**********

 PORTRAITS


 

@ - Allen, Woddy, portraitzinho em papier collé.

Em suma, o que eu sinto principalmente em Woody Allen é a redundância de uma fé, para sempre nos abnegar, digamos assim, das desilusões finais de seus enredos. Desilusões das quais não pode abdicar, em razão de seu gênio birrento de natureza, ou de nascença ou da relutante “religiosidade” judaica.

A Woody Allen só se aplica “enredo”, nada de técnica, planos-sequências e enquadramentos. Ele nos narra tudo oralmente, longe dos olhos. E é muito divertido, podemos dizer; talvez para seu agrado e aceitação crítica mais relevante.

E nos administra uma espécie de eucaristia laica, própria dos ateus esperançosos: vê os homens todos iguais, como acredita que Deus os vê! É homem de uma só tese e deixa ao ator o papel de diferenciar almas. Reparem, em “Você Vai Conhecer o Homem de Seus Sonhos”, na inexpressividade expressiva de Banderas e nos últimos suspiros visuais de Anthony Hopkins ; ou na beatitude angelical, vizinha da  bestialidade suave, da mãe de Sally.

Que figurinha! Ele não é uma figurinha só no aspecto físico!!!...

 

@ - Andrade, Oswald:  - V. Abecedário/Pasta 11.

 

@ - Aracy de Carvalho Guimarães Rosa :

 

[ E-mail do  Maurício do Brasil@uol.com.br  (Maurício de Souza Brasília) , 12-3-12, 20h21, sobre Aracy, segunda mulher de Guimarães Rosa. Veio com Anexo. Mandei-lhe e-mail de teor seguinte:

   

“Lógico, Maurício, que ouvi falar dessa abnegada.

    E dou-lhe uma muito interessante, bomba mesmo : fui amigão de seu filho, Eduardo de Carvalho Tess, de seu primeiro casamento. Ele se formando, eu no primeiro ou segundo ano, em 1952/3, na Faculdade de Direito do Largo de S. Francisco.

    De lá pra cá nos cruzamos uma ou duas vezes... Um dia destes, passando de carro pela av. Brasil, aqui em São Paulo, vi numa fachada nobre:  "Advogacia Carvalho Tess", algo assim.Fiquei de um dia parar e entrar.

    Sei que o Edu, como o chamávamos ( era um cara finíssimo, brando ) teve um filho também advogado, contemporâneo de meu falecido filho Philadelpho, ambos formados na mesma Faculdade.

@@@@@@@@@@

AGORA A BOMBA ALUDIDA NO INÍCIO: Numa das estadas do Guimarães Rosa em São Paulo, este deixou na casa do Edu ( então seu enteado ) durante uma viagem aqui por perto, alguns  manuscritos do "Grande Sertão: Veredas", que estava em elaboração e que o Edu me deixou em mãos, por dois dias, para que eu visse como era que o padrasto estava escrevendo! ( Eu tinha publicado no jornal da Faculdade " O LIBERTADOR " um trecho de meu ambicioso ( e gorado no terceiro capítulo ) romance '"OS SENTIMENTOS DIDÁTICOS", antes "NAUSAÉREA", e antes "PALIMPSESTO".

    Ele falou que eu era louco como o padrasto Rosa.

@@@@@@@@@

    Uns quarenta anos depois, meu filho Philadelpho, então diretor da Editora da PUC, onde era professor de Semiótica e instalava a Poesia Intersígnica, quis editar os três contos publicados na revista "O CRUZEIRO" quando Guimarães Rosa era um  médico literato completamente desconhecido,

    O achado teve o rastreamento de um ilustre bibliófilo, Waldemar Naclério Torres, grande amigão nosso e que desencavava até traça falsa em buraquinho  de livro sem lombada, e teria um alentado estudo introdutório do ensaista, professor da USP, “former resident” da Universidade do Texas por anos seguidos, embora muito jovem ainda , Ivan Teixeira ; seu último livro, sobre clero, poder e disputas de mando e comando no Brasil imperial, todo alicerçado na genial novela O ALIENISTA, de Machado de Assis, foi premiado recentemente pela Academia Brasileira de Letras.

@@@@@@@@

Uma das duas filhas de Guimarães Rosa, portanto sua herdeira direta (  dentro de uma linha de sucessão onde cabem o Edu  de seu segundo casamento com Aracy, e seu referido filho ) , concordou com a publicação, exultou e até se propôs a colaborar de alguma  forma no empreendimento, mas este foi abortado por interferência do filho do Edu, embora delicadamente sob forma de cobrança de não sei quantos vultosos mil dólares, na época.

@@@@@@@@@@@@@

Tais contos, adicionados a outros, acabam de vir à luz sob título “Antes das PRIMEIRAS ESTÓRIAS”, Editora Nova Fronteira. Comprei o livro e não o abri ainda, não sabendo dizer como foram adquiridos dos sucessores da revista “O Cruzeiro”).

 

@@@@@@@@@@

NOTA POSLIMINAR: [ ISTO NÃO ENTRA NO VERBETE ] Diga aí, Ivan !( a quem estou mandando cópia, Maurício)    Corrija alguma coisa !  

I V A N ! : O destinatário não é nosso querido Maurício Barata, saiba.

@@@@@@@@@@@

Adiou (: Sinatra!),  Menezes, pro Maurício [ do Brasil ] , Floriva para Ivan.”

 

 

@ - Bárbara, Julieta:    - V. Abecedário/Pasta 11.

 

 

@ - Campos, Augusto de  -  (Portrait ultra-desenvolvido e muito distribuído, -- com  com bastante acréscimo – no LIVRO, agora na gaveta Introdução) . / V. Fita VHS do Itaú Cultura:  - 0h16´50´´ - capa da rev. “Código”, atribuída ao Augusto de Campos: parece-se muito com a sobre-capa da edição hard cover do “Guide to Kultur”, de Ezra Pound,  v. se confirma na Internet / Google / Pound / Guide to Kultur, 1a. ed. / Images. COMEÇOU A APARECER NA “CÓDIGO” APÓS A SEGUNDA EDIÇÃO DO LIVRO DO POUND, QUE MUDOU DE CAPA

             - 0h48´00´´ (A.C., !) f^.

 

@ - Campos, Haroldo de:      Para  a nota de rodapé da IP-INTRODUÇÃO [ LIVRO]:            “Se pudesse dar uma carpeauxíada (sínteses magistrais!), diria do Haroldo: a imaginação verbal em pessoa! Agregar os vezos do Severiano de Azevedo, cf. pp. 475 ss. do tratado do Muricy/Simbolismo.

            - V. verbete, in IP-Avulso do Word ou IP-Portraits, Haroldo de Campos: de quando é “O sétimo selo”, de Ingmar Bergman, pois no AUTO DO POSSESSO, de Haroldo de Campos, de 1950, = já existia, cf. p. 33:

            - "A AMADA: Ouve, agora, junto ao mar// um enxadrista joga."

 

 

@ -Celso Thomei & mulher (Luíza) , em casa, para o Imposto de Renda, 21-1-1996:        Alma subalterna

            Orgulho de classe

            Graduado na resignação

 

            Sua mulher: tristeza plissada (vincada) mas com reflexos (refolhos) de grandes esperanças.

            Ambos têm um medo sacro, até filial, pelo Percy e veem na Marilu (só se referiram a ela uma vez, aludindo ao seu vezo do grito brincalhão) veem na Marilu, repito, uma sentinela de ameia daquele amor de fortaleza pelo lar.

 

                        (CELSO THOMEY, 560-1787 E (REC.) 560-1381.

                        TELEFONE ATUAL (1997):  5560-1787.

 

 

@ - Cipro Netto, Pasquale(“Prof. Pasquale/´Nossa Língua Portuguesa´ ” )

 

                  (O pedestal lhe calçado/ a segurança que lhe dá/ o segredão polichinelesco de reticular os mínimos detalhes do óbvio, mas sabendo tudo- tudo da Gramática, não só no que esta possui de essencial, mas naquilo em que aparentemente  nunca foi possuida, no sentido – vá lá – sexual da expressão.E casado com a circunstância de fazer a maioria das abonações com o melhor da MPB, resultante de seu bom gosto infalível e fatal para seus concorrentes. Mesmo àqueles da linha clássica, engravatada, tipo Napoleão Mendes de Almeida, Said Ali et al. E, para mim o mais importante na midiática: é de uma idiotice articulada maravilhosamente, desde que se saiba cientificamente  a diferença entre idiotice e imbecilidade... (agosto de 2005).

 

                                                                                              &&&&

        E, para mim o mais importante na midiática: é de uma idiotice articulada maravilhosamente, desde que se saiba cientificamente, olhando praquela cara de Moóca reurbanizada, a diferença entre idiotice e imbecilidade...
         Transcrevendo o que lhe ( Ivan Teixeira) escrevi há uns cinco, seis anos (mas, agora a respeito da idiotice articulada maravilhosamente, o Professor Pasquale): "Uma noite destas, tive uma epifania, mas estritamente religiosa, diria mais: hagiógrafa e portanto etimológica, despontada de modo wittgensteiniano: "O imbecil é o idiota burro. O idiota é o idiota inteligente."
(Formule isso com os olhos fechados, mântricamente, e verá muitos amigos e parentes desfilarem em sua nuca) Se eu, na segunda assertiva, dissesse que o idiota é o imbecil inteligente - o que logicamente era o aguardado - , teria que definir ambos, para não cair na "tautologia da Lógica", embora as duas assertivas configurem "tautologia da Retórica".

 

@ - Coppola, Francis Ford Coppola, o maior exemplo de trágico integral. Sua Obra ( a trilogia do Godfather e Apocalipse Now, o resto é não existente) talvez seja  prototípica da Tragédia moderna, ou no mínimo contemporânea [ atributos que procuro definir na gav. TRADUÇÕES, intróito do “The Waste Land”, cf. ]

Faltou-lhe um leve sopro de sense of humour para ser citado ao lado de Shakespeare por todo o tempo! Mas nenhum triz de riso ou sorriso! Existe porventura um “sense of humor” formal e conscientemente recôndido?!... Bela matéria para um pesquisador.


 

@ - Fiaminghi, Hermelindo: Mono-sábio, papagaio do Décio Pignatari. Repetia, mas não entendia. Cara de sacadas geniais, tanto na Pintura como na Vida, tinha sua lógica e criatividade, originalíssimo quando ficava nervoso. Grande cozinheiro, criou a inesquecível grinalda de lingüiça. Acho que inovou numa lei da Física, quando subia comigo a rampa de acesso, no alto da Bienal, ao M.A.C.: subia ziguezagueando, na horizontal da rampa, uma perna em nível superior à da outra, chegava a um dos extremos da lateral, trocava de pernas, partia para o outro extremo lateral, a outra perna em nível superior à da outra, e assim, pernas trocadas, chegava logo ao topo sem o menor cansaço.A gente nunca entendeu, mas, subindo na posição e movimento normais, chegava depois dele e muito mais cansado. Em meu ensaio sobre Glenn Gould, cf. gaveta G.G., há uma passagem em que ele define Schubert como o cara que, no piano, “assusta aqui em cima (mão esquerda em suas oitavas) e explora os fininho lá em baixo, não vejo vantagem nenhuma!..” Aí vinha aquele sorriso maroto, que lambia um canto do olho, o giro da cabeça deixando a boca no lugar anterior, como num desenho animado, com ares de quem está enganando e nunca enganado.

 

@    -   GARRINCHA  (ENTREVISTA   POUCO   ANTES   DE   MORRER)

Observação:
PUREZA!ALMA GENEROSA!LIMPIDO!DOADOR DE ALEGRIA E FE NO PROXIMO!FELIZ...OU MAIS BEATIFICO INFELIZ JAMAIS VIVIDO? "-TUDO BEM!"EXPRESSAO PERMANENTE DELE,COVARDEMENTE DEFENSIVO? UM DESPOJAMENTO DE EGO MUITO PERIGOSO,QUE VIRIA,ALIAS,REVELAR-SE FATAL EM POUCO
TEMPO!INTERESSANTE A GRADACAO DAS INTELIGENCIAS HUMANAS. OUVE (VEJA!, fita vha 107)MARIO AMERICO,UM IMBECIL,COM AR DE SUPERIOR TOLERANCIA..
.

 

@ Herrmann, Villari [ I ]: Euclides da Cunha, opúsculo s/ Castro Alves, p. 21: o sinal do infinito e sua digressão, semelhante à sugestão poética do Villari Hermann, cf. seu poema do minuto. MOSTRAR A ELE E TB. AO PHILA.

 

                                   "Fallo por mim. Eu fui um obscuro e pertinaz estudante de mathematica. Quer dizer: precisamente quando mais adoravel se nos mostra o quadro desta vida, e o seu vigor desponta da mesma anciedade de viver, tive que contemplar o universo vasio e parado -- apagadas todas as luzes, extinctos todos os ruidos, desapparecidas todas as cousas, desapparecida a propria materia -- de sorte que nessa abstracção, a approximar-nos do chaos, permaneçam, como attractivos unicos, a fórma, nos seus aspectos irreductiveis, e o número e signaes completamente inexpressivos. Pois bem; folheando, ha pouco, os meus velhos cadernos de calculo transcendente, onde se traçam as integraes seccas e recurvas ao mundo de caricaturas mal feitas, de esphinges, e onde o infinito, tão arrebatador no seu significado imaginoso, ou metaphysico, se desenha, seccamente, com um [ DESENHADO O SIGNO DO INFINITO ], um oito deitado, um numero que se abate, desenhando, de uma maneira visivel, a fraqueza de nossa intelligencia, a gyrar e a regyrar numa tortura de encarcerada, pelas voltas sem principio e sem fim daquelle triste symbolo decahido -- deletreando aquellas paginas, salteiam-me singularissimas sorprezas." ( "Castro Alves e seu tempo", EUCLYDES DA CUNHA, dIscurso proferido no Centro Acadêmico Onze de Agosto de S.Paulo, s/d., edição do Grêmio Euclides da Cunha e destinada ao munumento ao escritor a ser erigido na encosta do morro da Babilônia, em 15 de agosto de 1919.)

 

 

@ Herrmann, Villari [ II ]:

 

                                   O Herrmann, eu conheci-o ( era triste, altivo e arredio (*) ) na casa do Augusto de Campos, 1967?, 1968?, procurando a melhor posição para o K8. Consultava o mestre de toda uma geração de artistas especulativos, “il miglior fabbro”, depois abandonado, e depois invejado.

                                   Herrmann trazia uma bagagem verbal de pouco volume mas grande peso, o soneto “rebus ( et pour cause, digo eu:) sic stantibus”, de melo-logopéias incríveis para sua pouca idade. Vejam depois seu primeiro opúsculo, “4 Poemas”, 1971, Edições Strip [ conferir ]. Mas “K8” reinaugurou uma semântica , embora fisiognômica e caligramática, sem chaves léxicas e rouparias da ribalta transcriativa, e que serviu de modelo para muitos, e para ele próprio. Criou-se com esse poema e mais “Oxigênesis” (!), que já vinha de uma tímida mas tresloucada alunissagem quase intersígnica ( a Desoxigênesis [ conferir isto ] , o vezo – dígito de Herrmann – das cáusticas decantações de atmosferas subcutâneas da alma: esse Augusto dos Anjos da Poesia Concreta, ou Visual, ou Intersemiótica, ou Intersígnica, ou ETC.

                                   Que grande autarquia espiritual  é seu “SomBRas” [ traço em cima do BR] , poema do porão político, algo negro escondido no negrume! O “Poder / Podre / Depor” ( veja, leitor, o grafismo indicativo, original do poema, esse sim, necessário), que uma visão glaucomattosa ( “O que é Poesia”, de Glauco Mattoso, Ed. Brasiliense, 1983) repetiu e acabou “inspirando” nosso maior menestrel (cf. LP “Velo”, faixa “Podres Poderes”, do Caetano...

                                   Criador de coisas que podemos chamar de poemas-animados ( Ronaldo Azeredo é nosso maior “coisador”, eu já o disse em 1979, jornal “O Ambiente” da CETESB), Herrman brindou-nos num Natal com um poema-cartão ( no sentido mesmo de cartão de Natal) do Conde Drácula, a síntese amor-humor-tumor ( “Tu, só tu, puro amor”, lembram-se, camonianos?) ao fotografar-se, carne-e-osso, com a Miss Kodak de eucatex, tamanho natural, um “retrato de casamento” disfarçofálico e moralmente invertido: a amada imortal (esposa!) não lhe cederá o sangue necessário; mas ambos desejarão – e o fazem – às “excelentíssimas famílias brasileiras um feliz Natal e felicidade na década de oitenta” [ !?!, Rriso] . Só ele...desejar felicidade por uma década!!! Otimismo de um solitário, não solteirão!, maior namorado da Humanidade que já existiu“Papapá – papapá – papapá .../ ...”és noiva do Porvir”, lindo Castro Alves), e que, num lance pré-figurativo visual, transformou genialmente a Valsa do Minuto de Chopin numa Partitura do Infinito!

                                    Na esfera-homem, desse grande homem, tambem só sobra o poeta: tenho sempre medo daquele corpo do outro mundo ( querem ter uma idéia?: vejam-no  em primeiro plano no quadro “ O grito” [ conferir nome daquele quadro] , do expressionista Charles Munch).

                                   Insólito, arrogante, dono absoluto de suas derróvitas.

                                   - Tive vontade de sair na metade, disse-me cansadíssimo, após o documentário, de 14 minutos, de Glauber sobre o velório de Di Cavalcanti, que assistimos juntos em sua até hoje única exibição em São Paulo.

                                   - Que título belíssimo, Menezes! ( : “Vês, ninguem assistiu ao formidável / enterro de tua última quimera. / Somente a ingratidão, esta pantera / foi tua companheira inseparável!”, o primeiro quarteto inteiro do famoso soneto de Augusto dos Anjos!)          [ VEJA SE NO LIVRO, NO ASTERISCO QUE TEM ESTE TEXTO, SE O FINAL NÃO ESTÁ MODIFICADO ]

                                   E lá pelas três e meia da madruga, numa mesinha de calçada de um botequim da Av. Rio Branco, aterrorizado:

                                   - Vamos tomar mais uma, a última, Menezes! amanhã eu trabalho!!!

                                   Eis o seu rigor.

 

( NOTA: O ASTERISCO DA PRIMEIRA FRASE DEVE SUMIR NO TEXTO DO LIVRO – É UM LEMBRETE DE QUE A FRASE É PARODÍSTICA – QUANDO NÃO PARAFRÁSICA! – DO PRIMEIRO VERSO D´ ”O MELRO”, DE GUERRA JUNQUEIRA.

                                                                       ***

( NOTA DE 15-3-03: Este approach, fi-lo na década de 80  (ele   se   parecia

muito, não o vejo mais há muito, com Jânio Quadros ; junto uma foto dele e uma do Jânio em outro local no livro)  Em local apropriado do livro, transcrevo trechos de uma linda e tremente carta dele para mim, com a resposta onde teorizo sobre influências reinfluentes, rebatendo-o num lance de humildade e generosidade ( Haydn / Mozart / Haydn / Mozart /  Haydn / Mozart / morte de Mozart).Tb. por acaso o rascunho estava grampeado num recorte do jornal FOLHA DE S.PAULO de 1º de fevereiro de 1981 ( ou 1984?, está meio apagado)) onde há uma chamada: “Se você já está cansado dessa história de ficarem mandando ver isso, aquilo, aquele outro, fique em casa hoje. Afinal a família ainda pode ser um bom programa.”

 

 

@ Herrmann, Villari [ III ]:    - Podemos amar um regime como o do capitalismo, onde só vencem os que são realmene competentes?!  [ Rriso ] ( Herrmann, apud meu sonho)

           

 

@ Justus, Roberto:                - Aquele absolutismo de quem manda no próximo. Ele entra, de cara, comprando a alma.

 

 

@ (Kunze, casal de seu cartão postal) : Sardinha açucarada com geléia de vagem.

 

@ - LULA - Luiz Inácio Lula da Silva.

    Meu approach sobre os documentários “Entreatos”, de João Moreira Salles  e "Atos" (paralelo), referentes à campanha de Lula à Presidência / 2002. Foi divulgado através de e-mails aos amigos mais chegados.

           
@ - Lula- Através de  minhas impressões sobre o documentário "Entreatos", de João  Moreira Salles / Walter Carvalho (visão da campanha de Lula à presidência, em 2002, tomada na intimidade, metaforicamente: do café da manhã à alcova, com passagens pelo banheiro...), seguido, no disco 2 do dvd, de "Atos", visão pública da campanha, às vezes metalingüística na autocrítica, nos processos de filmagem. Menos pessoal, mais documentário em si, em que a câmara não se trai, como no primeiro disco, onde dava a ver nas entrelinhas. Inclusive com a "ajuda" do protagonista principal (Lula), "ator" fantástico que sabia que estava quase sempre representando, embora uma verdade sincera...e cortada na carne em seu empenho vitalício pelo futuro do país.

      O que me parece que avulta de cara é um amálgama humano profundamente homogêneo, a despeito de aglutinar sindicalistas, comunistas chateados, intelectuais reticentes, ideólogos conscientes e preparados, empresários e banqueiros sedentos, mas naturalmente "esperançosos", penetras pitorescos e protagonistas involuntários ( o carinha que pediu uma carona ao Lula no avião, ia perder algo importante na cidade destino: havia se atrasado em seu embarque... No desembarque, a equipe,pensando tratar-se de um amigo íntimo do candidato Lula, tomou-lhe um depoimento, para mim pungente, profundo, sábio, dessas cartadas anônimas que justificam a humanidade  em alguém...).

      E onde quer que a câmara os captasse, ficava evidente, sinceramente patente, que estavam todos com a predestinação, mas talvez nem todos predestinados, de edificar um Brasil País do Futuro.

      Isto tudo me parece preconizar a retumbante vitória e já preconizava também, mesmo nos momentos de inseguranças aflitivas - e justifica agora - a esmagadora vitória da reeleição, a despeito das crises por quê o governo passou a partir de meados/fins de 2005...


**********



        Não é difícil emoldurar, para uma galeria de verdades políticas eternas, algumas visões epifânicas que só podem nascer da verdadeira INTUIÇÃO, dom e arte nos quais Lula é mestre incomparável, mesmo que as doutrine de forma às vezes arrevezadas e, na aparência, incongruentes:

        - In 85´34´´ ( sem desprezo pelo que passou antes), DEMONSTRA, para mim tragica mas realisticamente, A CONSCIÊNCIA DE QUE ALGO PODERIA MUDAR EM SEU PASSADO ! Sic! , não é tropo de retórica, embora uma típica “intuição reinfluente” !

        Na realidade: é o "acerto" das falaciosas negações de promessas enraizadas em sua histórica postura socialista, de não alianças espúrias etc. etc. etc. Uma vez sonhei que era um ventríloquo usando o aparelho fonador do Lula. E o boneco Lula (alguém disse que "Lula é um boneco criado e manejado por ele mesmo") soltava: - "Querem destruir o passado mais promissor que o Brasil já teve! Isto é uma tragédia!" E o povaréu terrificado punha a mão em concha na tonitruante boca aberta.

        - In 87´07´´, já preconiza a genial visão das "prisões burocráticas institucionais", que a mídia alcunha de preconceito autoritário contra as leis e instituições, etc. etc. etc.

        - In 23´ e meio, mais ou menos, com muito humor realístico ( eu diria até realismo humorístico), pinta os militares do Governo.


*****************



        NATURALIDADE e SENSE OF HUMOR REFINADÍSSIMO ( ao correr de todo o documentário, embora seu olhar, meio raivoso, peneire sempre seu sorriso cleptogenicamente sincero), ao nunca renegar o palavrão, justo e precioso, e ao não titubear ao dizer que se deparou com "um puta negão de 2 metros de altura"... (30´ mais ou menos). Não tinha, e não se tem, outra maneira de dizer nessa situação de acovardamento ou cauteloso recuo natural... ( ONG JÁ SE VIU  SUBSTITUIR HUMOR NEGRO POR HUMOR AFRO-DESCENDENTE!!!)

        - Outro exemplo de naturalidade e delicioso detalhamento dos prazeres, afoitezas e vicissitudes cotidianas, se encontra em 51´11´´ até 53´40´´, ao descrever a hora de seu almoço na fábrica Vilares, com detalhes das cachaçadas, os golaços de pinga que mandava cair, antes de comer em quinze minutos, etc. etc. etc.

        - Para terminar este aspecto perfunctório, mas quase sempre denunciativo de uma posição filosófica, "estadística", veja seu humor autoritário, ou autoritarismo gozado (ma non troppo...) in 60´20´´ até 61´. E fala como um iluminado, no sentido não digo religioso mas, no mínimo o mais hagiográfico possível. E ( ou MAS...) A ANÁLISE QUE FAZ DO WALESA É SABIA, GLOBAL, PRENUNCIADORA DA GLOBALIZAÇÃO IDEOLÓGICA DO CAPITALISMO.


********************



        Finale ( descartável)

        Aos caros amigos que me lêem e que têm de ver o filme: considero-me um anarquista , mas que de vez em quando engraxa os sapatos. (Tenho assinado meus escritos, muitas vezes pretensiosos, como Blumenbosque Menezes, o Anarcotrêfego) Já me chamaram de neurocomunista, na época do eurocomunismo. E me orgulhava de ser um profeta de uma eliminação do Lula logo nos primórdios de sua ascenção ao Poder Central . Via eu o que vai seguir agora através do “Anexo”, um verdadeiro Processo “in progress”para sua derrubada definitiva, de limpeza da face da terra... * VEJA O “ANEXO”, no fecho.

        No fundo sou um sentimentalista, chistoxiíta, muita vez  no jogo pelo jogo, como aquele "mulato nato , no sentido lato, democrático do litoral", como disse Caetano, ou alguém a ele ligado . SÓ TENHO MEDO É DE QUE NA MAIORIA "O ANARQUISTA ACERTA QUANDO ERRA..."

 

“ANEXO”


 

***************** 

 

         @ - Lula, uma de filósofo em cima dele. Até contra isso ele tem de  lutar! Destino atroz, mas um eleito!

( Entry: dez.2009 / janeiro2010)

 

Você distinguiria um ventríloquo ditador de um ditador ventríloquo?

Não lhe parece a mesma entidade, dependendo do enfoque teórico de primazias na relação meio-mensagem-emissor?

O resultado, a captação do enunciado não está ancorado num truque, numa trucagem , cujo êxito, para ser acreditado, tem de estar forçosamente creditado ao boneco? O que poderia implicar na inexistência de qualquer emissor... Afinal e ao cabo, todo e qualquer disparate, ou enunciado, atitude, gesto e qualquer outra manifestação do mais legítimo nonsense fariam sentido sem a presença do elo final, ou seja, do boneco?

Ele faz a verdade passar por mentira, o absurdo atenuar-se pelo riso, personifica a própria ausência do ventríloquo (uma coisa de outra esfera, de outro mundo!) , um ilusionismo que não só descaracteriza a autoria, como a dispensa, sem que o expectador tenha o mínimo atrevimento de questionar aquilo que está sendo dito.

Esta última conclusão leva à pertinência da pergunta inicial. E de qual das duas gostaria de ser chamado um ditador, admitindo-se o maior, bem maior grau de moralidade entre um ventríloquo e um ditador, mesmo que o primeiro fosse incumbido, graciosa ou oneradamente, ou por milagrosa sponte sua, de dar recados e induzir a tarefas éticas, políticas, comportamentais a auditório, digamos, de massa, aqui se incluindo os de ambiente fechado e os de propagação expansiva, rádio, televisão, cinema e outros meios?

Parece que, mais um vez, é muito intrincado, quando não intrínseco!, o relacionamento, verdadeiro casamento, do substantivo com o adjetivo ( ventríloquo ditador / ditador ventríloquo) exceto na mais rica das línguas, a inglesa, onde talvez o divórcio do substantivo com o adjetivo  trouxesse uma alforria ao supérstite, deixando-o rondar por perto...e ao alcance de uma reconciliação.

Dou como exemplo [ da supremacia de um ou de outro na relação substantivo-adjetivo-substantivo] , uma caracterização à qual volta-e-meia apelo em minhas abordagens, quando sempre chamo à colação, para exemplificações de landmark em qualquer campo, o gênio-burro Villa-Lobos, soltando às carapuças a antítese consequente e indispensável do burro-gênio... ( cf. gaveta Música doSite).  

Para mais descaracterizar a relação ventríloquo-ditador / ditador-ventríloquo, ( que certamente definirá seu futuro político), e num intuito ético de banir  responsabilidades pela definição realmente política e moral do Presidente Lula ( e esta a razão deste enfoque), ainda me resta a esperança de que, como já disse em outro local, neste Site, analisando o documentário “Entreatos”, de João Moreira Salles:

 

“- In 85´34´´ ( sem desprezo pelo que passou antes), DEMONSTRA, para mim tragica mas realisticamente, A CONSCIÊNCIA DE QUE ALGO PODERIA MUDAR EM SEU PASSADO ! Sic! , não é tropo de retórica, embora uma típica “intuição reinfluente”!  Na realidade, é o "acerto" das falaciosas negações de promessas enraizadas em sua histórica postura socialista, de não alianças espúrias etc. etc. etc.

Uma vez sonhei que era um ventríloquo usando o aparelho fonador do Lula. E o boneco Lula (alguém disse que "Lula é um boneco criado e manejado por ele mesmo") soltava: - "Querem destruir o passado mais promissor que o Brasil já teve! Isto é uma tragédia!" E o povaréu terrificado punha a mão em concha na tonitruante boca aberta.”

 

*****************

 

@ Seu Marinho (Clube de Xadrez, déc. 50 ss.)Solidão tão grande em companhia da mulher, que de vez em quando ficava caolho, para ver duas figuras, assim, de maneira esfumada.

 

 

@  - Menezes, Florivaldo [ I ]- v. análise do Luciano Centofanti, 6-4-1968 (sacolas?)

 

 

@ - Menezes, Florivaldo [ II ]-- Ágato Mingioni, déc. 60, fins : “O Menezes é a melhor má companhia de São Paulo!”

 

 

@ - Menezes, Florivaldo [ III ]- Sou um sujeito guloso, voraz e sem medidas. Quando  visito alguém, sempre que posso levo bebida e de que comer. Assim, como e bebo como se estivesse em minha casa. E na companhia que escolhi (o que é difícil em nossa própria casa).

 

@ - Menezes, Florivaldo -       [ IV ]Toda criança me adora, até o momento em que começa a raciocinar por conta própria.

 

 

@ - Menezes, Florivaldo -       [ V ] Sou maniqueista, lombrosista, machista, preconceituoso e, às vezes, mentiroso.

 

@ - Menezes, Florivaldo –: Tristezas do Menezes:

 

 

@ - Menezes, Florivaldo

 

 

 

Como você opera, age, frente aos seus objetivos e desejos:
Busca relações afetuosas, satisfatórias e harmoniosas. Deseja uma união íntima em que haja amor, abnegação e confiança mutua.

Deseja abrigo livre de conflito e que ofereça segurança e bem-estar físico. Tem necessidade de tratamento atencioso e cuidados amorosos. Teme o vazio e a solidão da separação

Suas preferências reais:
É ativo, desenvolto e inquieto. Sente-se frustrado pela lentidão com que os acontecimentos desejados se desenrolam. Isto leva a irritabilidade, volubilidade e falta de persistência, quando busca determinado objetivo.

É inseguro. Busca raízes, estabilidade, segurança emocional e ambiente que proporcione maior tranqüilidade e menos problemas.

Sua situação real:
As condições são tais que não se permitirá envolver-se emocionalmente sem fazer restrições mentais.

O que você quer evitar:
Interpretação fisiológica: A capacidade de suportar pressão tem sido sobrecarregada, levando a tensão e frustração, impaciência e irascibilidade. Interpretação psicológica: Perdeu a elasticidade e a força de vontade necessárias para enfrentar as dificuldades atuais. Sente-se sobrecarregado e nada conseguindo, mas continua a manter sua posição e ainda busca seus objetivos com tenacidade ardente. Isto o sujeita a uma pressão intolerável, da qual deseja escapar, mas não consegue tomar a decisão necessária. Como resultado, permanece firmemente envolvido no problema e não pode vê-lo objetivamente, nem livrar-se dele - não pode deixá-lo de lado e sente que só terá calma quando tiver alcançado seu objetivo. Em suma: Envolvimento não-solucionado.

Seu problema real:
Precisa alcançar uma condição estável e tranqüila que lhe permita libertar-se de uma preocupação que talvez o impeça de alcançar tudo o que deseja.

 

     @ - Menezes, Florivaldo       - À maneira de Ivany Marcucci: “Veja que auto-retrato que o Ivan Teixeira fez de você, Menezes!...”:

De: Ivan Teixeira <iteixeira@mail.utexas.edu>
Para: 'Florivaldo Menezes' <flomen@ig.com.br>
Data: 24 de Out de 2009 - 3:43pm

Querido Florivaldo, estive lendo La Bruyère, por causa de um texto sobre o
Machado, e acabei vendo você em muitas páginas. Sobretudo no segundo
capítulo de Les Caractères
, que trata do “mérito pessoal”. Há páginas
incríveis que me lembram você. Estou concluindo meu livro sobre O Alienista.
Aquele texto que defendi na USP. Resolvi acrescentar um capítulo estou perto
do fim. Estou louco para me aposentar. Aí então terei liberdade de escrever
à vontade. Aqui, fico preso a mil coisas. Imagina que quando me entroso na
escrita, sinto remorso, porque estou sempre deixando de fazer alguma coisa
“urgente”. Paradoxo da vida burguesa. Procure uma edição aí, mesmo em
português, e verá que o La Bruyère se inspirou em você para fazer este
capítulo. Apesar de lembrar Machado, que se apropria do estilo aforístico,
lembra também você que, acho, foi modelo metafísico dele, La Bruyère.
É bom ter amigos de espírito, porque aí a gente sempre tem em quem pensar
com proveito.

Fique muito bem, com o abraço do grande amigo,

Ivan.

 

Caro Floriva,

           Num futuro longíquo, alguém, ao falar da poesia de invenção no século XX, escreverá em matéria da mesma natureza dessa da Veja de 2011  [ de fim de ano, que resenhou figuras tópicas mas algumas desconhecidas ou atualmente no olvido]: "Florivaldo Menezes, ao fundir existência e experimentalismo entre códigos, produziu fulgurantes objetos poéticos, que transcenderam o seu tempo e possuem frescor ainda hoje. Sua principal contribuição consite no abandono do experimento com certa frieza média de seu tempo, redimensionando o conceito de vanguarda com o retorno à prática da existência que transpõe barreiras de conveniências. Alguns lances radicais de sua vida explicam suas premissas estéticas. Nele, estética e vida não se separavam."

     Puxa. Não me leve a mal, pois tudo isso é brincadeira de final de ano.  Por outro lado, é homenagem em vida. De qualquer forma, é brincadeira.

    Muita saúde para você e a D. Elza. Abraço forte e bom 2012,

    Ivan.  

 

@ - Menezes, Florivaldo –: Pandeirista em caixa de fósforo / Inigualável!( na minha própria opinião)

 

Reensinei Cyro Monteiro a bater "caixinha de fósforos" no Samba. Testemunhas: J. Silvestre, já ido Desta para a Pior, o barman, bebido por seu próprio fígado, e curiosos, no botequim da Quintino Bocaiuva...( Rádio Record em cima?...) Meados dos anos 50, ou dos 60?!

 

Corria a década de 50, fins, ou começo da de 60: num boteco da Quintino Bocaiúva, debaixo da Rádio Record, dei um pulo atrevido da calçada  e infiei-me entre Cyro Monteiro e o iminente e indelével apresentador J. Silvestre. Cyro era carudo e de madeixas tratadas,terno de casemira, ou linho?, brilhantes,  J. Silvestre era belo, não áspero e tratável, eu, magro e jovem e de timidez pespegada. Sem qualquer surpresa e interrupção, o papo continuou, regava e rescendia, ninguém é de ferro mesmo às três horas da tarde...Além do excepcional sambista, havia em Cyro um modo bonito de bater pandeiro em caixinha de fósforos, diferente dos outros artistas. (Fica por fora desta conversa a batida de JOEL em seu chapéu de palha, que ritmava o samba de um jeito em que o som na cartola absorvia e passava a importar mais que o próprio caráter de acompanhamento e daquilo que se acompanhava.) Os outros sambistas que esporadicamente se utilizavam da caixinha, usavam os dedos e a mão de apoio exatinhos como os de um pandeirista; se não fossem muito bons, mas muito bons mesmo, eram de cara desprezados, é melhor o pandeiro em si! Cyro não: eram os três dedos percutivos centrais esticados como quem não tem confiança de que a coisa vai sair boa e igual mesmo. E não sai, ou não saia! Daquele jeito nunca! Ainda mais na presença daquela bossa vocal, aquela malícia chorosa e meio falsa, o ritmo entre o sentido e o duvidoso!...  Então peguei de meus fósforos e falei: - Vê, ninguém bate como eu, respeito muito você, Cyro, mas minha batida engole a de qualquer um! e desandei a assoviar e acompanhar com uma caixinha “Luminar”.

A diferença eram os contra-tempos que consigo introduzir, uma execução muito difícil, principalmente pela intermitência, calculada milimetricamente. E o indicador da mão esquerda não é mero breque da caixinha e sim um importante gerador de som.

Acho que os dois vídeos seguintes comprovam isso.

No começo, não estavam querendo saber quem eu era e o que estava fazendo ali, contracenando, mudo, com o ping-pong rescendente e de perdigotos à contra-luz. Mas não me desconsertavam  com aquele ar da ausência, o célebre estou me lixando pra presença desse cara!, não!, era tudo delicado, artístico! pensava eu nas liras de meus vinte e poucos anos...o que me encheu de confiança. Quando acabei, desabaram sobre mim, me engolfaram, e nunca mais nos vimos.

***

O presente hit foi filmado recentemente em sua casa pelo engenheiro e jornalista político-musical (sic, pois: isto é: político!! e musical!!!) Alexandre Weimberg, amigo de infância e juventude lá da velha sempre nova Presidente Prudente, onde fundamos e dirigíamos, dezessete, dezoito anos, os jornais O COMETA (ele) e O SENTENCIÁRIO (eu).

 

 

 

 

@ - Menezes, Florivaldo – Meu caminho para a Música “Clássica”.

 

                   Meu ganha-pão foi o Direito (Público), Literatura classicamente é perde-pão.

                   Nasci e criei-me em Presidente Prudente.

                   Primeiras letras: Príncipe Submarino, Tocha Humana, Brucutu, depois Super Homem, Família Ferdinando ( Lil Abner, do Al Capp).

                   Primeiro livro normal, fraseado, “Cazuza”, de Viriato Corrêa, levo pra outras encadernações...

                   Aos 14 anos comprei lá em Presidente Prudente “Metamorfoses” de Murilo Mendes ilustrado por Portinari, papel vagabundo, desmanchava á leitura. Foi o contato com o que até hoje classifico de modernidade. Despertou minhas pretensões.  Até aí, MÚSICA, SÓ A DA RÁDIO NACIONAL. O protogênio NOEL  só vinha por interpretações, já tinha ido.

                   À medida que amadurecia, entrei no Lobato infantil, raramente o de adulto, Gonçalves Dias e outros poetas rimados e metrificados, até cair no Machado de Assis, na velha edição, com algumas imprecisões, da Jackson, encadernada, capa em relevo, um objeto singular, com aquelas letras feiticeiras e consoantes dobradas da ortografia da época (Garamond português?!)... Li três vezes os 31 volumes, a sedução da tipografia será que acrescentou mais um valor ao gênio?!...Até hoje deliro em dobro quando recorro àquela edição.

                   Como aprendi bem o francês, de minha geração ( inglês era feio, raspante,  veja...) e latim, grudei-me em Racine ; só bem maduro em aventuras e fascinios mallarcaicos, Verlaine me fazendo dançar...e Ovídio pra ensinar sintaxe...

                   Bem, e a MÚSICA?

                   Dois colegas do colégio estadual, muito versados na Música, me abriram suas portas, um na ópera, em casa do  pai, dr. Marsiglia, grande advogado ...e só gostei de Donizzetti, nem mesmo da Carmen, a ópera mais afinada e eufônica. O outro, morto há pouco, Olath Brasil  Pereira, grande psiquiatra, me pôs, na pensão, ao lado de uma pilha de 9 “bolachões” 78 rpm, que caiam automaticamente um sobre o outro, depois se viravam, da “Nona Sinfonia”, com um cara chamado Weingartner ( veja!!!!!,  um cara chamado Weingartner !) ;  nunca mais se desgrudou de minha cabeça e alma,  é ainda, junto com o “Cravo bem temperado”,  o maior exemplo para  ilustrar a palavra Música,  mesmo com as inovações históricas da Terceira e as perfurações no Futuro d´ “A arte da Fuga”...

                   Passei a dividir-me entre a Literatura e a Música, já estava na maior obra até hoje escrita, “Os Irmãos Karamázovi” ( depois vieram Drummond, João Cabral, Flaubert, Proust, Joyce, "Os Corumbas", Rosa, já há tempos Rubem Fonseca não sei se pra sempre) e afundei-me na Música, que hoje divido com o Cinema.

                   Ouço praticamente de tudo. Tenho tendência para às vezes gostar mais dos “Mestres” do que dos “Inventores” da classificação poundiana, que ele não aplicou a músicos: compositores que pretensiosamente sempre desvinculei dos Grandes Artistas Maiores que são  Monteverdi, Bach, Mozart, Beethoven, Wagner , Mahler, Debussy, Schoenberg, Stravinsky, e que posso exemplificar : “Bartok é um grande artista menor.  Brahms é um pequeno artista maior.” , como digo em meu Site www.asdfg-menezes.org  , “gaveta” Música.

                                E como Brahms é o mais perfeito para músicos, ou o que menos imperfeições técnicas apresenta na partitura , preciso justificar esta heresia com a transcrição: (“Nota que escrevi na antepágina de rosto do livro  “Johannes Brahms” - de Claude Rostand, préface de Brigitte et Jean Massin, ed. Fayard :  "Eu diria de Brahms que é um criador, enorme!, viciado, com muito vício na linguagem: sendo um autor da época típica  do melodismo, não lubrifica, e depois limpa, naturalmente, a melodia, devido, talvez, ao uso, por exemplo, da constante nota-pedal na expansão cromática. Ouvindo Brahms no carro, às 14h30 de 18-1-92. F.Menezes").

                                Nessa tendência de às vezes sair do “cânon”, que me instiga, sempre me solto às delícias do agradável, que me transporta, ouvindo sempre, sempre-sempre: a segunda sinfonia de Sibelius, a oitava de Dvorak, a terceira de Schumann, a 39 de Mozart ( a mais lisa, redonda e aqui dentro de um canônico...), sua “Júpiter” (Bach-Bach-Bach “em seu maior” pré futurado),  a sinfonia de Bizet, o Octeto e o conc. para violino de Mendelssohn.

                   E não posso terminar  sem os improváveis  lieder de Hugo Wolf, alguns de Du Parc e Fauré, deixando os imortais de Schubert e Schumann para uma história das micro-óperas e de responsórios profanos, respectivamente.

                   Quebrando alguns conceitos supra, e não sendo Música uma razão coerente (pode, isso?), os fascínios supremos da Música: o concerto para violino de Brahms e o concerto para piano n. 1 de Tchaikovsky.

 

**********

 

@ - Nilton de Castro             Qqrr- Qqrr-Qqrr...Fsf-Fsf-Fsf ( risada do Nílton de Castro, que agradece a homenagem! )

 

    Olha ele por aqui!!! Ou por ali!!!...Que placidez!!! Será que é assim?!?!?!...

            No anexo de um e-mail-resposta do Aly (ALBERTO LYRA) , há o portrait que fiz do Nilton num guardanapo do Brama em 1977. Está logo ali em baixo.

 

(- Sonho com ele em 13-02-07:   

         ...e na campina.

         E levantaríamos as pregas superiores do Universo, as beiradas da abóbada incandescentes, não!, luminescentes.

         ... eu e o Nílton de Castro

         e sairíamos pela réstea fina de luz que não sabíamos se entrava ou se saía

         em busca de nada

         deixando tudo.

         Me afligi: e o quê da volta?

         - Happies! happies, como um hip hop, youpies, hippies, bem happies mesmo

         como ele dizia naquele seu inglês cicioso

         Qqrr- Qqrr...Fst-Fst-Fst (risada do Nílton, que agradece a homenagem.)

 

 

 

----- Original Message -----

From: Alberto Lyra

To: Menezes

Sent: Monday, July 24, 2006 3:40 PM

Subject: INSTRUÇÕES PARA ARQUIVAR IMAGENS (operação pelo rato)

 

**********

 


 

 

**********

 

 

@ PAULO FRANCIS.

 

As três maiores enganações, úteis, indispensáveis à natureza do Brasil, em toda sua história: Villa-Lobos, Lula e Paulo Francis.

O primeiro, gênio burro, o segundo, burro gênio e Francis um exemplo raro, inclassificável, de inteligência mimada, não conheço outra igual em toda a Humanidade. Sinceramente ele pensava que tudo era dele, nunca plagiou nenhuma das centenas, talvez milhares, de citações, imitações  e colocações que objetivamente já tinham dono, mas talvez seu único e desesperado prazer era ser o autor de tudo aquilo que dizia, sempre alegremente, em verdadeiro êxtase, cortez até no transe, dialeta até no banheiro, e uma Graça que jamais teve a mínima consciência de que poderia estar ofendendo alguém (sic). Verdade!

E outra graça, sem maiúscula, mas que causava compaixão: angustiado, necessitando estar sempre sentado e falando sem parar, naquele "sotaque nato de bêbado" ajudado pela bebida... e que não o abandonou nem após dez anos de abstinência.

Deixou uma legião de discípulos e imitadores, que podem escarnecê-lo de dia e que à noite rezam por ele nos escaninhos das igrejas.

Tudo é mesmo uma questão de estilo!

Repare que os três têm é estilo, como também Garrincha... e a araponga, como já disse, em contestação, num diálogo com Flo Menezes, cf. “gaveta” Música, num dos verbetes “Villa-Lobos”.

 

@ - Peixoto, Moacyr, com seus setenta e sete olhos que os anos cobriam debaixo da tampa de seu piano pianíssimo. (Uns três anos antes de sua morte, quando ia, com o Alaôr Monteiro da Silva, meu primo, vê-lo tocar no conjunto onde tb. havia o grande Araken, seu irmão – toque de Chet Backer! – naquela boatezinha família, “entrada”  de restaurante, aquela rua principal do Itaim ligado à av. S. Gabriel. [ Nota bem posterior: é a Joaquim Floriano ]

 

@ - Pignatari, Décio

                   Uma genial inteligência travessa, de um moleque sempre atento e solertemente dirigido a dar golpinhos – quando  não golpes sediciosos – contra a Lógica. Esse empenho de seleção de espécies não raro assusta, nele, quando pega no alvo, no absconso desejo de brilho de todo ser humano.Tem, entretanto, perante os Irmãos Campos, um pesaroso complexo de Osasco.

                      E me parece, como já acentuado,  que sempre abriu ( os )  caminhos para sua geração de peso. Também sabe pescar em águas que poucos conhecem, às vezes sem identificar o peixe. Mas seu senso divinatório intui de modo empírico-exotérico (sic), como uma criança que chora ao sentir dor : não sabe – e não precisa! – explicar para acusar  uma verdade. E é alegre, sem maldade. Muita coisa mais poderia ser dita sobre este fur(ac)ão de idéias.

                   No filme “Apocalypse Now” / Coppola, versão “Redux”, muito ampliada, há uma passagem, no fim, em que o fotógrafo louco ( Dennis Hopper ), metralhando sobre a Vida e o morrer / não morrer, pergunta a Martin Shenn: - Sabe que “if” está no meio da palavra ´ life ´ ? ” ).

                   ( Não sei quem é discrônico de quem, mas o poema LIFE é de décadas anteriores ao filme. Haveria alguma antenação da idéia, alhures, como eventualmente de seu poema do pênis e o colo de mulher com relação ao ícone mexicano?...            

                       - O Décio procurou a vida toda o trocadilho de conteúdo, no fundo-no fundo, a metáfora ilógica, a assertiva abstrata, a figura por heteronomia (Fil.), que o Octávio Frias Filho conseguiu com o artigo, no Folhetim, sobre o avião, o desastre de, o medo de. NOTA: não quis eu dizer heteronímia, qualidade de heterónimos (sic, lus.), p. ex., os heterônimos de Fernando Pessoa. (do ABCedário)

                        - Não menosprezem assertivas bocejáveis dele, porque na maioria das vezes vão se revelar verdadeiras. Ele deixou um, um, mas um grande discípulo no Brasil!, em área de outros códigos, alguns afins: Caetano Veloso (alguns afins: “Verdade Tropical”, !, do compositor). Reparem que há sempre uma voz à altura da concepção da esperança de uma genialidade.

                        - (V. tb. arquivo “Portraits”, aqui no Word e, analógicamente, no Write)  E mais uma, madrugada de 30-12-2005, para o danadinho: “É muito difícil, é deveras louco, atingir o óbvio da loucura de propósito! E o Décio alcança isso.

                    (NOTA A PENSAR, DE NOV. 2006: “É um metafísico futurível, naquele sentido que o Medina classifica os poemas de Oswald. / “_È muito inteligente, muito inteligente”, repetiu-me, grave, Haroldo, durante o velório do Edgar Braga, duas e tantas da madrugada.)
 

                          { De ator de fotonovelas a figurante/"diretor" ( filme “Sábado”, do Ugo Giorgetti), já vem de longe ocupando a mídia visual, desde um drinkezinho a bordo de um avião da Boeing, déc. 50, talvez sua primeira viagem à Europa, cf. DVD “Great Planes! – Boeing 747 & 777”. É mesmo um Protótipo do Alegre, sem Compromisso Humano }

 

 

@ - Proust                 Escarros, fungações e urinóis,

                                               dispnéias suspirosas nos lençóis.

 
 

@ - Ronaldo Azeredo  - (Notas introdutórias de três textos que me cedera, na déc. de 80, para reproduzir em meu livro “Impropriedade Privada”. O retrato/desenho que fiz dele na casa do Volpi, em 1972, na presença de Augusto de Campos, se reproduz também aqui).
 


COISAS DO

 

Rô (naldo Azeredo)  – abandono absoluto da palavra : fez com o Moonstro Moonzebur a única réplica válida ao Finnegans Wake, no meu entender. Viu que não levava a nada, pois aquele era o destino-idioleto de Joyce, um. dígito por verdadeira epifania.

E epifanias são como recados para santos.

Epifania não é telefonia = Graça.

Há 1 ano, fez o abajur chino-japonês das Flores Muitas Bastantes Flores.

E o Labirintexto. Amigo de Noel pois nasceu na rua Teodoro da Silva, em Vila Isabel .

Agora ele faz coisas. É o maior coisador moderno.

 

 

*********************************************************************************************
rapaz & copacabana
um conto (ou quase isso) de RONALDO AZEREDO
 

moreno (óbvio) sol (óbvi) olhos verdes (óbv) verdes na areia (ób) espetava sua barraca azul como uma bandeira de guerra. não era de paz (ó). (óbvio). sol rápido no chapadão verde metralhando tenros

ventres chamuscando seios môças pernas môças corpos
tombados ensangüentados de óleo outras tentando fugir das rajadas no mergulho rápido. GUERRA! milhares de capacetes de palha fina sacolas coloridas cheias de explosivos de uniformes lindos. nos carros tanques soldados na mira de potentes canhões passavam lentamente na estrada no suspense do tiro.

 FOGO!!!

copacabana  12 horas.
carlão carlucho carlito kaká kali carlos
semi-atlético gordini 64 prata (pintura metálica) carburador especial escapamento direto capas de napa côr de caramelo rádio três faixas faróis duplos superequipado uma jóia. sentado no banco no máximo para trás braços esticados no volante peito nu calção azul calção de ferro acelera a velocidade de madame rosa ( bairro das laranjeiras GB ) 50 anos lábios murchos no pó de arroz sorriso vermelho há 30 anos no pôrto do rio nos braços de um bigode argentino. madame rosas e inúmeras fantasias.
rosa rosé rosinha mergulhara no oceano atlântico perplexa menina linda perdida
de amor

o chopp estava deliciosamente gelado havia uma medíocre lua
carlão abraça carinhosamente um gordo vestido de modêlo antigo no chocalhar de pulseiras marcando o ritmo de palavras vulgares.
calça esporte camisa abóbora sapatos brancos a tôda velocidade ia ao encontro de teresinha. cabelos longos nos olhos brilhantes na pele fina da carne dura primeira. cine metro copacabana sessão das 2 matinê ingênua nas mãos dadas no saquinho de balas da lingeria branca no tato de um anelzinho sem valor. patético: em janeiro nos casaremos. irei falar com seu pai com sua mãe
com o diabo.
olhos úmidos nos lábios secos.
o cachorro quente e a coca-cola serviram para assuntos leves.
o ônibus levava teresinha como uma santa de procissão lentamente vacilava no ar coberta de flôres e ternura os olhos vidrados de santa castanhos pintados.
o mar silencia nas 18 h. do abóbora podre da tarde na avenida atlântica a cadeira de palhinha do bar ia-se desfiando com a unha do polegar.
dr. barros alto funcionário do banco do brasil roupas brancas no falar macio delicado 50 anos chevrolet 58 com vitrola elétrica duas garrafas de gin no porta-luva apartamento médio muito bem mobiliado no quarto exótico cama extremamente macia nas diversas peles de animais.
rosa prometeu trocar o carro por um gordini II 66. carlito sorriu e perguntou
eufórico: equipado?
apesar das 2 horas da madrugada não se agüentava de calor lençol molhado dr. barros voltou da cozinha com dois copos gelados de limonada
camisola de rendas sapatos altos
teresinha entrou no quarto de dormir e criar coragem para no dia seguinte romper com carlos
kaká passa a mão no telefone e escuta a madame rosé a coisa mais ingênua de
sua vida:

 INFIEL !!

dr. Barros foi categórico: fica amanhã vamos almoçar na barra da tijuca às 2 horas da manhã madame rosa gritava para ninguém: êle é meu é meu meu.
chôro rápido ( silenciosa rajada de metralhadora )
teresinha não sabia mais até aquela hora tardia  da noite o que fazer por êle por
êle
3ª-feira dr. Barros dera entrada no seu pedido de aposentadoria
o gordini II 66 era mais uma uva
cleide maria alta funcionária do ministério da fazendo 45 anos gentil etc etc etc etc etc etc etc etc 

 


 

 o moonstro moonzebur
 

é lindo.
e ao luar voa movido pela su ave resplanação. em suspiros line ares.
seu louro vem do só l e vai pelo amar elo ao giraSSOL que por um
v asa (o) ilumina os após ent eu nupci AIS. para esponjosamente re colher
o liqu ido vir final.
mas quando tudo isto ou o girassol está s eco: respira MOONZEBUR e
plan ar no sono delas e s(f)emea pen(is)uges que depois come com
car(al)inho.
abre com barulho a já n ela e espera MOONZEBUR seu pai e sua xão.
ó louro moonstro que flui do amor à(h) ferocidade de copul ar
anima lmente.
enquanto MOONZEBUR come seus cachos de pentelhos o tem pé não p(as)s(a).
(limpa o pó de sua asa) espere que ter mine a amorosa função do
moonstrobelo: extâse.
(e para os que nunca sabem o que querem vejam a liberdade e) verás em
letras sempre o seu (in) (t)destino sempre.
quando as mulmiltidões se reunem e se despedem urgentemente de vida
as pul sações do mundo MOONZEBUR ronda onda e ata(c) B AAA di-
SSOL(ou) vem?
sim e no ar pa(s)asa a prim(a)eira(dona) nu(a)vem vem a(h) s sim.
lá bis os dois e nu vens há bastantes. o alto é llllonge mas plaiamando
MOONZEBUR chega!
cante, cante, cante mulher nas noite de lua para a trair(quem?) o
louro que l oira as barrigas alv(e)as.
quando chorachovendo vira homem e viaja para o o êste(?não, porque
ninguém o vê).
deixemos a tristeza para os olhos mansos do moonstro e mergulhemos no
verão com praia es(d)tem(t)dida no seu corpo espr(e)i me ntas a
t(an...) ent (eção) ação do mergulho da gaivota.
bi(s desde já sei) co fino que entra, gostas? mesmo no v erão(magro futuro).
olha o navio irmão de marverão e espera o apito dêle vem do
bico aéreo que morde sua o r(v)elha de SOL a para quem anda
no ar te perfeita de resplailourar res pi(n)ca ndo estrêlas
pela sexuvital al i cá lá fios (terás muitos)vão e em vão
es caparás pois ali e aqui é perto e no momento êle tecedepressa
nuncamais semprenunca esqueças e ab(ar)rás bem tudo para:
o monstro louro MOONZEBUR que voa em l(a)eve e pousa no amor
ou na torre de ROMÂNSIA e como chegAR?
a lua vai alta mas.
des(na)mo(on) ro n ar e ai re torna MOONZEBUR.
mont(ar)ás(ás). e vácu(o) ar flo ras gando o bran cu. ó como
arpreciarás seu palavrAR de um moonstro de re re tido de
plana ações.
não se en cante demalis porque sua mus(a)ica é êle prórpio.
e assim (nunca não) tudo v indo(ou) de dentro dêle cabe-lhe só
a pré cia ação. e se algum dia em seus brarlaços f(l)ores
(para isto) perderás tudo e nu(s)ma torre f(l)odará?
ar ri (agora mas) s cá (não mais).
e então mesmo despre(n)ved(i) vem a ROMÂNSIA para com o
tempo (êste sono lento) seres se pu l ta da.

                                                                                                        20. 4. 56

 

nasci na rua teodoro da silva vila isabel na mesma rua em que
nasceu o noel rosa por sinal um grande amigo meu para a poesia
nasci das mãos firmes e generosas de augusto de campos sou uma de suas crias mais tarde haroldo de
campos e décio pignatari então
fiquei sendo cria dos três mais tarde oswald de andrade então
fiquei sendo cria dos
quatro mais tarde a primeira exposição
nacional de
arte concreta com a publicação do livro que lançou a poesia concreta noigandres número três já com a minha participação rato meu primeiro poema de mil novecentos e cinquenta e quatro e outros depois na exposição vieram os pintores escultores e veio fiaminghi saciloto mauricio nogueira lima depois veio augusto
haroldo décio com capa do fia e noigandres quatro que publicou meu poema mais conhecido velocidade depois veio edgard braga pedro
xisto josé lino grunewald depois veio o último
noigandres número
cinco depois veio revista invenção depois veio luis angelo pinto e décio com os poemas códigos depois veio alfredo volpi que me
ensinou a ser gente depois veio florivaldo menezes orlando
marcucci depois veio a partir de setenta e um até hoje a
publicação anual de um trabalho meu sempre patrocinados pelo volpi tenho esse da mulher o das células de câncer o da paisagem
computador o do arco-iris branco o da borboleta pulmão feito com panagens e esse mapa e o outro que ainda deverá sair este ano
todos muito
pouco conhecidos depois veio o erthos albino de souza e
o risério com a código depois veio o regis o pedrinho a lenora a turma da poesia
em greve depois veio o herrmann depois veio o julio plaza que fez  a impressão do mapa depois veio o augusto o haroldo
o décio o zé lino o braga o brasil o gilberto o orlando o menezes
o fiaminghi o saciloto o charoux o mauricio o erthos o riserio o
omar o regis o pedro a lenora o julio o herrmann o volpi então
fiquei sendo cria
dos cinco

ronaldo
azeredo

 

@ -  Tipos             ( v. tb.  IP-Roman      Tipo-1 ): (4,29em15-3-03)

 

@  - Volpi           “Visitei Volpi agora nos seus 89 anos. É triste, é deplorável, não dá uma palavra. Antigamente ele falava comigo, me visitava, levava-o a pizzarias, muita vez com o Ronaldo Azeredo.  Não escuta absolutamente nada, totalmente surdo. E essa surdez não lhe dá nenhuma intranquilidade, porque a escuta é sempre uma maneira de ressonância da palavra e ele nunca deu o menor valor à palavra, nem à que ele escutava, nem à que ele dizia. O Volpi sempre agiu observando, olhando a vida e o mundo e as pessoas. Pessoas, aliás, às quais ele quase nunca deu o menor valor. Sabe... às vezes fico pensando: se a pessoa se desgasta, assim, nas afeições, dividindo-se nas afeições, não pode fazer uma grande Obra. Veja, que é sempre restrito o círculo de amigos dos grandes criadores (p. ex., Beethoven, Augusto de Campos, Volpi : são caras de pouquíssimos amigos, mesmo).
 

( DITADO EM MICROFITA, EXTRAÍDO DA GAV. FITINHAS)


 

    

Nesse pequeno aporte sobre Volpi, esta foto, com minha ilustração poemática, em esboço rudimentar numa cartolina de favor, sobra de calço de mesa, algumas afirmações  estão totalmente desligadas da observação mais pesada  sobre sua essência de vida. Até um certo ponto do convívio e de sua  relação social esporádica, ele era nítido, e decifrado em seus idioletos cotidianos, que eram compostos de sueltos de atitudes desiguais . Por exempo: sua gargalhada tosca, toscana?, despregada de uma causa objetiva, o prazer de ouvinte de uma só música (a Serenata juvenil de Brahms, que lhe dei de aniversário), a ênfase no Matíssa! [ quando periodicamente provocado por mim e pelo Nílton de Castro perguntando-lhe matreiramente se ele achava mesmo Picasso o maior gênio do século,  e lá vinha um grito: - nãããooo!, Matissa ! ; o apego à  boneca mal vestida que era o Quico, o Quico!, que ele pegou no colo, criou e quase acalentou (um de seus doze ou treze filhos que lhe traziam para aquele convívio alegre e róseo de teto de igreja barroca, e que ele acabava por adotar. Aninha era seu único filho realmente sanguínio...) e quando vieram buscar o Quico de volta, comentou comigo: “é, o Quico foi embora.” Só. E deu uma risada mambembe, parecia mais um pigarro. Aceitava que o Quico tivesse vontade própria e autonomia de ir e vir?!...; sua seródia e última viagem para o Rio, a viuvez, a solidão com o carteado de paciência, sua volta para a casa onde morou a maior parte de sua vida, a indignação com a modernidade que impingiram, à sorrelfa, àquela sala surreal, com pianola, tapetes cuzcos autênticos pelas paredes, quadros e esculturas  pelos cantos, de primitivos que ainda não eram famosíssimos,  gatos e cães em prosmiscuidade assustada pelo ruflar de pombas, que a Judite caçava escondidinha na escadinha do atelier e nos servia em panelada, bem refogadas e ao vinho Bolla;  uma madona sua, hoje milionária no topo de escada de algum “ E o vento levou”... E então, no retorno de umas pequenas “férias” na casa de Botafogo do Bruno Giorgi, tudo modificado!: tropeçantes puffs caríssimos, nenhum resquício da bagunça, decoração e luminária parecendo maquetes e instalações de interiores de Bauhaus, imitando álberes e semicálderes, que a dupla, Willis de Castro e Barsotti, artistas significativamente originais,  remobiliou e remodelou, afinal deram um tom e toque de modernidade rica, digna, coisas feitas em dois meses, e com  a grana que Aninha tirou das latinhas de tinta vazias, onde o Mestre guardava toda sua fortuna... só soube o que era Banco quase velho, quando aprendeu a assinar em papel timbrado, diferente daquela assinatura linda de trás das telas. Ou quando precisou guardar as sobras: antes sua casa era uma colméia, mas aquela do verbete do “Pequeno Dicionário Brasileiro da Lingua Portuguesa” antes de virar Aurelião: “Casa muito cheia do necessário”. Isto era estupendo, muito cheia do necessário! Foi suprimido por infeliz inadvertência ...

 

 

 

P.S.   Quando perguntado sobre o medo de morrer, contava o caso do homem de 100 anos, “vizinho, lá do Itanhaem”, sem dilemas nem problemas...

– É, 100 anos!

– Mas Volpi, ele não sofre nada, de nada?

–Aaa, o único sofrimento que tinha era a preocupação pelo filho de 75 anos [ que tinha uma obcecada mania de doença...]

                   E a gargalhada espoucava pela ingenuidade do pai terrificado por uma doença tão impalpável do filho, óstia!, não sabia que nessa idade ninguèm mais fica doente de morte??!!! 

 

 

 

 

********

 

@ - Willy [ Corrêa de Oliveira ] Trecho de um bilhete que lhe deixei, correndo de um cachorro:

Eta masoco-ideologismo social besta, rejeitando heranças legitimadas e economizando dinheiro para não comprar uma campaínha, pondo os visitantes em risco ou desassossego pela presença de um cachorro que, de “lindo”, só tem o sono. (2-10-1996, à tarde). (Mas, além de grande músico, é uma cabeça portentosa, o Willy. Vem bem desenvolvido no LIVRO, e em muitos locs, cf. Imprescindível na cultura e no cultivo de minhas memórias )


 

@ - Willy [ Corrêa de Oliveira ]( Um adendo a Willy):
 

Suzi, e as coisas, cumé quistão? (Pergunte ao Willy se ele ainda se lembra do Paquistão, Uzbequistão, Tadjiquistão : >>>> Diquiladistão?!? ) Ainda existe lado na Política?
Ia ainda citar uma frase que ele me disse um dia (ou será que só pensou? Ou será que é minha e que lhe atribuo ao pensamento? : "Os amigos enjoam...,no fundo são um remédio que a gente toma a vida toda, quando eficaz, mas que acaba enjoando. Enfim... é desta alegre Vida, que, no fundo, também é uma viúva alegre".
Acho que é mesmo de meu fraseário (fraseologia do diário). Mas quase certo que ele concorde com isso.
*****************************************
Saudade mesmo, daquele Willy ( que, no fundo, deve ser o mesmo...):
- Oi Cláudia! A Karol fez 18 anos!, clamava a loiraça no páteo do supermercado. O Willy ao meu lado, no carro, pela janela, em voz cava, de confessionário, aquela, dele, mas gritando:
- Manda um abração para Karol!!
A mãe: - Você conhece a Karol?
- Não, mas ela não fez 18 anos? Um abração pra ela, coitada!
(ECCE HOMO...)

*

·                               Nas palhaçadas da déc. de 80/90,  tardes de quartas, seu dia de folga na USP , em que cumpríamos uma visita aos gregorianos & responsórios ao vivo, quatro da tarde no Mosteiro de São Bento ( onde eu aproveitava para pedir uma medalhinha e oração protetoras a um frade meu amigo,  tido como versado em exorcismo), seguíamos o ritual: primeiro as 5 ou 6 “Cabeças de Negro” que ele devorava na Brunella de Moema, em seguida minhas 9 ou 10 bombinhas de chocolate, zabaione, creme, bailey, as imortais e ninguém reencarnando até hoje as da Cristallo, só nas duas únicas lojas na época, centrão, Don José de Barros e Conselheiro Crispiniano. Depois, café pedido no gesto e no som, com ele retorcido e voz de fanho, todo defeituoso, o balconista com muita pena, eu saindo pra gargalhar na rua, de medo de apanhar... Daí, travessia do Viaduto do Chá, onde, abruptamente tresloucado, Willy dava uma rapidíssima meia-volta e desandava a correr em sentido contrário, desencadeando a correria  desenfreada na multidão no mesmo sentido e que, sem saber do que, apavorada, se escalafodia! Aí, nos diluíamos, pra não levar porrada.Praça da Sé: ele encantava seus patrícios nordestinos com um xaxado extremamente bem dançado ( Pedro Juan Gutiérrez, o escritor atualmente mais traduzido de Cuba, na época um jornalista e um poeta visual ensaiando seus passos de grande turista,  escreveu lá em Cuba, no Granma (órgão oficial do governo) um relato de nossa noitada no forró mais famoso de São Paulo, lá pelas bandas da ponte do Socorro, onde exalça as virtudes de dançarino do grande compositor. Será que Willy ainda dança? Ou dança nesta ingrata vida? Gutiérrez solertemente justificava as despesas que acarretaria com sua ausência oficial da pátria  para um convite especial à histórica 1ª Mostra Internacional de Poesia Visual de São Paulo, no Centro Cultural São Paulo, 1988, idealizada e organizada pelo saudoso poeta, teórico, tradutor e professor Philadelpho Menezes, meu filho do meio, trágica e precocemente desaparecido. Phila, como era chamado, já se firmara  em 1985, com sua instigante Poesia Intersígnica, como um mutifacetado abridor de caminhos, introduzinho no País, como divulgador e criador,  a  até hoje híbrida e complexa Poesia Sonora. Gutiérrez, cujo depoimento pode ser visto no vídeo que a TV Cultura dedicou postumamente ao Phila (Philadelpho Menezes), enriqueceu os arquivos cubanos  com a série jornalística sobre as favelas do Buraco Quente, imediações do Aeroporto de Congonhas, e aspectos do submundo burguês paulistano. Num desses submundos, que jamais mudariam o mundo, vistos sempre por quase todos embaçadamente através de um pano de seda tênue..., descreveu-me como um poeta que amava el juego de palabras, ao mencionar a feijoada que lhe proporcionei no popular Corso da Senador Feijó. Julgou que eu criei a palavra feijoada em virtude do nome da rua...

         Willy, um enorme caráter politico num coração de ouro recoberto de plástico, e a quem rendo homenagem em secções apropriadas do Site, enumerando grandes aberturas de picadas da Música em si e de compositores para mim esquisitos ( Rachmaninof, p. ex, Mompou e quejandos...) e odiados por minhas idiossincrasias ( Villa-Lobos, cf. meu verbete deste nefando in gaveta Música), chorou comigo no velório afetivo que armei lá na USP no dia da morte de Glenn Gould (v. detalhes no verbete Entrevista com Caio Pagano / gav. ENTREVISTAS e na gaveta GLENN GOULD ). Um choro somente menos pranteado do que o que distilamos, disfarçadamente,  em público uma tarde no Viaduto do Chá, ao vermos um pobre-diabo  colocado em cima de uma tábua do tamanho de um torso, sobre roletes, sem pernas e braços, cortados na base (falamos cepados no toco) , o olhar esgazeado para quem chegasse perto, para vê-lo tirar melodias, esgarçadas e desencontradas, de um cavaquinho que o coitado tangia por uma palheta  amarrada em seus mirrados dedos, pespegados  e pendurados  lá num ombro! Chamei-o, desumanitariamente, de Toco Tocante... e rimos num choro de diabo, diabo sincero.

 

to be continued


voltar à página principal