (Globo), ao vivo, do Gonzagão (pouquíssimo tempo antes dele morrer, onde aparece também seu des / afet (ad) o  filho Gonzaguinha ( não se bicaram durante toda a vida, deu um bruta complexo de culpa no Luiz Gonzaga...), o Dominguinho imberbe, Sivuca, Fagner (!), a Elba Ramalho, e quejandos, nesse DVD você vê por quê eu quase apanhava das rodinhas de musicólogos de botequim, quando berrava, bêbado mas conscientemente autoritário,  que os músicos mais exatos, perfeitos, inesbarráveis, divinatórios no rítmo, timbre, dinâmica, senso de improvisação matemática (é possível isto???!!! ) e de instrumentos que pareciam prolongamento de seus membros... eram: Glenn Gould e...SIVUCA.

    No mundo todo. Veja esse DVD!!!

    E os 3 BBB da Música Geral brasileira continum sendo, até, hoje, Ernesto Nazaré, Noel Rosa e Lamartine Babo. (Estou publicando algo sobre esse negócio de Villa-Lobos, argh!...) , aguarde.

    Abraços Menezes ; para os amigos, Blumenbosque Menezes.

 



Música POP brasileira  - Noel Rosa:

 

        Proféssor, você, com essa faixa, atirou na mosca, por "Só pode ser você", que fechava, nessa parte do disco (LP), o depoimento da Aracy.

    É, talvez, dentre as criações de nosso  maior gênio da Música ( não só popular, mas y compris a Erudita ) seu opus “metafísico”, usando a possível expressão do Carpeaux para a obra pinacular dos artistas.

    "Só pode ser você", tem, além de outras preciosidades  do conjunto,  uma emenda de frase que é uma raríssima ênclese frásica (desculpe o aparente preciosismo e pedantismo, mas é assim mesmo!) que demonstra o absoluto domínio da música em si, no aproveitamento da seqüência  melódica lógica, aquela requerida pela altura intervalar na natureza da nota em si, independente da letra (lyric): na passagem em que (fique atento!!!) é encaixada a palavra porque :

            (...” E pelas informações que eu recebi / já vi / que essa ilustre visita era você / PORQUE / >>>NÃO existe nesta vida/  etc. etc. etc” ,

Veja, Artur: com o PORQUE NÃO EXISTE, emendado ( precisa ouvir, precisa ouvir!), A MELODIA TOMA UM HALO E SE SALVA, DIGAMOS ASSIM.

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“Só pode ser você” também traz , como em dezenas e dezenas de passagens de Noel, um maravilhoso tropo de retórica :

(... “ porque pretendia / somente saber / qual era o dia / em que eu / deixaria de viver ” , muito mais sentido, resignado, já abdicando da vida, muito mais forte que “ qual era o dia / ...em que eu morreria, não  mais existiria” , etc. etc. etc.

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Veja se me cava o resto que pedi do disco (LP CD?!)  

 

A “Ave Maria no Morro” “do Eduardo Araújo”, décadas, décadas!...

Abri o download agora, 1h41, e tive de fazer muita força pra não descer, ir pra cozinha e sapecar uns dois ou cinco whiskies, tal a emoção de continuar achando, após trinta e tantos anos, esse hit como o maior insight artístico idioletal executado no Brasil. Ouça os melismas gozativos do intérprete, mas com caráter de prece chorosa, que despem um pouco a melodia de seu caráter romântico, e nostálgico, quase religioso mesmo.

2 - Você se lembra do transe em que eu entrava ao pôr isso na vitrola e logo em seguida o Carlos Gonzaga naquele 7 polegadas de “Suzana” (!!!.. tb) ?..., kitsche... como aquele anel no dedo de Joyce...

3 - Eduardo Araújo deu o mais belo e para mim pioneiro exemplo daquilo que, em Tropo de Retórica, se denomina ênfase semântica. Depois... foi fácil achar em Cauby, Tim Maia, Caetano, Tetê Espíndola.

            4 - Mas, blá-blá-blá de lado, ouçamos outra vez.

 

- Música POP brasileiraMeu Paideuma ( Paideuma Cris, i.e, da fita cassete que lhe mandei em 1989, Londres)>>>>>>>>>. VEJA AO FINAL DESTA LETRA.

 

- Música  POP, MARCANTE:- Alguns exemplos:        

 

Paralelas - Belchior.

                                                           Disparada - Vandré-Théo de Barros.

                                                           Admirável gado novo - Zé Ramalho.

                                                           Ponto de partida - Sérgio Ricardo.

                                                           Grito de alerta - Gonzaguinha.

                                                           Um homem também chora - Fagner.

                                                           Meu brinquedo, id.

 

 

- Música e Poesia:                        Flo, veja se, quando tiver um tempinho, me coloca em pratos limpos a seguinte sacada:

   " Tenho uma resposta a este dilema [ como superar os experimentos das vanguardas que já são passado ] sem necessariamente realizar um retorno à música clássico-romântica [ e que abre novas portas para a criação musical ].

Trata-se de uma reinvenção da harmonia que leva em conta a memória e a inteligibilidade da escuta. Há certas propriedades, antes não consideradas, às quais somos muito sensíveis. Especialmente a propriedade de, quando ouvimos certos acordes específicos, sermos capazes de entendermos estes acordes como unidades indivisíveis. Mas, quando paramos de tocá-los  e buscamos retê-los na memória, eles se fragmentam.  lsto é novo (...)"

        ************************************

    Se não for dificuldade laica de minha parte, está me parecendo com aquela minha proposta de poesia dodecafônica, de um poema meu de 1953, "CANTOX DE TUMENIUS E A POESIA DODECAFÔNICA" , engenhosa mas fantasiosa, interessante apenas e por aquela época como possibilidade teórica, uma esquemática falsidade na transposição dos gêneros (música >>>>>literatura),que eu havia pespegado do livro/plataforma do René Leibowitz sobre música dodecafônica. Aquilo tudo para desmilingüir a melodia, uma decupagem da sintaxe para, na cesura autoritária (diria arbitrária) dos versos, "confundir" o sentido, através de um espaçamento  desfigurativo, que era o dos intervalos das alturas ( no meu poema uma cesura desfigurativa que jogava pedaço da palavra para junção com outra. O meu ouvinte ficava atônito, escutando grego (sem trocadilho conceitual ! : há lá frases ilusoriamente gregas...), mas que era um didatismo do princípio de que uma nota só podia ser re-tocada (e, às, vezes retocada mesmo!) após o uso, nas frases musicais, das 12 alturas. Mas meu leitor, lendo e desprezando o som, pegava todo o sendido, a sintaxe se reaglutinava após o VERSO DE UMA SÍLABA    - VERSO DE DUAS SÍLABAS     - VERSO DE TRÊS SÍLABAS   [...] REDONDILHA MENOR (5) [...] -    REDONDILHA  MAIOR(7)  [...]-DECASSÍLABO- ENDECASSÍLABO - O DODECASSÍLABO  (o ALEXANDRINO) ...   ... (VOLTA PRA UM, DOIS ETC. ETC.).

            Gonçalves Dias já havia feito um´longo poema com estrofes de todas as estruturas de sílabas, muito engenhoso, compatível com o tema, vou localizar. Mas não "desfigurava" o sentido imediato do entendimento.

    Voltando ao meu caso, havia um humor anarquista ( gozado, acho que não há uma linha ou desenho, ou figura, ou que quer que seja que eu tenha feito, que não tenha esse senso de humor cético, quase uma declaração de princípio de que Arte é uma brincadeira...MAS TALVEZ OS GRANDES ARTISTAS MESMO, UM BEETHOVEN, UM RAVEL, UM HITCHCOCK TERIAM CUSPIDO NESTA MINHA AFIRMATIVA... DE IMPOTÊNCIA, TALVEZ...

 

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Bem, mas o que mais me intriga é a sacada lá de cima, de um músico que, coitado, não levo muito a sério, a não ser sua desatinada, quase tresloucada (aqui entre nós, hein?) necessidade de sentir-se justificado na existência só se puder plantar ou fazer algo no terreno da Música. Bem, Deus dá Vontade a todo ser humano, menos à tartaruga, que ainda tem de recolher a cabeça pra poder ver se sonha um pouco...

         Beijos do Papi. (22-12-06)   

   

- Músicos                 "Amadores", i.e., profissionais de outras áreas, notáveis, ou relevantes, no BR, que são bons músicos, ou reconhecidos como tais:

                                   - Roberto Cupidi ( grande assessor de altos investidores da bolsa).

                                   - Alexandre Machado.

                                   - Luciano............(designer)

                                   - Luiz Nassif.

                                   - Luiz Fernando Veríssimo.]

                                   - Jô Soares.

                                   - Fernando Sabino (baterista)

                                               ( todos tipo Woody Allen ).

 

 

- Músicos:    Filmes sobre a vida de:

                                               - de Schuman, Song of Love, fita 483.

                                               - de Clara Schumann: Sonata de Amor,fita 761.

 

 

- Músicos:                O GRANDE “TEAM”:       

                                  

                        Monteverdi  Bach

                        Mozart            Beethoven

                        Schubert        Chopin          Schumann   Brahms

                        Berlioz            Wolf               Grieg              Tchaikovsky

                        Wagner         Bruckner        Dvorak           Sibelius          (R. Strauss...)

                        Mahler           Débussy       Scriabine

                        Stravinsky   Schönberg  Berg               Webern

                        Stockhausen          Boulez            Cage              Berio              Xenaxis

                        Flo (RRISO: v. meus sinais/convenções/"anotações")             

                        Lívio (RRISO, ib. ib.)

                                              

 

- Ópera          de Donizetti, "Poliutto" / Polyeute / Corneille Conhecer

                                  

 

- Ópera-rock: criador: Peter Towshend / The Who.

 

 

- Orquestra do Centro Nacional das Artes do Canadá, regente Eduardo Matta.

 

- Paulinho da Viola:          - Samba-teatro, com primeiro, segundo e terceiro atos, um desfile de máximas datadas, a melodia na "marcação" teatral retrógrada, harmonia sem nenhuma riqueza de invenção. Por peripécias da Arte, e como nasceu e viveu no meio dos sambistas, possuindo um ótimo ouvido, seus dois clássicos, "Coisas do mundo, minha nega" e "Foi um rio que passou em minha vida”, até hoje não encontram superiores, na vertente Samba, da MPB. Pertencem ao período da "década biológica dos vinte anos", teoria sobre o artista e suas criações que abordo no "Livro", cf. Word. ( março de 2004 )... ( Procure logo na gav. Introdução) Nota de 28-12-04: Às vezes cai num lugar comum inacreditável, até esdrúxulo, como num estribilho (ouvi no carro um dia desses):   “(...) dinheiro na mão é vendaval,

                                                                                            dinheiro na mão é solução,
                                                                                            e solidão."

                                                                                   

                                   [ ??? NÃO “ENCADEIA” NENHUM SENTIDO!!!]  

NOTA DE 04-12-06: RETIFICO (TOTALMENTE?) ESTA ÚLTIMA SACADA: TUDO PODE FAZER SENTIDO, SIM: VENDAVAL (DINHEIRO PASSA VOANDO PELAS MÃOS, SOLUCIONA O PROBLEMA E ACABA (ÀS VEZES...) DEIXANDO O CARA NA MAIOR DESCOMPANHIA...

 

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@ - Phila ao piano / com Chopin.
 

            A presente gravação representa um take, em minha residência, de meus filhos, Flo e Phila, este ao piano interpretando o Estudo op. 25 n.1, em lá bemol maior, de Chopin.

            Era o começo da década de oitenta e primórdios da educação artística de ambos, que já vinha com projetos da década anterior, apesar de suas tenras idades.

            Embora Philadelpho seguisse por outros caminhos, cortados por sua morte trágica e prematura, tinha o mesmo encanto pela Música, e, naquelas alturas, tocava piano no mesmo nível do Bebê, como então era chamado Flo Menezes, hoje reconhecidamente um dos grandes nomes do cartel mundial no campo da Música Eletroacústica.

            Tal empenho artístico, independentemente das diferentes ambições pessoais de cada um, era cada vez mais intenso devido à constância de minhas diuturnas audições, freqüentemente regadas a álcool, muito muito whisky na cachola e muitos amigos, na imensa maioria já idos desta para a pior. Era eu um fanático por Música, tendo-a como segundo código (o primeiro era e continua sendo a Literatura), abrindo para os noviços, p.ex., Lina Chamie, filha do poeta Mário Chamie e hoje cineasta de idioletos muito peculiares, (levei-lhe um disco de Mahler, na época de difícil garimpagem até nos catálogos mensais da novaiorquina Schwann) revelações então já incorporadas em meu acervo. Lina almejava, na puberdade, coroar-se instrumentista  na Julliard School, de N.Y. ( cidade de onde voltou exímia clarinetista, até adotar o Cinema como seu campo de criação). Também Lívio Tragtenberg, importantíssimo criador da música-clown, improvisador coletivo, grande trilhista e que, em recente programa de Arrigo Barnabé, na Cultura FM, repetida e generosamente mencionou-me como o seu revelador de gênios musicais da contemporaneidade e que vieram a ser abordados por ele bem posteriormente, Cage, Stockhausen, Xenaxis, Berio, Ives, Ligetti. Diz ele no programa que os conheceu em minha casa.

            Como um bom ouvinte poderá perceber, o andamento a princípio adotado por Phila no Estudo não estava condizente com o espírito da partitura, com uma marcação levemente insidiosa, a despeito do sentimento de sua concepção, levando-me  a pedagogizar, através do assobio e das observações, aparentemente laicas, a interpretação de meu filho.

            O resultado foi excepcional.

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            Era evidente o espírito de improvisação, desprendimento e alegria na  irresponsabilidade  de toda hora, reinante em minha casa, como, no caso, o Bebê (Flo Menezes) pondo em dúvida meu  conhecimento musical, recitando, na boca do gravador, poemas  barrocos, com espírito de confusão e desmoralização sarrista da pedagogia paterna...Consulte a gravação.

            E deu no que deu! O take termina com outra interpretação, de fundo ( onde não acontecia nada no ambiente, conversa, ou outra coisa) ainda do Phila(delpho Menezes), pensada e fina. E com que idade! E com que outros projetos, saibíamos(sic) lá!...

 

 

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@ -‘’ Plágio?       Dê uma adiantada até mais ou menos o n. 4680 (nos vídeos que marcam por sistema de odômetro) , ou (nos que marcam por tempo), até, mais ou menos, 1h26. Ou no III LD do That´s Entertainment”, faixa 24 : JUDY GARLAND canta e dança "Monotony", da peça EASTER PARADE, do Irvin Berlin. O narrador fala que o compositor usa de pouquíssimas palavras/notas ("a few notes”), e denominou a canção "Mr. Mono...tony  ( = mono  tone, uma só nota!).  É o   "SAMBA DE UMA NOTA SÓ" , do Tom Jobim. Apenas, a "resolução" de cada encadeamento é modificada por Jobim. Mas, nos compassos (barras) em que o tema é enunciado, a semelhança é literal. Nem é semelhança, é identidade. Confira tb. os primeiros  minutos dos “Choros n. 6”, de Villa-Lobos,  que tb. deve ter ouvido o Irvin Berlin. - (Fita 1608; Mr. Monotony, Irving Berlin: [Instrução: ao passar, na TV a Fita VHS n. 1608, do arquivo Dbase, no ponto que “inspirou (...) Tom Jobim,  filmar, do monitor, com a SONY TC – 9. e transportá-la para um LINK, aqui, nesta gaveta.)

 

- “Plágio” ( analogias)       - Sinf. do César Grank / When somebody love...(Sinatra).

                                               - Os guarda-chuvas do amor, filme / "........../ ......../ Uma saudade louca em seu lugar!"...(Miltinho) – Quem antes?

 

- Quem é mesmo ARACELY CHACON? Cf.

 

- Rhaíssa Bittar ( prog. JÔ) / – CD ( DVD? )  . Achei no You Tube em 09-7-12 e coloquei em Favoritos / A canção de abertura do programa é (é?... melodia parecida, andamentos, cf.!) calcada nas improvisações que o garçom (Charlie Chaplin) improvisa ao perder, do braço, a “cola” da canção, no célebre filme TEMPOS MODERNOS  [ Também se veja : Para Blog Col(i)gado, parte do Limelight.]

 

- Recital canto e piano, casa do Flo, 27-1-98, 3a.:

                                               Marta Laurito, soprano

                                               Estevão Laurito, barítono

                                               Flo Menezes, piano

                                               André Nehmari, piano.

                                   (Schubert, Schumann, Mahler, Puccini e Gershwin). O baritono vai longe, 21 anos, afinação "natural", timbre lindo, extensão lisa, macia, e não balança! Os números todos foram selecionadíssimos, mas o estupendo, superlativo, emocionante, carregado "Du bist die Ruh", de Schubert, mesmo mal cantado -- o que absolutamente não foi o caso! --  é um milagre que apaga tudo o mais.

 

- Regente Flávio Florence, inteligente!, ouvi na rádio Cult-FM,  da Orquestra Sinfônica de Santo André, 90 figurantes!, 10 anos de existência.

 

- Rumorarmônio (v. abaixo)

 

- Russolophon: Intonarumori>>>arco enarmônico / rumorarmônio. V. - Russollo, Luigi.

 

- Russollo, Luigi:   ( Intonarumori>>>arco enarmônico >>> rumorarmônio ( russolophon). - v. Paulo Ramos Machado.

                                                          

 

- Sambão, conjuntos de -  s/.: Negritude Jr., Katinguelê, Raça Negra e um outro, cujo nome não me ocorre: "- Todos pra lavoura!", frase-símbolo de Stálin. Mas de lá eles podem cantar de vez em quando para os demais trabalhadores rurais. [RRISO].

 

- Schöenberg:         Op. 19, n. 6.

                                   Op. 26, n. 1.- Valsa op. 40, n. 8, de Tchaikovsky, com Isabel Mourão ! (1985)

 

- Schöenberg, de e sobre :

 

                                                               Bach:

                                                                              1 - O pensamento contrapontístico, isto é, a arte de inventar figuras sonoras capazes de acompanhar-se a si próprias.

                                                                              2 - A arte de fazer tudo derivar de uma só unidade, e a maneira de encadear as figuras entre si.

                                                                              3 - A emancipação com relação aos tempos do compasso.

 

                                                               Mozart:

                                                                              1 - a desigualdade do comprimento das frases.

                                                                              2 - O agrupamento de caracteres heterogêneos numa só [ única ] entidade temática.

                                                                              3 - O desvio em relação ao número par do tema [ das medidas, i.e. dos compassos do tema }  e seus componentes.

                                                                              4 - A arte de formação de idéias secundárias.

                                                                              5 - A arte de introduzir e transitar.

 

 

                                                               Beethoven:

                                                                              1 - A arte de desenvolvimento dos temas e dos movimentos.            

                                                                              2 - A arte da variação e da diferenciação.

                                                                              3 - A diversidade na construção de movimentos de grande fôlego.

                                                                              4 - A arte de prolongar [ alongar ]  sem hesitação, mas também encurtar brutalmente, segundo as "necessidades em causa".

                                                                              5 - Ritmicamente: o deslocamento das figuras sobre outros tempos do compasso.

 

                                                               Wagner:

                                                                              1 - O uso que se pode fazer dos temas segundo sua expressão, como também a concepção correta destes temas tendo em vista este [ esse ]  uso.

                                                                              2 - O parentesco entre os sons e os acordes.

                                                                              3 - A possibilidade de conceber temas e motivos enquanto entidades autônomas, o que permite sua superpopsição dissonante em relação a certas harmonias.

 

 

                                                               Brahms:

                                                                              1 - Muito disso que eu já havia aprendido inconscientemente em Mozart, sobretudo a irregularidade do número de compassos, extensão e condensação das frases.

                                                                              2 - A plasticidade das formações: não economizar, não regatear quando a clareza exige mais espaço; levar cada figura às últimas conseqüências.

                                                                              3 - A concepção sistemática do aspecto global de um movimento.

                                                                              4 - Economia, e no entanto [ e, portanto, ]  riqueza.

                               ( Tradução de Hélio Ziskind, "Schoenberg", de René Leibowitz, Ed. Perspectiva, 1981. Tenho tb. o original, Ed. "Solfèges", 1969. O ENTRE COLCHETES É MEU.)
 

*****

- Sinhô & cunilíngua : v. a dubiedade da alusão à bucrivagin (cunilíngua, na década) do famoso e praticamente inaugural samba de Sinhô, “Jura”, na versão de alguns cantores ( acho que na de Mário Reis há referida alusão...):
 

Daí então dar-te eu irei

O beijo puro da catedral do amor

Dos sonhos meus

Bem junto aos teus

Para fugirmos das aflições da dor

 

;.;.;.;.;.;.;.;.;

 

[ Na qual  O beijo puro da catedral do amor ( maioria das interpretações, temerosas... )

é cantado (...) O beijo puro na catedral do amor ]

 

    Assim gravada originalmente em 1928 na Odeon por Mário Reis, acompanhado pela Orquestra Pan American, e lançada em discos 78 rpm, é patente a alusão à bucrivagin.   


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- Sonata para violino e piano ou Sonata para piano e violino?:
   

[ Em carta dirigida a GILBERTO TINETTI em 16-01-2003 ]

Gilberto:

            Quando um pianista consegue transformar uma sonata para violino & piano em sonata para piano & violino, não pratica uma maldade, mas exerce a estratégia do filho pródigo da parábola bíblica, que, no fundo, vai beneficiar o ato, e não quem o pratica, ou quem o põe à prova.

            Veja, Gilberto, se entende esta elocubração... na qual o compositor não está nem aí...

            Nesse caso, se a ênfase que avulta do piano ( e que parece oferecer as deixas para as entradas do violino ) , desvia o foco das importâncias, instala-se algo como uma humildade contraditória, que não é falsa-modéstia do pianista..

E a tendência irreprimível do piano a se agigantar acaba vingando a generosidade (complacência?) da súcuba posição do instrumento, posição essa histórica (clássica!), própria do gênero.       

            A atmosfera fica no plano dos evanescentes “concerto a duo”, ou dos “duo concertante”, e a gente sente que se opera o milagre  das presenças no mesmo “range”, apesar das iniciativas temáticas, que historicamente classificam o dueto (gênero) como sonata para violino e piano...

            Óbvio que ocorre também com as sonatas para cello & piano.

            Mas iniciativa temática é apanágio de músicos mesmo (partiturais), muitas vezes não apreendida por músicos de paixão ( isto é, amadores, veja que a etimologia os justifica), mesmo que tenham bom ouvido e larga experiência.

Conheço, assim de plano, três pianistas que, milagrosamente, ( é a dinâmica? a malandragem das appoggiaturas?, o descompasso milimétrico? o que é? o que é?! ) transformam as execuções, para mim, em quase divertissements , quando ouço, com eles, sonatas para xis e piano, ou vários lieder , que mais parecem sonatas para piano e xis, e peças para piano e voce obbligata : um deles é você – é voz corrente, esse atributo seu, você sabe disso. Outra foi Hephzibah Menuhin, nas sonatas de Beethoven com seu irmão Yehudi, e,  “recentemente”, o para mim excepcional Robert McDonald, ao "acompanhar" a violinista Midori no Carnegie Hall em 1990.

            Tomei a liberdade de fazer uma cópia em VHS do Video Laser que tenho daquele evento, pois não sei se você, embora conhecendo-o, o tem em seus arquivos. SEGUE COM A DEVOLUÇÃO DO ÁLBUM DUPLO ( LPs) DO LUÍS THOMASZECK, comigo há mais de um mês.

            Fico-lhe mais uma fez devedor de sua costumeira gentileza, com a velha amizade e profunda estima.

                                                (florivaldo)

SP, 16-01-2003.

ESTA PASSAGEM FAZ PARTE DA “GAVETA” IP-MÚSICA, DE MEU WORD (PC), DENOMINADA “MICRO HISTÓRIA DA MÚSICA AO PÉ-DO-OUVIDO”, DO LIVRO EM ELABORAÇÃO “IMPROPRIEDADE PRIVADA”.       ( Florivaldo Menezes ).

 

- Sonora, Poesia     Um dado: pegar progr. poes. son. PUC e comentar :

                                                           Traven, no meio do 3o. núm. do holandês

                                                           Lamento fúnebre de lá é uma ária sem música

                                                           Sonata primordial  ( i.e., Ursonate, de Kurt Schwitters ) (tons sem entonação, ou entonação sem tom) ( "altura", i.e., intervalo entre os tons). PEGAR CÓPIA DA GRAVAÇÃO INTEGRAL COM O PHILA - cassete.

 

 

- Técnicos, alguns aspectos:

                                               Terças: Chopin, est. op. 25, 6.

                                               Chopin, est. op. 10, 2.

                                               Bach, CBT, 1. vol. n. 7, mi b.

 

- Valsa op. 40, n. 8, de Tchaikovsky, com Isabel Mourão ! (1985)

 

 

- Voz              caracteríticas          GIGLI Sua voz -- e a de Placido Domingo hoje em dia -- tem a característica de destacar, a cada nova frequência (frase/"alturas"), o ataque. (Gigli : defeitos: arroubos e soluços)

                                                           CALLAS : ( in Word / F- Fitinhas / Fitinha 14, lado A, tacômetro in 170/183:        Digo, ouvindo Callas, que ela canta como se tivesse uma batata doce [ quente ] na boca. Que balança pra burro. Timbre horroroso. Ficou famosa pq. Era famosa porque estabeleceu  um approach na base da beleza, do charme pessoal, era temperamental, bela, sestreira... A vida pessoal tb. Ajudava muito, amava os ricos, tinha uma boca larga, a boca larga aparece muito em sociedade, aquela boca tipo Cláudia Matarazzo, tipo Mendes Caldeira, a socialite. Juntou-se ao Onassis... aí então a coisa melhorou pro lado da mídia... mas era uma cantora medíocre>>>>>>>>>[ NOTA DE 1999: NOSSA, COMO REVEJO ISSO AGORA!!! ]

 

                         

- Voz              Vogal – Formante etc.: Formante, isto é, uma região de ressonância privilegiando um espectro, quer dizer, uma região mais forte. Todo som ( de “altura” definida) tem um formanteNo caso da vogais, as     têm um papel mais importante porque elas são  únicos elementos .

 

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- História DA MÚSICA       - MICRO HISTÓRIA DA MÚSICA AO PÉ DO OUVIDO”, aportes para  a (minha). :

 

 

- Bartok é um grande artista menor.

 

- Brahms é um pequeno artista maior.

>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>Nota que escrevi na antepágina de rosto do livro  “Johannes Brahms” - de Claude Rostand, préface de Brigitte et Jean Massin, ed. Fayard :  "Eu diria de Brahms que é um criador, enorme!, viciado, com muito vício na linguagem: sendo um autor da época típica do melodismo, não lubrifica, e depois limpa, naturalmente, a melodia, devido, talvez, ao uso, por exemplo, da constante nota-pedal na expansão cromática. Ouvindo Brahms no carro, às 14h30 de 18-1-92. F.Menezes".

 

 Nota que escrevi na antepágina de rosto do livro  “Johannes Brahms” - de Claude Rostand, préface de Brigitte et Jean Massin, ed. Fayard :  "Eu diria de Brahms que é um criador, enorme!, viciado, com muito vício na linguagem : sendo um autor da época típica do melodismo, não lubrifica e depois limpa, naturalmente, a melodia, devido, por exemplo , ao uso da constante (variável) nota-pedal na expansão cromática.” (Ouvindo Brahms no carro, às 14h30 de 18-1-92. F.Menezes)

 

[ OU:  “...devido, por exemplo , ao uso da constante (variável) nota-pedal na expansão harmônica.” ]

 

[ OU: “...devido, por exemplo, ao uso insidioso da nota-pedal na expansão cromática.” ]

[ OU: “...devido, por exemplo, ao uso insidioso da nota-pedal na expansão harmônica” ]

[ v. como o leitor interpreta uma e outra versões ]

                       

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- Brahms é um pequeno artista maior.

 

Nota que escrevi na antepágina de rosto do livro  “Johannes Brahms” - de Claude Rostand, préface de Brigitte et Jean Massin, ed. Fayard :  "Eu diria de Brahms que é um criador, enorme!, viciado, com muito vício de linguagem como os idioletos de alcoólatra : sendo um autor da época típica do melodismo, não lubrifica e, depois, limpa naturalmente a melodia, devido, por exemplo , ao uso da constante  nota-pedal na expansão cromática.” (Ouvindo Brahms no carro, às 14h30 de 18-1-92. Florivaldo Menezes).

 

 [ OU:  “...devido, por exemplo , ao uso da constante (variável) nota-pedal na expansão harmônica.” ]

 

[ OU: “...devido, por exemplo, ao uso insidioso da nota-pedal na expansão cromática.” ]

[ OU: “...devido, por exemplo, ao uso insidioso da nota-pedal na expansão harmônica” ]

[ v. como o leitor interpreta uma e outra versões ]                                 

                                                           ****

 

Brahms já chega chorando, sem começo, meio e fim, já chega lacrimoso e chorando, chorando mesmo!...Faz parte, junto com Chico Buarque de Holanda, outro grande gênio, da troupe-top dos gênios chatos da Música... Milton Nascimento, se tivesse mais talento, estaria junto com eles...

                                                           ****

Dentre seus raros “filhos”, DVORAK  é o mais alegre, o mais aberto, mais “completo”, o que sai no cisco, adoidado, aquele pintinho que procura em todo os cantos, aquele que preocupa o olhar da galinha (Brahms), que, junto à filharada, é bem circunspecta... reparem! Manos, desculpem-me, mas parece que me deu uma danada de uma  mariondradite aguda!

                                                           ****

 

(ESTAS PASSAGENS FAZEM PARTE DA “GAVETA” IP-MÚSICA, DE MEU WORD (PC), DENOMINADA “MICRO HISTÓRIA DA MÚSICA AO PÉ-DO-OUVIDO”, DO LIVRO EM ELABORAÇÃO “IMPROPRIEDADE PRIVADA”.       ( Florivaldo Menezes )

 

                                                                              ****

- Liszt:           - É um profundo erro pensar que Liszt só teve uma utilidade: a de revelar técnicas e virtuosismos de pianistas.
 

- Mahler é o Tchaikovsky sem melodia no sentido popular desta.
 

- Mendelssohn , o Parnasiano ,  contaminou (sic) os belle-letres ( v. Pound) da Música. Beleza e perfeição formal de Bilac com a profundidade de invenções temáticas de Raimundo Corrêa.
 

- Nancarrow, Conlon,  tirante o artifício genial da aceleração do sentido filosófico de Virilio, através da pianola,  é o Leonardo Bernstein sem melodia.

 

- Os "obstinados" de Bruckner, por sua vez,  nos allegros ou prestos, já antecipam a música minimalista.(*)

                        - Esse vezo de Brucker já está incrivelmente antecipado na abertura de "A Clemência de Tito", de Mozart.

                        ETC. ETC.

                        Acredito que, todo mundo se soltando,  "dona Carmen", como espanholmente chamo a gentil e ilustrada  anfitriã, e seu marido, nosso querido, culto e lúdico Quixadá, poderão contar, para todos nós, com um repositório de autênticas, sinceras e, por que não dizer, até preciosas contribuições para a escuta da Música.

 

(*)- Uma vez, na déc. de 70, desci a escada quase me arrebentando, para salvar uma agulha caríssima de minha cápsula Empire ( toca-disco ELAC, alemão, semi-profissional) porque algum defeito no disco da sétima sinfonia de Bruckner, que eu tinha colocado e dado uma subida para pegar algo, fazia o braço subir e voltar no mesmo ponto, ou o conhecido tropeço da agulha. Quando cheguei em baixo, na quinta ou sexta repetição (tropeço) , verifiquei que era um “obstinado” de Bruckner, que eu não conhecia bem na época. (Nota bem posterior, de 23-11-04: parece que esse recurso, antecipatório da música minimalista ( forçando poeticamente a barra...), foi usado antes pela Primeira Sinfonia de Dvorak, logo no começo. Precisa ver se não é um tipo de sistema de Introdução, ou Abertura, coisa de época...) sinfornia que ouvi hoje, 23-11-04, no programa matinal do Júlio Medaglia.

 

 

- Plágio”/ Plagio?     - V. LDs ‘’That’s Hollywood’’, in That´s Entertainment : Judy Garland cantando Mr. Mono-Tony ( monotom = daí saiu o “Samba de uma nota só”, do Tom Jobim ) : está lá!, na revista musical “Easter Parade”, de Irvin Berlin. TRANSMITI CERTA VEZ POR ESCRITO PARA O JOSÉ RAMOS  TINHORÃO, acompanhado somente da passagem em áudio, que lhe fiz. Bem mais tarde, não sei precisar o tempo, em entrevista ao Amaury Jr, o grande crítico e historiador reportou-se ao fato, não ficando claro se já sabia do plágio por ocasião de minha “descoberta”, talvez já de ciência de outros musicólogos, como ele.>>>>>>>>Confira tb. os primeiros  minutos dos “Choros n. 6”, de Villa-Lobos,  que igualmente deve ter ouvido o Irvin Berlin...

Bilhete ao Tinhorão:

 

-‘’ Plágio” ?  Dê uma adiantada até mais ou menos o n. 4680 (nos vídeo-players que marcam o tempo por sistema de odômetro, nos VHS) , ou (nos que marcam por tempo), até, mais ou menos, 1h26. Então JUDY GARLAND canta e dança "Monotony", da peça EASTER PARADE, do Irving Berlin. O narrador fala expressamente que o compositor usa de pouquíssimas palavras ( / notas, "notes" ), dando assim à canção o nome de "Mr. Mono...tony’’  ( = mono tone, uma só nota!).  VEIO A SER  "SAMBA DE UMA NOTA SÓ"  do Tom Jobim. Apenas, a "resolução" de cada encadeamento é modificada por Jobim. Mas, nos compassos (barras) em que o tema é enunciado, a semelhança é literal. Nem é semelhança, é identidade.’’

 

                        .

- Mahler, 5ª sinf.: veja a mesma célula melódica dos dois primeiros compassos da obra:já está na  abertura da ‘’ Introduzione ‘’ da Sonata em lá menor de Paganini,  in ‘’Duos para Violino e Violão’’ , arr. De Dániel Benkö, Cd HUGARATON 7699-6.

 

- Rashomon:        - in 0h34´22´´ qual a música?

                                   - in 0h41´ mais um "bolero de ravel" (estilização; como se chama? ( v. tb. Roma de Fellini outro "bolero de ravel", cf. em Word - IP-Música, ou Word- IP- Avulso, ou em Write - M- Música, ou C- Cinema).
 

- Rota ( Nino, falando em ), principalmente o dos modos de melodias dos temas do filme “Casanova” , de Fellini, note a filiação aos mesmos temas ( e gestos melódicos!) de certas passagens do “Carmina Burana”, de Carl Orff ( a partir do segundo terço ).


- Schubert: estilo de quem sai da festa triste. Ainda bem que tem sempre Mendelssohn na porta, esperando-o.
 

- Scriabin: os que não têm talento para o tonal (melodia) : no começo fazem pastiche inconsciente de algo/modelo. No caso dele: O concerto de Varsóvia+Rachmaninoff (v. conc. p/ piano do Scriábine. ( PARA MINHA MICRO HIST. DA MÚSICA. Tb. o problema da "direção" (sentido,  direcionamento , que determina a seqüência "esperada", Mozart, Haydn, principalmente Beethoven).                                                          

- Stravinsky, Conversa sobre. / um take em casa, déc. 90,  com Heloísa Bauab, teórica de Estética e Artes Cênicas, Regina Johas (Reg) , artista plástica e prof. universitária, Elza, Bebê (Flo Menezes) filmando, tudo ao som da sagrada leitura de Leibowitz da “Sagração” de Stravinsky.

 

- Trans-formas / transmelodias :

 

-         V. a questão da forma determinar um conteúdo e interagir com outro conteúdo já “fomatado” : a fitinha do Paulo que encaixa outras  melodias no corpo da forma de certos concertos e peças anteriores. VEJA TB. O FILME “ROMA” DE FELLINI, LÁ PELA 1 HORA  DE FILME, O “BOLERO” DE RAVEL  COM OUTRA MELODIA !>>>>>Trans-formas / transmelodias. V. Série 2 de Trans-formas / transmelodias, tb. do Paulo R, Machado, noutra vertente, ligada mais à melodia, que ao recipiente da melodia. (Cd meio “estragado”, i. e., com bastante ruído, distorções etc.) (Nota de 03-12-04)

-          

**********

 

@ - Villa-Lobos. > que Mea culpa  [ V. Mea culpa, abaixo, neste verbete.]

Referência preliminar, despatriótica: - Claude Samuel: Villa-Lobos, in Panorama  da Música Contemporânea”>>>>>>>>>POR ENQUANTO É O DEFINITIVO.
 

 O presente verbete está isomórfico com sua música, ou quando passa a explorar frases,
por isso as repetições marotas a seguir, onde o mínimo, o quase-nada, muda. Devem ser lidas como se ouvíssimos seus cacoetes.

- Villa-Lobos: ficou a vida toda dedilhando qualquer instrumento – às vezes até os dedos nus sobre o feltro dos bilhares – num processo de escrita automática de nota-puxa-nota, sem meditar, um minuto sequer, sobre estrutura, organização externa e, principalmente, direção ( direcionalidade ), aquele sentido que faz você perceber que uma obra de Mozart, Chopin, Mendelssohn e Beethoven – nessa ordem, a evidência desse fenômeno! – está “acabando”, embora continue logicamente por muito mais tempo! E, por amarrar-se nas ressonâncias da “popularidade da escrita  agradável” – não obstante com sinais da limalha sobre as dissonâncias modernas – sua obra se envolve num surrealismo de integração de Nações que, por acaso, atinge a beleza.(05-7-00).

-  Villa-Lobos: ficou a vida toda dedilhando qualquer instrumento – às vezes até os dedos nus sobre o feltro dos bilhares – num processo de escrita automática de nota-puxa-nota, sem meditar, um minuto sequer, sobre estrutura, organização externa e, principalmente, direção ( direcionalidade, que, de certo modo, determina a seqüência “esperada”... ), aquele sentido que faz você perceber que uma obra de Mozart, Chopin, Mendelssohn e Beethoven – nessa ordem, a evidência crescente desse fenômeno! – está “acabando”, embora continue logicamente por muito mais tempo! E, por amarrar-se nas ressonâncias da “popularidade da escrita  agradável” – não obstante com sinais de limalha sobre as dissonâncias modernas – sua obra se envolve num surrealismo de integração de Nações que atinge a beleza por acaso. Mas como compunha até durante as trepadas, não é difícil garimpar genialidades por todo o tempo.[ Versão modificada em 30-12-2000].

 -         Villa-Lobos: ficou a vida toda dedilhando qualquer instrumento – às vezes até os dedos nus sobre o feltro dos bilhares – num processo de escrita automática de nota-puxa-nota, sem meditar, um minuto sequer, sobre estrutura, organização externa e, principalmente, direção ( direcionalidade, que, de certo modo, determina a seqüência “esperada”... ), aquele sentido que faz você perceber que uma obra de Mozart, Chopin, Mendelssohn e Beethoven – esse fenômeno você nota nessa ordem crescente de evidência – está “acabando”, embora continue, logicamente, por muito mais tempo! E, por amarrar-se nas ressonâncias da “popularidade da escrita  agradável” – mas com sinais de limalha e buril sobre as dissonâncias modernas – sua obra se envolve num surrealismo de integração de Nações que atinge a beleza por acaso. Mas como compunha até durante as trepadas, não é difícil garimpar genialidades por todo o tempo.[ Versão modificada em 01-11-01].

             ***

-         Villa-Lobos: ficou a vida toda dedilhando qualquer instrumento – às vezes até os dedos nus sobre o feltro dos bilhares – num processo de escrita automática de nota-puxa-nota, sem meditar, um minuto sequer, sobre estrutura, organização externa e, principalmente, direção ( direcionalidade, que, de certo modo, determina a seqüência “esperada”... ), aquele sentido que faz você perceber que uma obra de Mozart, Chopin, Mendelssohn e Beethoven está “acabando”, embora continue, logicamente, por muito mais tempo! – esse fenômeno você nota nessa ordem crescente de evidência nesses autores. E, por amarrar-se nas ressonâncias da “popularidade da escrita  agradável”, com  com sinais de limalha e buril sobre as dissonâncias modernas, cujo limite era a única coisa que ele respeitava, sua obra se envolve num surrealismo de integração de Nações que atinge a beleza por acaso, embora com muita freqüência, como na maioria das Bachianas. Mas, como compunha até durante as trepadas, não é difícil garimpar genialidades insidiosas...( por ex., as obras para piano do início do século XX.[ Versão modificada em 01-02-03].

 

-         Villa-Lobos: ficou a vida toda dedilhando qualquer instrumento – às vezes até os dedos nus sobre o feltro dos bilhares – num processo de escrita automática de nota-puxa-nota, sem meditar, um minuto sequer, sobre estrutura, organização externa e, principalmente, direção ( direcionalidade, que, de certo modo, determina a seqüência “esperada”... ), aquele sentido que faz você perceber que uma obra de Mozart, Chopin, Mendelssohn e Beethoven está “acabando”, embora continue, logicamente, por muito mais tempo! – esse fenômeno você nota nessa ordem crescente de evidência nesses autores. E, por amarrar-se nas ressonâncias da “popularidade da escrita  agradável”, com  sinais de limalha e buril sobre as dissonâncias modernas, cujo limite era a única coisa que ele respeitava, sua obra se envolve num surrealismo de integração de Nações que atinge a beleza por acaso, embora com muita freqüência, como na maioria das Bachianas. Mas, como compunha até durante as trepadas, não é difícil garimpar genialidades insidiosas...( por ex., as obras para piano do início do século XX.[ Versão modificada em 01-02-03].

 

"Excerto de um e-mail mandado a um grande maestro de São Paulo, no mês de setembro de 2008:

         “Meu approach em Villa-Lobos está na gaveta Música de meu site, e, aqui entre nós, maestro X, finco pé em que ele era um imoral ao apostar na ignorância dos próximos, debochando da Humanidade ao impingir-lhe tanta inconseqüencia, principalmente técnica, com milhares de obras sem direção, sem o menor sentido de direcionalidade, explorando repetições de cansativas frases ao léu e obstinadamente, achando que, variando os timbres e escalando em série os naipes, estaria criando algo de belo. É horrível, mas como ele era um gênio-burro (ao contrário do burro-gênio de um guia perenal da História Política do Brasil), perpetuou algumas obras-primas de sonoridade agradável...aquelas pecinhas de piano para crianças ( alguns títulos melhores que algumas próprias peças). E alguns Choros...

       Que, nestes, chupasse do folclore, tudo bem e até positivo, salutar, patriótico, de recenseamento, este contributo sempre solícito e gratuito de Villa-Lobos e que muito agradava – somente agradava, Getúlio Vargas. Mas a incorporação (no sentido espírita!) de Irving Berlin nos Choros n. 6, com a melodia estruturada na alocação rítmica em blocos (uma naturalidade e invenção da Broadway, melodias visualizáveis, absolutamente inconfundíveis), não mais credito a seus atos de cara de pau, como apressadamente definia, mas uma consequência de sua incontrolável pletora, uma mediúnica inspiração,  seiva e plasma, e o que mais que transitasse nesse gigante, que incluia a assimilação e disfarce natural, orgânico, das influências... [ Seria recomendável uma repassada na inexcedível  consagração que lhe dedicou Otto Maria Carpeaux, na UMA NOVA HISTÓRIA DA MÚSICA, onde reside o definitivo sobre Villa-Lobos, juntamente com grande parte do juízo de Claude Samuel, op. cit. [Penso que Carpeaux disse também a última palavra sobre a Música em Geral, constituindo, com a Pequena História da Música, de Mário de Andrade e a originalíssima, singularíssima  Miniatura da História da Música,!, de Guilherme Figueiredo, o tripê mais criativo da História da Música ocidental em nossa terra.

         Ele cagou regra mesmo, num país desregrado!!!

        O Claude Samuel, lá na França, em seu livro “Panorama da Arte Musical Contemporânea”, já fechou o definitivo sobre esse garanhão da Música.      

 

        Como tudo acima são assertivas e achados  próprios, sem pinçadas em livro ou avulso, rogo ao ilustre maestro esclarecer, se porventura ponderar, citar ou comentar, que não têm absolutamente nada a ver com posições de meu filho compositor Flo Menezes, que com elas divirjam ou coincidam." 

***

Adendos: sobre aqueles atributos acima, de direção absoluta e sentido de direcionalidade, naturalidades do verdadeiro gênio: Um exemplo em Mozart: sinf. n. 39 ( e, digamos, a 41) ; a abertura da “Nozze di Figaro”. Em Chopin: Noturno op. 48, n.1. Em Mendelssohn, no Octeto. Em Beethoven, Sonata p/ piano op. 31, n.3). 

***

-  Flo Menezes, comigo: - mas, pai, Villa-Lobos tem um estilo, no mais alto sentido!... Eu: – Araponga também tem estilo, e bem mais alto.

 

Um mea culpa de meus julgamentos, no geral, sobre Villa-Lobos: a recente gravação integral (3 CDs) dos Choros, pela Osesp sob a batuta de John Neschling, sábia mais que qualquer característica, como o exuberante domínio do espírito da coisa, está levando-me a um verdadeiro revisionismo ( sic). ESTE SITE É, COMO AFIRMADO DESDE A GAVETA “INTRODUÇÃO”, UM TRABALHO “IN PROGRESS”, E O QUE PODE PERDER DE PRESUMÍVEL BRILHO NOS INÍCIOS DE ABORDAGENS COM FEIÇÃO OU PRETENSÃO DE INSIGHTS, ( A ESPERANÇA INFANTIL DO GOL DE PLACA NOS JULGAMENTOS, LOGO NO PRIMEIRO MINUTO DA PARTIDA ) GANHA NA EXPERIÊNCIA E NA HUMILDADE DAS REVISÕES... Também está contribuindo para tanto a invocação, por parte da credenciada crítica do Brasil sobre Villa-Lobos ( p.ex., João Marcos Coelho) às recentes, consagradas e  supostamente “sagradas” abordagens de um portentoso crítico-cabeça como  Willy Corrêa de Oliveira, que também tem a autoridade da Criação; abordagens que este Site ainda não teve oportunidade de encarar.

Mas não abro mão de meu "surrealismo de integração de Nações", logo acima, primeiro bloco sobre o músico.

Entry : Homeopatia,  substituindo depois de certa idade o tratamento alopático,  geralmente traz sérios danos à saúde do indivíduo. Ministrada desde bebê, tenho fortes razões para acreditar em sua eficácia. Mas, vá lá, corra-se o perigo: estou tentando descobrir, passo a passo,  as virtualidades do gênio de Villa-Lobos, a quem sempre chamei de um  gênio-burro, ao contrário de um estórico grande guia da nação, um burro-gênio.

Portanto, além da de cima, mais uma revelação, grandiosa epifania mesmo: Sua Bachianas n. 4, na transcendental abordagem, metafísica, quase religiosa, de recolhimento conventual, de piano de claustro, que pensa, de Olinda Alessandrini, e que descarna o gigantismo da peça!  

Mas continuo não abrindo mão de meu conceito de "surrealismo de integração de Nações", enunciado ad nauseam neste verbete, a respeito do starting, que é sempre uma enunciação, do respeito universal pelo Músico.

 

 

Piazzola, tb. no surrealismo de integração de nações, falado acima, passa por Ravel e pelos espanhois do séc. XX. Veja no que deu! Villa-Lobos é índio que tem medo consciente de catequisar-se, veja no que deu!(nota de 02-03-06, apesar de eu estar resignando-me um pouco com seu gigantismo, sent. até medicinal!).

 

WILLY CORRÊA DE OLIVEIRA E SEU VILLA-LOB0S

 

(Pretenso poemeto em prosa para o marcante poema em prosa “Com Villa-Lobos”, Edusp, 2010 / Entry: fevereiro de 2010.)

 

Um expert não sente a mínima convicção do A. em justificar uma reviravolta estética que não houve em sua vida!

Daí talvez o excesso de preciosismo literário num músico que sempre escreveu bem, em lógica cartesiana e muita sinceridade, embora lhe custasse às vezes grandes dissabores.

Principalmente num vocabulário carregado de palavras alienígenas que invadem a página deixando meros sinais da invasão: em alguns casos, não se comunicam, não se reconhecem e nem indicam para onde vão. É o caso de: râncidos, exornadas, camadas de aura, ensopava-me de dúvidas, exalçamento, açorado como uma criança, mostruários assanhantes, ensombro, cola-se a uma allure tremblé, tremiculoso, inopino, acalmia, tristura, ao alcance do anelo.

E no correr desse estilo obsoleto , para mim de propósito matreiro, vai balanceando sua adesão estratégico-política a essa quase unanimidade de louvações internacionais, absurdas, com acutiladas certeiras nas esconsas (agora digo eu ) idiotices (musicais mesmo) de  Villa-Lobos, que ele Willy sabiamente distribui por incontáveis arrières-pensées, para expor verdades-temeridades que você não sabe se são assumidas na hora, para fins de exposição antitética, ou se usadas para destruição de conceitos e juizos convencionais, como bobagens de julgamentos burgueses... :

 

“Que adianta toda a ciência, a sabedoria de práticas seculares, se, diante de uma verdade tão inequívoca, irrevocável, como as CIRANDAS, o nó cego das contradições internas dessas peças não pode ser desatado: senão em estado de pânico? Valendo-nos do  conhecimento e da técnica: que encontraremos nela além de postulados formais equívocos? Umas são inconsequentemente monotemáticas, outras há sem que os diversos temas troquem informações entre si. E qualquer  cantiga em lugar de qualquer outra, esta sucedendo àquela ( sem razão tangível) até que calhe o final imposto pelo impostor?” (pp. 48 e ss. Grifei nos itálicos e chamo atenção para a frase final da passagem, de uma sabedoria nunca abalada, mas que por qualquer razão até freudiana (porque politicamente Willy é de honestidade fanática) achou por bem dela abdicar...

 

       Mas sabiamente articula, logo a seguir,  uma zonzura de desarticulações temáticas nos encadeamentos das CIRANDAS, para sugerir uma insopitável genialidade de encantamentos nunca ouvidos ( assim entendi eu) e que Willy colhe à conta de perplexidade, enfeitiçamento, atonia, para culminar na assertiva de que essas obras são tão singulares e necessárias quanto os Prelúdios de Chopin.

        E lança mão da epifania, como única justificativa para explicar o inexplicável, eis que, ainda digo eu, após Joyce, se o sujeito é gênio, e epifânico, escreve indelével até em água corrente...

        Termina o bloco com : “Não é necessário, creio, escrever aqui que Villa-Lobos é um milagre.”

                                             *********

         Também acho. Mas permitindo-me uma intrusão, infelizmente prefiro apegar-me à passagem acima que , por tropo de Retórica, o A. admite a existência de um impostor. Confronte excerto de um e-mail mandado por mim a um grande maestro de São Paulo, no mês de setembro de 2008:

         “Meu approach em Villa-Lobos está na gaveta Música de meu site (www.asdfg-menezes.org), e, aqui entre nós, maestro X, finco pé em que ele era um imoral ao apostar na ignorância dos próximos, debochando da Humanidade ao impingir-lhe tanta inconseqüencia, principalmente técnica, com milhares de obras sem direção, sem o menor sentido de direcionalidade, explorando repetições de cansativas frases ao léu e obstinadamente, achando que, variando os timbres e escalando em série os naipes, estaria criando algo de belo. É horrível, mas como ele era um gênio-burro (ao contrário do burro-gênio de um guia perenal da História Política do Brasil), perpetuou algumas obras-primas de sonoridade agradável...aquelas pecinhas de piano para crianças ( alguns títulos melhores que algumas próprias peças). E alguns Choros...

       Que, nestes últimos , chupasse do folclore, tudo bem e até positivo, salutar, patriótico, de recenseamento, este contributo sempre solícito e gratuito de Villa-Lobos e que muito agradava – somente agradava, Getúlio Vargas. Mas a incorporação (no sentido espírita!) de Irving  Berlin nos Choros n. 6, com a melodia estruturada na alocação rítmica em blocos (uma naturalidade e invenção da Broadway, melodias visualizáveis, absolutamente inconfundíveis), não mais credito a seus atos de cara de pau, como apressadamente definia, mas uma consequência de sua incontrolável pletora, uma mediúnica inspiração,  seiva e plasma, e o que mais que transitasse nesse gigante, que incluia a assimilação e disfarce natural, orgânico, das influências...

[ Seria recomendável também uma repassada na inexcedível  consagração que lhe dedicou Otto Maria Carpeaux, na UMA NOVA HISTÓRIA DA MÚSICA, onde talvez resida  o definitivo sobre Villa-Lobos, juntamente com grande parte do juízo de Claude Samuel, op. cit. Penso que Carpeaux disse também a última palavra sobre a Música em geral, constituindo, com a Pequena História da Música, de Mário de Andrade e a originalíssima, singularíssima  Miniatura da História da Música,!, de Guilherme Figueiredo, o tripê  mais criativo da História da Música ocidental em nossa terra.

         Ele cagou regra mesmo, num país desregrado!!!

        O Claude Samuel, lá na França, em seu livro “Panorama da Arte Musical Contemporânea”, já fechou o definitivo sobre esse garanhão da Música. ’

 

                                               ************

 

         Na referida abordagem, inicialmente repeti, de forma catatônica, veja lá, o estilo de Villa-Lobos, visando dar uma idéia do isomorfismo do texto com suas inconsequentes repetições:

       

       “”Villa-Lobos: ficou a vida toda dedilhando qualquer instrumento – às vezes até os dedos nus sobre o feltro dos bilhares – num processo de escrita automática de nota-puxa-nota, sem meditar, um minuto sequer, sobre estrutura, organização externa e, principalmente, direção ( direcionalidade, que, de certo modo, determina a seqüência “esperada”... ), aquele sentido que faz você perceber que uma obra de Mozart, Chopin, Mendelssohn e Beethoven está “acabando”, embora continue, logicamente, por muito mais tempo! – esse fenômeno você nota nessa ordem crescente de evidência nesses autores. E, por amarrar-se nas ressonâncias da “popularidade da escrita  agradável”, com  sinais de limalha e buril sobre as dissonâncias modernas, cujo limite era a única coisa que ele respeitava, sua obra se envolve num surrealismo de integração de Nações que atinge a beleza por acaso, embora com muita freqüência, como na maioria das Bachianas. Mas, como compunha até durante as trepadas, não é difícil garimpar genialidades insidiosas...( por ex., as obras para piano do início do século XX.[ Versão modificada em 01-02-03].

        Entretanto, fui frequentemente assolado pelo fenômeno da “Mea culpa”, e reabordei Villa-Lobos, cf., chegando até a arrepender-me das próprias “mea culpa”!:

“ESTE SITE É, COMO AFIRMADO DESDE A GAVETA “INTRODUÇÃO”, UM TRABALHO “IN PROGRESS”, E O QUE PODE PERDER DE PRESUMÍVEL BRILHO NOS INÍCIOS DE ABORDAGENS COM FEIÇÃO OU PRETENSÃO DE INSIGHTS, ( A ESPERANÇA INFANTIL DO GOL DE PLACA NOS JULGAMENTOS, LOGO NO PRIMEIRO MINUTO DA PARTIDA ) GANHA NA EXPERIÊNCIA E NA HUMILDADE DAS REVISÕES... Também está contribuindo para tanto a invocação, por parte da credenciada crítica do Brasil sobre Villa-Lobos ( p.ex., João Marcos Coelho) às recentes, consagradas e  supostamente “sagradas” abordagens de um portentoso crítico-cabeça como  Willy Corrêa de Oliveira, que também tem a autoridade da Criação; abordagens que este Site ainda não teve oportunidade de encarar.”

 

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         Vêm de longa data os papos sobre Villa-Lobos, Tchaikóvsky, “Sheherazade”, os desnaturados prelúdios desse genial patrão de membros de orquestra que é Rachmaninoff, nas alfombras de Mozart, Beethoven, Mahler, Debussy, Schoenberg, Berg, calmamente assentadas na casa do Willy... e como nos metíamos a não entender muita vez suas sacadas, que creditávamos à sua voz baixa, à sua calma perigosa ( mais pra ele...)... e ficamos, fiquei! sem saber até onde ia seu amor pelos medíocres, e seu íntimo desprezo pelos Manifestos que assinava, ora!

         Isso tudo pode ser visto na segunda metade de seu livro, um tesouro político, visionário não só pelas certezas do “quod  erat demonstrandum” do cada vez mais hoje em dia: são definitivos, inalienáveis, seu conceito, análise e demonstração do capitalismo, também aplicado à Música ( um bisturi no esterco ( noblesse oblige!)  das sábias, belíssims páginas de ns. 80 a 86, para mim, apesar de tudo, já no panteão das hipóteses estéticas universais. Mas “Homo Lupus Hominis”, na contra-mão de sua própria salvação...

E a situação ( que, permita-me,  poderia dispensar os atributos de Villa-Lobos, que estava cagando pra isso tudo,) por coincidência (providencial?!) etimológica representa um pot-pourri do que há de mais podre daquilo que fomos catando pela estrada no curso de nossa vida iludida... Basta ver esta afirmação sedutora, um dia possivelmente questionável, se já não pela Ars gratia Artis !...:

“(...) Villa consta de um programa ideal, possível, focando a música do século XX no que houve de mais criativo, efetivo: em um mundo sem lingua musical erudita falada, onde cada voz fosse um testemunho necessário do homem como ser criador, sobrevivendo em  ambiente adverso, hostil, agressivo.” (pág. 67)

                  

         Afora as ilustrações e encaixes com que o A. ilustra sua tese da falência do sistema de ligar as consequências da Arte na Política, a partir de p. 77, Villa-Lobos é estrategicamente imunizado, e serviria para ilustrar, hoje, alguns postulados da Estética moral do Autor, com o máximo de boa vontade.

E, em meu entender, onde poderia haver uma barra forçada consequente da dialética de Willy, descortina-se pouco antes da Coda um inusitado alumbramento, permitam-me, pouco visto em matéria de invenção, nas revelações de fatos e hipóteses de junções e disjunções de autores e obras que abrem para uma estética nova, senão mesmo para uma Nova estética.

         E justamente na enumeração, em sua maioria genial,  de exemplos musicais surpreendentes por força de elocubrações que só um autêntico criador pode ter ( o modelo modelar Saint-Saëns, a quem chamei de néo-contemporário numa associação com Orlando Marcucci, o Saint-Saëns da Pintura (pág  64); os “perfeccionistas da melancolia”: Satie, Mompou, Willy chega à co-autoria das concepções mais recônditas e acrisoladas (sic) daqueles criadores todos.

         Sua sinceridade, entretanto, para mim é meramente política, de hermeneuta de obras da Música, longe de uma fruição pessoal, caseira, de um Bartok, Monteverdi, Schoenberg e sua louza Webern; o melodista fantástico, mesmo em escala dodecafônica, Alban Berg.

Então me arrisco a dizer é que se nota, ao cabo, um Villa-Lobos das Intenções, maquiado ao som de uma interpretação da hora, e um Willy Corrêa de Oliveira em metempsicose no Villa-Lobos que sempre representou nominalmente nosso Criador Musical mais vultoso, digamos.

Mas o livro, por assim dizer, avulta no terreno das associações mais inéditas, imaginativas, gostosas mesmo ( estas a melhores sensações, pelo menos para mim) , mas se percebe um cego narrando um jogo de futebol com o estádio cheio, e imaginando, pelos gritos circundantes, lances realmente insopitáveis!

Conheci um jovem de Jacutinga, MG, já falecido, completamente cego de nascença, que não perdia um jogo do São Paulo Futebol Clube, e vibrava, acusava as faltas e os impedimentos que realmente existiam e a rodinha que o conduzia ao estádio do Morumbi celebrava sua análise rigorosa do jogo!

Nesse contexto todo, Villa-Lobos  pouco está-me importanto, e pouco importará para os leitores-ouvintes mais atentos e responsáveis.

A fantasia do livro, mas seu rigor matemático na infra-estrutura dos exemplos, é o que mais me interessa. Também a ironia, o senso de humor meio carrancudo do A.

Villa-Lobos que se Ville ! (Também tenho esse direito do mau gosto!) E ele atingiu a difícil, talvez maior glória: de ser o homem mais feliz do Brasil.

 

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Finale: País culturalmente pobre tem de ter, este sim, um  “gênio  da raça” em cada atividade de sustentação: Pelé, Getúlio, Machado e... Villa-Lobos. Shakespeare e Dante é lá praquelas plagas.

Gran Finale: Modernismo Musical é questão de técnica: Webern se aprende na escola, diferente do lema de Noel ( este também genial ) de que “o samba não se aprende na escola”.

E Willy Corrêa de Oliveira sabe tudo sobre Música. Só não sabe que seu livro é uma oração de Santo Expedito, possivelmente a mais comovente. Em seu “(Faça o seu Pedido)”, oremos para que as aflições de Willy acabem dando certo!

E tirem as vírgulas das mencionadas palavras alienígenas que tive o propósito de garimpar lá no terceiro parágrafo e cantem-nas: Viva-Willy!
 

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@ Villa-Lobos / Sinfonia n. 6 / A horrorosidade mais horrosa da Música ( Talvez: uma das?!).

 

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@ - Villa-Lobos / Eureka! Depois de uma vida musical toda, menos prós do que contras Villa-Lobos, descobri: as insidiosas dissonâncias de Villa-Lobos não têm o mínimo de melodia !!!

 

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Wagner    Gostaria de poder aplicar em Wagner aquele princípio de tonalidade ( maior, menor, em si (este é foda) que despertam os sentimentos de dor, alegria, tristeza, júbilo, exaltação etc. etc., que Greither aplica em Mozart através da (ligação) propagação da onda sonora e de seu encontro com o ouvido humano em suas várias camadas."
*

 - Hitler, ouvindo Wagner na vitrola de seu quarto de pensão e estúdio de suas pinturas, sentiu-se literalmente tomado e, como todo melômano, começou a reger defronte do espelho.

 

  
 

A cada ataque nos fraseados, associava aquela poesia de enredos lendários com a possibilidade, a instigação, o idealismo, de "renovar" toda uma gama de núcleos de nações, escavadas do Passado Lendário, e  que poderiam estar sob seu jugo, e ulteriormente sob o jugo da Alemanha.... Sonho que nunca o separou da música de Wagner: é aquela alucinação que toma o ouvinte sem sonhos políticos, diante de uma música arrebatadora e sem emendas como a de Wagner, ou, anteriormente naqueles alucinados e hipnóticos seis acordes idênticos antes da resolução, do primeiro movimento da Sétima Sinfonia de Beethoven...

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                        Wagner abre a placenta do Universo, arregaçando-a pelas bordas, mas suavemente.

                               Mostra que tudo é ao contrário na vida. E não se entra em desespero porque é demonstrado com serenidade, mesmo nos momentos apoteóticos.

                               Sempre a melodia alongada no extremo da tristeza. Tristeza? Que tristeza?!...: aqui se poderia questionar esse problema de música alegre / música triste, onde o pensamento talvez dominante está em levar em conta a referencialidade, isto é, a ligação, consciente ou inconsciente, que determinada seqüencia de alturas ( = as notas, às vezes uma só nota! ) está associada a um fato ou lugar pelo qual aquela música passou, ou a você passando por tal ou qual lugar, ou situação.

                               Mas há um livro estranhíssimo, embora assegurem ser científico, que aborda o aspecto desenho melódico / tonalidades / tristeza e alegria, decorrentes disso, em obra por obra de Mozart, de ALOIS GREITHER, título: MOZART.                                                

                               Tenho a edição italiana, Einaudi.

                               Wagner me dá uma tristeza metafísica, muito doída, chego a chorar quando bebo...

                          Gostaria de poder aplicar em Wagner aquele princípio de tonalidade (maior, menor, em si (este é foda) que despertam os sentimentos de dor, alegria, tristeza, júbilo, exaltação etc. etc., que, como disse acima, Greither aplica em Mozart através da ligação / propagação da onda sonora e de seu encontro com o ouvido humano em suas várias camadas."

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- O Dó Mi Sol   não   Dó Mi Sol.

 

 

Está um pouco variado o registro das notas feito pelo Flo Menezes, em sua notação de minha frase musical (enviado de Freiburg, fev. de 2008), “pra ficar musicalmente tragável” em seu modo de ver. Procurarei ver se passo mesmo ao "consumidor" minha  idéia de que o acorde perfeito  sempre teve em seu bojo uma dissonância geradora de passos ulteriores da Música! Pois ele nunca dormiu  durante a noite da linguagem, isto é, enquanto todo mundo dorme, ele se desenvolve num crescimento natural, biológico.

 

(O link seguinte, pinçado da ópera TOSCA, de Puccini, na performance de Pavarotti, transporta o repto que ninguém durma! para um pulo de oitavas pertinente,em virtude da notação que Flo Menezes colocou no pentagrama supra, obedecendo-se às respectivas transposições de oitavas, no motivo Do-Mi-Sol!)

 

 

Aquela virgulazinha suspensa é a appoggiatura ( mi-ré ) sugerida por mim nos inícios das concepções.

Necessário para que o ouvido perceba que sempre há uma evolução na linguagem musical.

Gostaria que o leitor ( ouvinte, internauta, sei lá como se chama esse catador internético) desse umas "catadas" em Schumann, em Schumann, em Schumann!)

Foi ele que criou uma nova linguagem para o ouvido, como “chutei”  em minha entrevista ao jornal da Cetesb, déc. de 70 !

 

 

O piano de Schumann é silábico, no sentido da escrita chinesa, necessitando, às vezes, além da fonética, o auxílio das mãos (simbolicamente e sem trocadilho). É a “dificuldade” de todas as línguas sintético-ideogramáticas, em vez das analítico-discursivas.

O piano de Schumann necessita de um ouvido imediato, para uma resposta análoga à do diálogo humano, tradução da conversa, fala, conversa. Contradizendo o autoritarismo melódico-discursivo de Chopin, por exemplo. Ouça bem o Papillons, não como fruição de uma melodia realmente surpreendente, mas como quem quer escutar sons que redundam em fala. Assim você vê um Schumann realmente inventor, no sentido poundiano, apesar desta conceituação estar um pouco batida e fora de moda.

Todo seu discurso pianístico é assim.

 

Três décadas após, tive a gratificação de constatar o seguinte, no importante livro

“História da Música Ocidental”,  organizado pelos clássicos Jean & Brigitte Massin:

“Schumann [ acentuava que ]  “Ela [ sua música para piano ] devia unir o contínuo ao descontínuo, fazendo nascer o contínuo no descontínuo.”

 “ ‘ É o reinado do Intermezzo ’ , como espirituosamente disse Roland Barthes.”

“ Ela cria as próprias formas, a maior parte das vezes sem referência  às grandes formas clássicas, faz do ritmo um elemento essencial da escrita e comporta uma aceleração constante.”

E Schumann a Clara , apud op. cit. : “ O romantismo não está só na forma; se o compositor for poeta, ele também irá expressar-se como tal. Um dia vou provar tudo isso a você com minhas Kinderszenen.”

“ Com efeito, ele deu à última dessas peças um título explícito:  Der Dichter spricht [ O poeta fala ] ”

*

Pessoalmente, vejo mais uma acentuação da “conversa”, do papo, na peça Fantasiestück op. 12: mão direita expondo e explicando, mão esquerda em eco concordando

até o momento da explosão da discórdia/indagação. O oaristo vai para uma exposição para vizinhos!  Em seguida, até os arpejos falam , os espaçamentos das lentidões são verdadeiras ponderações.  ( Ouvir com Richter e Guiomar Novaes).

( Já pincei Papillons, acima...) 

“Carnaval”, no mesmo diapasão ( este termo igualmente no sentido da materialidade da escrita e da oitiva) também se diferencia do caráter de “piccolas operas” dos lieder de Schubert, por ter menos estórias que expressões de sentimentos, mais à conta das letras (lyrics / libretos etc) pela força dos Poetas, Heine, p.ex... e outros “irmãos” de Schumann!

 


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- O Dó Mi Sol   não   Dó ré Mi Sol.

No fundo, o esquema é o seguinte ( uma visualização virtual da idéia ) :

 

Infelizmente, não consegui fazer com que o último Sol , naquele pentagrama, indique que deva ficar esbatido ( cortado) em sua sonoridade ( seu ataque, algo na dinâmica?...) , para que se entenda que é “”!!!  ( : “O dó-mi-sol não dorme só!”)

 

- Beethoven fecha os olhos para o futuro. Dorme bem.

 

 

 

Na esteira de Beethoven: O dístico seguinte (um anagrama perfeito), em consonância com o caráter eliminatório que existe em todos os anagramas, é uma boutade e uma forma irônica de indicar o rumo enveredado pela Música, após o fecho definitivo de Wagner, na esteira de Beethoven [= os arrepios do Romantismo, em todos os sentidos] :
 

 

 

APÓS  A   O CREPÚSCULO DOS DEUSES

ADEUS AOS PELOS CRESPOS DO CUU

 

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Após a   O Crepúsculo dos Deuses

Adeus aos pelos crespos do cuu

 

 

 

ESTA PASSAGEM TAMBÉM FAZ PARTE DA “MICRO HISTÓRIA DA MÚSICA AO PÉ-DO-OUVIDO”, DO LIVRO EM ELABORAÇÃO “IMPROPRIEDADE PRIVADA” (ORA SENDO TRANSPOSTO PARA ESTE SITE).      

 


 

– Veneza & Vivaldi 

- Pitanga do Amparo, com seu infalível bom gosto, fechou: não viveu quem não viu Veneza.

         Coloquei a joia numa gavetinha especial de meu Outlook Express.

         Pena que Kubrick acho que não tenha ouvido isto. Algo das faces   dessa Veneza viscontiana tinha uma certa atmosfera de seu último e um dia talvez consagrável como melhor filme (Eyes wide shut / De olhos arregaladamente fechados, adoto...), embora nada lúgubre, pois não havia a doença física. Nem naquela frívola festa do início, uma iluminada burguesia de feéricos candelabros e descalabros, nem – e principalmente – no pavor, de festim, por aqueles corredores de almas que emanavam de ruas vivisseccionadas por um só homem, uma esquina, uns passos (medo só de pensar) e uma redentora banca de jornal! Nada, nada mais belíssima que aquela Nova York de papelão, esplendorosa, luminescente, tudo, tudo oniricamente feito naquele estúdio de Londres, Pinewoods, que talvez bata qualquer Cinecittà e lendários hollywoods ! Nada mais impalpável e no entanto desconfortável, insuportável, inacabável que aquela festa de sociedade secreta, de outras gentes, de outras vozes, medonhas, tenebrosas máscaras maldosas pespegando na certa rostos mais malvados...E aquele piano tartamudo, de pingos ácidos nunca ouvidos, contracenando com aquela moralmente dúbia valsinha, lindíssima, também de Shostakovich.

***

         Em 1981 provei mesmo a sensação de que só pode dizer que passou pelo planeta quem conheceu Veneza, como reza o e-mail de Pitanga do Amparo.

         Uma madrugada joguei da janela de meu quarto, para despertá-la, um objeto no cocoruto da igreja do grande padre rosso, o albergue das mães d´anjinhos, chiesa L´ospedale de la Pietà. Aquilo bateu na cúpula, que tinha a altura de minha janela  ( sexto andar do hotel, aqueles enormes pés direitos) e despertou Vivaldi. Desci com minha garrafa de whisky ( o único padre que vi tomar whisky) e ele me disse horrorizado que fábrica de anjinhos é coisa de caretas: ele albergava as meninas da sociedade, enceintes...et en sainte paix du Seigneur. Como sabemos, elas sumiam da sociedade, "viajavam" pra terras distantes até a vinda do rebento e se reintegravam na família.  Os filhinhos, Vivaldi os cuidava como se fossem seus. Era um bom sujeito, porisso sua música é redonda, macia, sem deixar de ser tenebrosamente falsa, quando provocado ( caso da sinestesia da segunda secção d´As Quatro Estações).

        Sua aparente repetição temática, uma impressão de filhos únicos , era uma absolvição do pecado, não sabido, mas respeitado.

 

 


- West-Eastern Divan Orchestra

[ Quixadá Neto, Adolfo ] “Comprei o DVD " Barenboim West-Eastern Divan Orchestra" em estojo tipo CD,contendo :1) dvd = Symphony n°5/PYT;Overture The Force Of Destiny/GV;Bonus (excelente) Lessons in Harmony - introduction;Weimar,summer 1999;Seville,summer 2002;Ramallah,september  2002 e a imperdivel conversação entre Daniel Barenboim e Edward Said durante 82:23. 2)cd  com as músicas já indicadas mais Valse Triste/JS. Gostei demais e lembrei de você quando pela primeira vez manifestou-me não gostar do DB (acho que hoje você evoluiu e passou a gostar) na ocasião que adquiri o VHS "Tangos among friends" - DB in Buenos Aires (um clássico que tenho em CD e e DVD),uma maravilha.Você se recusou a comprar o outro exemplar existente,numa bela loja no Itaim perto da Av.Faria Lima.O Edward Said comentou o fato de Goeth de em bora ter-se mostrado simpático aos arabes acabou discriminando-os em sua obra apenas situando-os no imenso deserto.A cultura dos arábes é fantástica,haja vista a imortalizada pelos mouros na peninsula ibérica onde permaneceram oitocentos anos.A de hoje pelo visto não é grande coisa! Abraços do Quixadá” 
 

       Meu comentário:  “Goethe não teve a menor culpa pelo que aconteceria “dois séculos”  depois!

    E os árabes se desenvolveram mesmo ( e a imensidão das “Mil noites e Uma noite” ) nos imensos desertos, puramente...    

    Quanto a Barenboim, continuo achando-o um musicista genial, um musicólogo apuradíssimo, muito inteligente, mas... um mau pianista. Cate um mero André  Watts (digo mero porque quase ninguém sabe quem é esse genial artista do teclado, como noutro contexto, noutro repertório, o são um Cecyl Taylor, um Brubeck, um Oscar Peterson (lembra-se dele naquela noite em que arriscamos um inglesinho ralado (eu), na Saraiva do Morumbi Shopping? ) cate, repito, um André Watts e veja onde vai parar o Barenboim...

    E nem se diga Glenn Gould, covardia!

    O Barenboim tem é um faro excepcional, visão epistemológica tanto para Wagner como para Schubert, Beethoven,  como para as coisas mais transcendentes da Música Absoluta: o recente DVD dele tocando o Winterreise para apoio do barítono T. Quastthoff. Filmado no palco.

    (Tenho tb. em DVD o “Winterreise” teatralizado  e filmado, cenarizado, com todas aquelas micro-óperas que são os lieder do ciclo W. sendo desenroladas na sua frente, ficcionalmente.)

    Vale. Simplesmente vale. Tem de ser mesmo no piano & canto.

    Agrego: Barenboim dá uma de gênio ao comentar o estilo, a conduta visual, enfim, a attitud (sentido do inglês) do imortal Furtwaengler naquele LD “The Art of Conductor”, que agora já tenho em DVD também.

    Abração, Blumenbosque Menezes (o Anarcotrêfego)”

    Nota de 09-6-08: Será que vou acabar mudando de opinião? Balanço: de um lado, numa semana recente, programa do Turíbio Santos Cultura FM,  Barenboim assassina uma “Appassionata”, sem piedade. E... vejo no You Tube ele sublimizar o já irresgatável sublime da ária inicial das Variações Goldberg !!!...

   Nota de 11-6-08: Escorado no princípio de que uma grande idéia-fixa pode revestir-se até de uma aparência de preconceito, fui imediatamente atrás da Sonata Appassionata que Barenboim executou em Berlim, 2006, produção em DVD de 2007, EMI. E reconsiderei outra vez meu juízo, ao render-me pelo menos à idéia de que, uma postura (attitude, outra vez apelo a esta palavra) de physique de rôle de sua atividade primacial dos últimos tempos, a regência, impregnou sua figura durante a execução, e a velha Appassionata ( não seria a mesma exibida durante o citado programa de Turíbio Santos...) fluiu naquela transcendentalidade e técnica ( até nas passagens rapidíssimas de terças trançadas) que atormentaram (com sucesso bilateral, sic!)  Kempf, Brendel e nosso Caio Pagano. Este na memorável concepção de 1979, cujo primeiro movimento está no disquinho apenso/adendo/subsídios recíprocos à intrigante obra musiliteroverbivocovisual do grande compositor contemporâneo Willy Corrêa de Oliveira ( “Beethoven: proprietário de um cérebro”).
 

             *****

-         Música POP brasileira – “Meu paideuma” – “ Fita Cris/ Londres”:

Como me parece que todos sabem, nossa música popular é, junto com a de mesmo extrato dos Estados Unidos, a mais profusa em formas, ritmos, capacidade de absorção congenial de timbres e de estruturas de outros locais e raças, não só harmônicas como – o que é estranho por tratar-se de facetas da individualidade – também melódicas...

                        Além do samba clássico, do samba-canção, do samba-exaltação, do samba de fossa, do samba de bossa (malandragem vocabular e o “breque” matreiro), o Brasil tem, de umas quatro ou três décadas pra cá, também o samba balada, o samba de bossa-nova, o samba-rock, o rock-balada, o blue maxixizado, o afro-rock ou afro-samba ( Baden-Vinícius),  enfim, de Pixinguinha a Marina, de Noel a Djavan, de Ismael a Tim Maia, de Dolores Duran a Paulo Vanzolini, o que se procurar!...

                        Em 1989, quando minha filha Cristina morou em Londres, fiz-lhe uma seleção do que eu considerava de mais belo na multiplicidade de formas musicais brasileiras e mandei-lhe em fita cassete de noventa minutos. No final da fita tentei explicar-lhe oralmente minhas escolhas, e que eram o meu paideuma, de modo muito resumido, eis que ela tivera muito convívio com o assunto aqui em casa, e , familiarizada com meu gosto, facilmente saberia justifificar a surpreendente variedade a seus colegas de Londres.

                        Estava ela enturmando-se em cinema, formada que era pela ECA-USP. Tinha trancado sua matrícula em Direito também na USP e fora tentar uma oportunidade na Inglaterra.

                        A fita fez um bruta sucesso e ela teve de fazer várias cópias pro pessoal com quem circulava! Acabei dispensando a explicação, como se ouvirá no finalzinho da fita.

                        Acrescento que muita coisa ficou de fora, como as antológicas leituras de Noel Rosa feitas por Aracy de Almeida ou Marília Batista; as interpretações do “velho malando” Morangueira (Moreira da Silva, hoje com 94 anos [ o texto é de 1997 ]  e que ainda vem a público, intocável na personalização, embora com a voz devastada – no sentido mesmo da palavra  waste, como disse eu num release a Claus Clüver, eminente brasilianista literário alemão, radicado  desde tenra idade nos USA – ) interpretações essas da década de 30 e mesmo antes, e que demonstram que sua voz teria que esperar, para ser igualada ou talvez superada, o timbre prateado, e translúcido!, de ORLANDO SILVA em sua fase de ouro, isto é, de seus 20 aos 26 anos de idade! Algo similar a Sinatra, até nas fases.

                        E muitas outras jóias desbordaram deste paideuma, talvez por mim eleito num momento de decisão etílica.. mas cujos efeitos perduram até hoje.

                        Ulteriormente, em fins de 1993, esteve em São Paulo o poeta italiano ENZO MINARELLI, muito renomado no mundo todo naquilo que outro filho meu, Philadelpho Menezes, vinha praticando como uma de suas experiências literárias, isto é, a POESIA SONORA, da qual foi o introdutor no Brasil, com livro específico e aulas na PUC.

                        O poeta italiano, convidado para um congresso, aqui realizou vários  workshops, masterclasses, curiosíssimas e originais performances, assim como conferências muito concorridas,  não só na PUC como em outros auditórios,e popularizou-se transferindo a paixão pelo seu time de futebol lá da Itália para as mesmas cores do uniforme corintiano;  enfim um grande praça, típico cobrasileiro, alegre, insinuante, um belo tipo, deixou marca por aqui. Teve oportunidade de voltar ao Brasil uma ou duas vezes. E apaixonou-se freneticamente por nossa música popular.

                        Quando partiu de volta, ENZO , por questão de comodidade e de tempo, levou uma cópia daquela mesma fitinha que remeti para a Cristina, só que, dessa vez, acompanhada de um resumo crítico que lhe fiz por escrito e manuscrito (ele então já dominava  muito bem o português), apontamentos que lhe fiz de memória e bebendo eu whisky em meu escritório na cidade. Sem dados para consultar.

                        Sempre que presenteio algúem com cópia de tal fitinha, tomo a liberdade de transcrever literalmente, sem nenhuma modificação, tal cartinha-crítica das músicas que constam da relação.

                        Espero sempre que se releve o fato de eu não colocar o nome exato das faixas, pois, à época em que pela primeira vez selecionei as músicas (1989), fui embaralhando os discos  ( eram LPs ) e agora – como em 1993, quando dei cópia da fitinha ao ENZO – daria uma tremenda mão-de-obra conferir tudo. Mas dá para ir-se identificando cada tópico de minhas análises – bem resumidas, repita-se – ouvindo com atenção as musicas, uma por uma.

                        E como disse a meu particular amigo e Mestre Internacional de Xadrez, Hélder Câmara, se na fitinha houvesse espaço para mais oitenta por cento de nossa Música Popular...oitenta por cento seria de outras escolhas ( não era piada de portugûes ).

                        E frisei-lhe que esta, como em certas antologias enxadrísticas, é um florilégio talvez de caráter sazonal do espírito; mas que acreditava eu que – também como no Xadrez – vale o apelo para aquelas partidas que, não sendo as mais perfeitas, instigam um quê de majestosa invenção, às vezes até de erro consolidador de audácia, de expectativas, de mistério falho, enfim, do subjetivismo que me envolve ultimamente e que tributo a Mário de Andrade numa evocação que dele fez Ungaretti relatada no " Vita d´un uomo", XI, Mondadori, 1961, p. 409, " come uno dei saggisti piú inspirati, piú docomentati, piú sagaci e piu brillanti di questo secolo".

                                                                                              

@  -  NOVOS BAIANOS:

                        1 - De seu primeiro LP, produção déc. 60/70 : “Brasil Pandeiro” [ de Assís Valente, recordista em tentativas de suicídio, quatro!, e que acabou... se matando ]

                        Solistas em destaque (vozes):

                        Baby Consuelo, hoje uma dona de casa e cantora esporádica. [ atualmente " Baby do Brasil" ]

                        Morais Moreira. [ atualmente em grande forma “single”]

                        O grupo pertencia a uma “família” de 12 ou mais pessoas. Habitavam uma chácara, no Rio, levando, com os filhos, vida comunitária, “primitiva”, naturalista e naturista, sem fronteiras demarcadas, a não ser, talvez, as do sexo.

 

                        2 - Música do mesmo LP.

                        Guitarrista em destaque : Pepeu Gomes, então marido de Baby Consuelo (supra).

 

                        NOTE OS CONTRA-TEMPOS NO CANTO DE BABY CONSUELO !

 

                        @ - CARTOLA e:

                        1 - um samba-canção de sua autoria, gravação déc. 70, produção déc. 50., onde se mostra forte na plangência, genuíno nas concepções, inspirado e com melodia de cunho muito pessoal. Era também mestre no samba rápido (tipo “batucada”).

                        2 - outro samba-canção, mesma época, colocado logo em seguida para mostrar a extensão de sentimentos crescentes, que transcendiam o " sentimento de Morro”.

                        3 - Na terceira faixa de Cartola, o mais importante é o solo de trombone, instrumento em que o músico brasileiro de cabaré e boate é imbatível. Questão de berço ou questão de beiço? Dizem que o GLOBOKAR , quando no Brasil, frequentemente ia  “assuntar” em nossos “inferninhos”. Não sei se é verdade, nem se o VINCO GLOBOKAR esteve no Brasil...

                        4 - ib., ib., veja o trombone! [ O uso que o instrumentista faz de um insinuado  ruflo (frullato) numa passagem do  “ACONTECEU” é antológico! ]

 

                        OBSERVAÇÃO : CARTOLA descende das duas vertentes mais significativas e fundantes da Música Popular Brasileira eruditizável, isto é, não popularesca, ou tendente ao folclore :

                        a) NOEL ROSA - o maior gênio de nossa música de extrato popular no sentido lato (samba urbano) e

                        b) ISMAEL SILVA, seu “pendant” idioletal, de riqueza melódica... divina (isto é, como você nunca vê, nunca sabe também como surge uma solução melódica ... que não é harmônica!).

                        (Ismael = idioleto, assim como CHOPIN era um idioleto para o próprio SCHUMANN, criador da linguagem pianística do ouvido, do Romantismo...)

 

                       

                        @ - CAETANO VELOSO in  “ALFÔMEGA”,  “dele” & de Gilberto Gil.

                        Belíssima – e genial – escatologia de tendência pré-tarkowskiana. Déc. 60/70. Grande achado. Acabamento, no arranjo, de grande mestre.

 

                        [ Interrompi – e depois incorporei – a carta ao ENZO, para dizer que acho a composição supra, como os filmes da fase final de TARKOWSKY, uma representação do absurdo metafísico-pessimista, com interferências de acasos escatologicamente programados, como, nessa música que Caetano canta, aquele estribilho bem espaçado de um bêbado que sempre fica ouvindo e que assente, sem saber porquê, aquele  (i) responsável  “- JUSTAMENTE!...” ]

 

                        [ Voltanto à redação da cartinha a Enzo Minarelli, confessei que ia conferir direito a autoria, pois tinha certeza de que o Torquato Neto também era dono da coisa ]

                        @ - CAETANO VELOSO  e uma rumba de sua autoria (s/ Cuba), déc. 80.

                        Um script sonoro de musical hollywoodiano, com “direção de câmera vocal” caribenha. Virtuosismo vocal e suporte melódico e rítmico puramente isomórficos, o que é quase uma exibição/demonstração técnicas de sua natural e costumeira mestria, no mais profundo apuro e propriedade musical. Tem aí o gostoso amoralismo político brejeiro, o mesmo rosto amoralista do Caetano na vida. Deboche a uma espécie de pré-politicamente correto e, ao mesmo tempo, alusão, velada mas positiva, à grande causa fidelista! (CUBA É A ETERNA NAMORADA DOS SOCIALISTAS DE BEM !)

 

                        @ - MARINA - um rock-bolero típico de sua personalidade quente, ao mesmo tempo intimista. Pegou a juventude feminina brasileira da década de 80 muito carente... e cativou!

 

                        @ - (VOLTA À DÉCADA DE 30):

 

                        Samba de NOEL ROSA, “Cansei de Pedir”, com Violeta Cavalcanti cantando em 1984, ou 85. Um clássico. Letra (lyric) tipo Ira Gershwin, Cole Porter! E um domínio total da natureza do SAMBA.

 

                        @ - TomZé , “Namorinho de Portão”.

                        TomZé é o membro-gauche do Tropicalismo (Caetano & Gilberto Gil). Arranjo “erudito” de DAMIANO COZZELA. Letra (lyric) de inocência rubra e antecipando as identificações dos “dramatis personae” dos comerciais de TV, aquele vovô cantando rápido no fim de uma frase! De seu primeiro LP, déc. 60. A melodia da balada – verdadeira  balada! – tem uma natureza saudosística ingênua, algo como um futuro já na época saudoso, que envolve, recapeia  a voz do TomZé, em vez de ser envolvida por ele... por causa, penso eu, da tonalidade menor.

 

                        @ - ( OUTRA VOLTA, À DÉC. 40/50) : ISMAEL SILVA(!) em “Tristezas  não pagam dívidas”. O próprio autor, já setentão (déc. 70), canta. Logo a seguir, “Novo Amor”, também de Ismael. OBSERVE A RIQUEZA, “DIVINA”, DA MELODIA.

 

                        [ Desculpem-me usar, mais uma vez, a palavra " divina ", mas é só como se pode, no convencional, admitir o mistério de uns cortes de direção melódica, que são próprios – dir-se-iam exclusivos – do Ismael Silva. Algo como quando, em Haydn, de repente, num ataque de frase nova, você fatalmente indaga: mas de onde é que veio isto, embora parece que já se esperava?! ]

 

 

                        @ - Década de 70 : CHICO BUARQUE DE HOLANDA, “Folhetim”.

                        Gal Costa canta essa estória de disponibilidade amorosa de uma mulher livre ( livre inclusive de sentimentos ! ). Bolero propositado. A letra (lyric) é imensa poesia. Chico Buarque foi, com Caetano,  o que melhor encarnava a mulher “na  primeira  pessoa”.

 

 

                        @ - TIM MAIA  (déc. 80), “Me dê motivo”. “Rock-fats” explorando a voz roufenha, e o empenho amorável de enfrentar adversidades... Tim Maia transpõe seu jeito de encarar a vida (ou, pelo menos os outros) para o gesto da interpretação. Me parece muito interessante esse tisne stanislawskiano.

 

 

                        @ - RITA LEE ,  a criadora, na déc. 60, com o revolucionário conjunto “OS MUTANTES”, do rock brasileiro. Aqui (“Mania de Você”, já da déc. 80”), veste um  bolerão de roupa insólita : voz, solmizações etc.

 

LADO  B

 

                        @ - CAETANO VELOSO, dele, “LÍNGUA”, talvez sua obra-prima absoluta. Utiliza ELZA SOARES, cantora marginal, de caráter e modulações  “debochadas”, exímia ritmista, aqui usando e abusando dos vocalises e ornamentos bêbados, que se transformam em  “scats” mais gostosos que os de ELLA FITZGERALD; porque em ELLA  os “scats” estão sempre revestidos de solmizações. A obra (déc. 80) é plena de jogos de palavras e sacadas filosófico-etno-culturais, balançando entre o exotérico e o esotérico, fazendo uma sinopse das culturas eruditas se intercalar com uma sabedoria existencialista tardia. Nas frases entra sempre  um absolutismo conceptualista de aparentes “non-sense”. Repare na comparação entre  amizade / amor   x   prosa / poesia. Ou na passagem em que dogmatiza sobre fazer uma canção / filosofar / língua alemã (!!!). AQUI É POETA MAIOR. E o tônus é de quem vai caminhando, revoltado mas com razão, para o patíbulo!

 

                        @ - GILBERTO GIL e “Pessoa nefasta”, maravilha de interpretação e utilização de sua voz afro, em rock-balada rápida, numa composição de profundidade religiosa (candomblê-zen !). Domínio de timbre vocal e de ritmo, como poucas vezes se atingiu no Brasil. Déc. 80. Disse ao poeta italiano: o dia em que você dominar mesmo a língua portuguesa, ENZO, você vai desmaiar com isso. [O que não valeu para a extensão da carta ao Claus Clüver, mestre também em nosso vernáculo]

 

                        @ - CLEMENTINA DE JESUS & JOÃO BOSCO, em samba de João Bosco, uma das expressões mais individuais da Mús. Pop. Brasileira. O cantar de CLEMENTINA é africano típico. O assunto é difícil para um estrangeiro, frisei que mesmo para Claus Clüver , mas que ele teria ajuda de sua mulher, brasileira, nas catimbas do coloquialismo e nuances de ordem religiosa ( nosso sincretismo) , colorido antropo-sociológico e outros etcéteras da letra, que alberga um caso, bem brasileiro, de praga rogada, macumba, traição matrimonial, tudo com muita gíria. Melodia e “acompanhamento” sem dúvida magistrais (Déc. 70/80).

 

                        @ - TETÊ ESPÍNDOLA e sua voz característica e não suscetível de ser utilizada no corriqueiro do dia-a-dia. Como apelo isolado e não constante, é uma maravilha! O assunto (lyric), casado à melodia riquíssima, com a passagem do recurso da duplicação da voz por meio do “play back”, destaca a obra na galeria das obras-primas do Brasil moderno. Também é de uma tristeza dignificante. (perdão mais uma vez, pelo subjetivismo).

 

                        @ - “BEBETE VAM ‘ MBORA” (algo como “Bebete, lets go !”),  JORGE BEN (déc. 70), hoje JORGE BENJOR. Criou o ritmo quase  5/4 (tempo sincopado). Digo quase  5/4 ,  porque é meio diferente do nosso jequibau (MÁRIO ALBANESE e CIRO PEREIRA, oportunamente farei um approach sobre estes), ritmo que deriva, talvez incientemente, da espécie de movimento interlúdico da Sexta Sinfonia de TCHAIKOVSKY. Há aqui também um tipo de assunto (lyric) malandro e sincero ao mesmo tempo. É uma delícia... mesmo para quem não entenda completamente a letra na hora.

 

                        @ - “CAMISA LISTADA”, de ASSIS VALENTE, déc. 30, gravação da déc. 70. Com ISAURINHA GARCIA, cantora  (predominantemente de boates e cabarés) de acento “cantado”, resquício do italianismo dos bairros típicos de seu país “de origem” em São Paulo. A seguir, “CARA DE PALHAÇO” (acho que não é esse o nome correto), auto-gozação de um fracassado cínico – ou talvez dono de um imenso “fair play”! Atente para o acompanhamento verdadeiramente genial do piano, nessas duas faixas da ISAURINHA, de seu então marido, ou companheiro, WALTER WANDERLEY, precocemente desaparecido.

                                    [ Na carta a Claus & Maria, corrigi o que não tive oportunidade de fazer para o Enzo:  O ACOMPANHAMENTO GENIAL DO PIANO É DO AMÍLSON GODOY, QUE FEZ A TRILHA DE UM FILME DE MINHA FILHA CRISTINA, E QUE É IRMÃO DO FAMOSO AMÍLTON GODOY, DO “ZIMBO TRIO”. Aproveitei a oportunidade para corrigir também que o WALTER WANDERLEY continuava vivo e que é considerado um dos melhores organistas pop nos Estados Unidos]

 

                        @ - OUTRA VOLTA: (à déc. 30) -  “A RAZÃO DÁ-SE A QUEM TEM”. Outra obra-prima de ISMAEL SILVA. A dupla que se alterna na primeira e na secunda partes: FRANCISCO ALVES e MÁRIO REIS, este o verdadeiro precursor de JOÃO GILBERTO pela falta de solenidade, desimpostação da voz, e canto-falado (sprach-gesang) !

 

                        @ - CAETANO VELOSO  e seu talento também para a marcha carnavalesca. “CHIQUITA BACANA”, ou  “A FILHA DA CHIQUITA BACANA” (Mantenho o original das assertivas de que estava escrevendo ao Enzo tais notas em meu escritório , sem os dados técnicos e confiando na memória, 24-8-93).

 

                        @ - Do LP  “BRAZIL” (sic) , de JOÃO GILBERTO, déc. 80. Música do clássico DORIVAL CAYMI, dos sambas praieiros, alma da Bahia. Há uma riqueza poética notável nas assonâncias dos nomes dos pescadores ( “Maurino, Dadá e Zeca ô / embarcaram de manhã...”) e da narrativa ( “anedota”- ficção ). Os dois cantores que contracenam com João Gilberto (Caetano Veloso & Gilberto Gil )  fazem “dramatis personae” do gesto vocal de João. Timbre encarnado deste. Note- se  também o descompasso da frase vocal com a batida do violão.  JOÃO GILBERTO  (como GLENN GOULD)  tinha um sistema calmo pegado a seu sistema nervoso... [ Aqui desenhei para o ENZO uma carinha rindo e uma exclamação ]

 

                        @ - De novo ISMAEL (!!) , “ME DIGA TEU NOME”, déc. 30. Melodia originalíssima, milagrosa, mais uma vez insisto no mistério!  [ MAS HÁ UM LIVRO ESTRANHÍSSIMO, EMBORA ASSEGUREM SER CIENTÍFICO, QUE ABORDA TAMBÉM O ASPECTO  DESENHO MELÓDICO / TONALIDADES /  TRISTEZA E ALEGRIA DECORRENTES DISSO!, DE ALOIS GREITHER, TÍTULO :  “MOZART”,  TENHO EM ITALIANO, ED. EINAUDI ].

                         A seguir, “BOA VIAGEM” (déc. 30), no mesmo diapasão inconfundível. Re-gravação da déc. 70. O autor canta. Era um gênio, como já disse, mas uma pessoa tremendamente ignorante, quase um boçal completo, com vontade de ter senso de humor...( inusitado isso!)

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                        @ - “A TUA PRESENÇA”, CAUBY PEIXOTO, a voz mais sonora, dotada, natural (tipo SINATRA nesse particular) e melodiosa do Brasil. Além de tudo, um pleno domínio técnico nas inflexões e exploração das particularidades do “fato cantado” (v., na primeira estrofe, a pronúncia da palavra  “DISTÂNCIA” !!! Na repetição, ele tira a “an-an-an ” do perfil montanhoso da lonjura). Mas... é considerado pela “maioria crítica” um cantor “depassé”, amaneirado, old fashioned, e , como brasileiros já dissemos em  passado não muito distante, bôco-môco...

 

                        @ -      “SOY LOCO POR TI,  AMÉRICA”, de GIL & TORQUATO NETO, na voz de CAETANO. É uma rumba que talvez não se encontre melhor no gênero.

 

 

 

                        Eis, a quem interessar ouvir religiosamente, um “pot pourri” de coeur & tête.         

                                       

to be continued


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